Arquivo para Outubro, 2008

30
Out
08

Dois tempos: Under The Boardwalk

A música pop esta coalhada de versões, cover e afins, nem sempre valem a pena, mas algumas dão novo sentido a uma canção, as vezes até superam a original ou são apenas divertidas.

Pretendo postar de quando em vez a matriz (nem sempre) e a versão de músicas.

Para começar: Under the Boardwalk.

O “não vídeo” do Tom Tom Club é tosco, mas não achei coisa melhor, rs.

The Drifters – 1964

Tom Tom Club – 1981

29
Out
08

Scott Walker: das massas à reclusão

O cantor/compositor Scott Walker acaba sendo o favorito de muita gente que gosta de musica obscura, eu não gosto de coisas que fiquem em grupinhos, principalmente coisa boa, nada melhor do que lançar luzes sobre o rapaz. Pelo menos tentar.

Nascido Noel Scott Engel em Ohio, EUA no ano de 1943, Scott Walker deu seus primeiros passos ao sucesso na música formando junto com Gary Leeds e John Maus os Walker Brothers.

Tudo começou na Inglaterra onde os três firmaram contrato com a Philips e assim conseguiram ficar famosos na terra natal.

Além de não serem irmãos, eles não eram ingleses e foram enquadrados na British Invansion ( bandas inglesas que tomaram os EUA em meados da década de 60), o grupo foi formado em Londres e entrou no embalo, as baladas com belos arranjos orquestrais e a voz personalissima de Scott davam o tom.

Os Walker que, de fato, não eram brothers, emplacaram diversos hits (Make It Easy on Yourself, The Sun Ain’t Gonna Shine Anymore)e fizeram fama na seara dos teen idols na primeira metade da década de 1960.

Em 1967, Scott partiu para a carreira solo e lançou Scott Walker 1, o primeiro disco traria alguns ecos dos Walkers, mas a influência do cantor e compositor francês Jacques Brel nas letras e nas melodias (inclusive com alguns covers) serviram para bagunçar ainda mais o coreto. Basta ouvir Mathilde de Brel e Montague Terrace do próprio Walker.

Os quatro primeiros albuns de Walker foram nessa onda, letras tristes e densas falando de temas da barra pesada e marginalidade passando por críticas ao stalinismo, isso tudo ocorria no auge da flower power e da psicodelia.

Os arranjos contribuiam para dar densidade às músicas e colocar Scott numa zona cinzenta e pouco comercial, Bacharach, Previn, Kurt Weill e principalmente Brel foram coverizados por Walker, mas não eram versões contemplativas, existia uma ligação de consanguinidade entre esses clássicos e a forma Walker de criar uma canção.

Walker seguiu lançando albúns, o sucesso e repercussão rareavam e discos como Til the Band Comes In (1970), Moviegoer (1972) onde ele cantava versões de temas dos seus filmes preferidos, Any Day Now (1973) que traz uma surpreendente versão de Maria Bethania composta por Caetano Veloso, acabaram ficando no limbo.

Em 1975 ocorreria uma breve volta dos Walker Brothers, quando emplacaram um hit chamado No Regrets (música de Tom Rush) e depois de três albuns sumiram novamente, já não diziam tanto. Scott Walker se entregou à uma reclusão de 7 anos.

Da década de 1980 até o momento Scott lançou  três albuns: Climate of Hunter !984), Tilt (1995) e The Drift (2006). Principalmente nos últimos discos vem cada vez mais se afastando do tradicional conceito de canção e dialoga com experimentos da música erudita, mas a voz grave e épica ainda esta por perto.

Walker é um detalhista e perfeccionista, as suas canções e letras refletem isso, talvez o rótulo de obscuro e excêntrico tenha servido bastante a jornalistas preguiçosos, que em geral, não escutam os discos e reproduzem o que foi dito antes. A reclusão de Scott parece mais um recurso para poder se expressar na hora que realmente tem algo a dizer.

Ele fez escolhas e acabou influenciando e sendo reverenciado por muita gente: Bowie, Nick Cave, Brian Eno, Pulp, Cocteau Twins, Goran Brejovic, Associates, Divine Comedy…

Em 2006 o diretor Stephen Kijak lançou o documentário Scott Walker:30 Century Man, co-produzido por David Bowie e ainda não exibido em nossas terras.

Vale a pena saber mais sobre Scott Walker:

http://www.the-drift.net/

Para baixar:

Scott Walker 1 (1967)

http://rapidshare.com/files/21706302/sw1.rar

Scott Walker 2 (1968)

http://rapidshare.com/files/148666476/130_-_Scott_Walker_-_Scott_2_-_1968.rar

Scott Walker 3 (1969)

http://rapidshare.com/files/21711100/sw3.rar

Scott Walker 4 (1969)

http://rapidshare.com/files/21713170/sw4.rar




27
Out
08

Dando Bandeira em outubro

Outubro amanhece com cara de maio e então o poema se encaixa:


Poema do mais triste maio


Meus amigos, meus inimigos,
Saibam todos que o velho bardo
Está agora, entre mil perigos,
Comendo, em vez de rosas, cardo.

Acabou-se a idade das rosas!
Das rosas, dos lírios, dos nardos
E outras espécies olorosas:
É chegado o tempo dos cardos.

E passada a sazão das rosas,
Tudo é vil, tudo é sáfio, árduo.
Nas longas horas dolorosas
Pungem fundo as puas do cardo.

As saudades não me consolam.
Antes ferem-me como dardos.
As companhias me desolam
E os versos que me vêm, vêm tardos.

Meus amigos, meus inimigos,
Saibam todos que o velho bardo
Está agora, entre mil perigos,
Comendo, em vez de rosas, cardo.

Manuel Bandeira – Maio, 1964

21
Out
08

Kerouac – Beat Bebop e o toque de Júlio Barroso

O escritor Jac Jean-Louis Lóbris de Kerouack (Jack Kerouack) nasceu em Lowell, Massachusetts em 13-3-1922 e morreu em  St. Petersburg, Flórida em  21-10-1969, foi ao lado de Allen Ginsberg e William Burroughs, um dos principais nomes da literatura beat.

Escreveu mais de 12 romances, ficando famoso com a publicação de On the Road (Pé na Estrada), em 1957, produto de uma viagem por sete anos pelos EUA com o amigo Neal Cassady.

Narração direta, alucinada, incansável, apelidada de prosódia bop, analogia ao jazz bebop, estilo muito caro aos beatnicks.

Nesse livro, ele dá o tom, o sentido, a “batida” certa na existência de sua geração, desenho e base para os desdobramentos da contracultura.

Mas isso é reducionismo, On the Road tem que ser lido e curtido.

Ler “o(a)” é sempre melhor do que ler “sobre”.

Outras de suas obras importantes são o livro de poemas Mexico City Blues, de 1959, e Big Sur, de 1962. Nos ultimos anos de sua vida Jack se isolou e teve problemas com alcool.

Hoje faz 39 anos que Jack Kerouac foi embora.

Aproveito a oportunidade para lembrar Júlio Barroso, jornalista, dj, dublê de cantor, compositor e principalmente uma antena ligada no mundo.

Júlio liderou o Gang 90 e em 1983 lançou o disco Gang 90 e as Absurdetes, faz parte do album a canção Jack Kerouac escrita em parceria com Alice Pink Pank.

Nada mais beat do que Barroso.

Não dá explicar Keroauck, nem Júlio Barroso, bacana é ir atrás, ler, ouvir e construir nosso próprio retrato dos caras, aqui fragmentos:

Jack Kerouac

Alice Pink Pank/Julio Barroso

Ontem a noite eu sonhei
que eu era Jack Kerouac
E subi num terraço: rua Houston
E vi as duas torres gêmeas brilhando.

O cabelo louro da menina
As tranças negras do crioulo
A sua guitarrra – a sua angústia calma.

Eu desci
Peguei a minha lata de spray
Sai pela rua, pintei dois olhos verdes nas paredes.

Ontem a noite eu sonhei
que conversava com Jack Kerouac
Ele chegava e me dizia
“Hey Man! eu renasci black
E agora sou um tocador de piston!”
Eu só sei que o som era tão alto que despertou o mundo inteiro
Eu acordei, e saí mandando brasa nas estradas do mundo.

Ei Jack! Bye Bye

15
Out
08

Gang Gang Dance: tribalismo futurista (?!?!?)

De Brooklin, New York, o Gang Gang Dance prepara desde de 2001 a sua mistura de batidas não necessariamente dançantes, psicodelia e ecos do rock vanguardista novaiorquino.

Os albúns lançados pelo selo Social Registry: Gang Gang Dance (2004), God’s Money (2005), Saint Dymphna (2008),  as influências de Brian Eno notadas claramente, o fato deles terem andado em turnê com o Animal Collective já dão um bom caldo e vale a pena perder algumas horas ouvindo os caras.

Os componentes da banda já tocaram em outros grupos de NY como The Cranium, Actress, Russia, SSAB Songs and Jackie-O Motherfucker todos com o pé no chamado avant rock.

O disco preferido da crítica ,que costuma classificar o som da banda como tribalismo futurista seja o diabo que isso for, é o Gods Monkey de 2005, mas é o último  Saint Dymphna, lançado há poucos dias, que esta ai abaixo para download, confiram:

http://rapidshare.com/files/144695084/Gang_Gang_Dance__Saint_Dymphna.rar

http://www.myspace.com/ganggangdance

11
Out
08

Mico de Circo

Cada momento, cada época da vida temos discos que fazem nossa cabeça. Não tem muito a ver com as listas de críticos, com os discos antológicos que operam revoluções na história da música. São as tais revoluções intimas, que podem se universalizar.As vezes do nada acordamos e lá esta nosso disco preferido em alguma lista de outrem. Mas nessa área não há unanimidade.

Poderia falar de vários discos,  um em especial fez minha cabeça e me ocorreu agora. Na verdade eu demorei para tê-lo em vinil, tinha apenas uma fita cassete e mal gravada. Era época dos discos que saiam e sumiam, não tinha onde baixar, viravam raridade e dá-lhe especulação.

Mico de Circo do Luiz Melodia.

O disco começa com “A Voz Morro” de Zé Keti com arranjo da Orquestra Tabajara de Severino Araújo , Luiz que não queria ficar estereotipado como cantor de samba, exerce seu direito de gravar samba no melhor clima gafieira:

Eu sou o samba
A voz do Morro sou eu mesmo
Sim Senhor,
Quero mostrar ao mundo
Que tenho valor
Eu sou o rei dos Terreiros

Seguem músicas com arranjos e regências de Perinho Santana, João Donato, Armandinho, Marcio Montarroyos , Oberdan Magalhães (Banda Black Rio) time de bambas que deu bom caldo . Baladas, choros, samba-blues, não importa por onde anda o ritmo, a voz de Melodia esta lá, peculiar, soberana.

Gosto muito de Presente Cotidiano de versos:

Quem quer morrer de amor se engana
Momentos são momentos, drama
O corpo é natural da cama
Vou caminhar um pouco mais atrás da lua
Vou caminhar um pouco mais atrás da rua

O flagrante romântico e urbano de “Onde o Sol Bate e se Firma”:

Estou em torno da cidade
Trajes elegantes sobre mim
Vejo vitrines, vejo boutiques
Só não vejo quem eu quis
Os transeuntes me agitam
Me perco sobre a multidão
Mas vejo através das lentes negras
Lindo, teu corpo lindo
Serás amor minha canção


O samba-funk cheio de malandragem de” O Morro Não Engana “, alias o disco é uma homenagem aos marginais do morro (Cara de Cavalo, Mineirinho, Mico Sul e outros) que de alguma forma estava próximos ao menino criado no morro do Estácio:

Subi o morro, subi cansado
Pobre de mim, pobre de nada
Morro do medo
Morro do sono
Morro do sonho
Morro do asfalto
Morro do clima lá em cima
O morro é de morar

Ah, depois de um tempo consegui o vinil por uma grana em um sebo, daí veio o cd e acabou com esse elitismo de “coisa rara”.

Abaixo vou colocar trecho de uma entrevista que saiu no site  www.gafieiras.com.br onde Melodia fala sobre o lançamento do disco:

Max Eluard – Fugiu mesmo?
Melodia – Saí batido. Fugi, em termos. Fui para um lugar onde eu estava bem acomodado com a Jane. Eu a conheci novinha, linda, maravilhosa, morenão, um cabelão. É ruim de não ficar lá! [risos] Foi quando escrevi todo o Mico de circo, um LP meu. Cheguei ao Rio e o concluí. Foi quando homenageei toda a bandidagem do Morro do São Carlos, de Mineirinho a Mico Sul, e acabou entrando Angela Maria, Jamelão. Eu queria somente homenagear a bandidagem, mas acabaram indo todos os bandidos. Foi toda a marginalidade. Inclusive, coloquei “Tributo a…”, aí comecei a escrever “Fulano de tal”, “Fulano de tal”, Cara de Cavalo. Tinha umas senhoras que me viram miudinho no Morro do São Carlos, e aí também pus o nome, Dona Moca, Dona Eurídice. Sabe, saí botando o nome de várias senhoras que moravam no morro. E com esse Mico de circo, “fugi” e voltei à liberdade. Estava liberto quando me encontrei com a Banda Black Rio. Chamei o Oberdan [n.e. Flautista e saxofonista, o maestro Oberdan Magalhães comandou a Banda Black Rio em três discos, Maria Fumaça, Gafieiras universal e Saci Pererê. A banda se desfez logo após sua morte, em 1984]. “É o seguinte: o disco já está em cima, é isso que eu quero.” Entramos no estúdio. Chamei o João Donato, que fez os arranjos também. Quem mais escreveu na época para mim? Perinho Santana.

Baixar: http://rapidshare.com/files/46498696/Lume-Mico.rar

09
Out
08

Venha ver Eugênia como ficou bonito o Viaduto Santa Efigênia

Falar da crueza de São Paulo, cidade que acolhe repelindo, é lugar comum. São Paulo surpreende, nos dá oportunidades unicas de beleza se observada no contrapelo. Dias inusitados, luzes diferentes, ruas vazias que não calam, pois sempre há vozes querendo gritar algo. São Paulo tem dias estranhos, improváveis.

Engraçado, cada qual tem sua mania. Em São Paulo cabem muitas manias.

Eu tenho mania pelo Viaduto Santa Efigênia. Não tem a ver com a cara inglesa que ele empresta àquele canto de sampa. O viaduto é bonito. É uma implicância. Das boas.

Mas falava de dias estranhos: 26 de dezembro de 2007, pós natal, o centrão vázio e as pessoas, claro, ausentes das ruas. Sampa só pra mim. Bobagem. Como disse acima há sempre vozes povoando as ruas vazias de sampa.

Mas a luz dessa foto, fim de tarde, nos baixos do Viaduto Santa Efigênia, sempre será minha. Centro de  sampa desocupado para desocupados. Não sei se o Viaduto ou a música de Adoniran, quem sabe os dois, me fizeram perceber que São Paulo sempre terá alguma luz escondida.

VENHA VER
VENHA VER EUGÊNIA
COMO FICOU BONITO
O VIADUTO SANTA EFIGÊNIA
VENHA VER

FOI AQUI,
QUE VOCÊ NASCEU
FOI AQUI,
QUE VOCÊ CRESCEU
FOI AQUI QUE VOCÊ CONHECEU
O SEU PRIMEIRO AMOR

EU ME LEMBRO
QUE UMA VEZ VOCÊ ME DISSE
QUE UM DIA QUE DEMOLISSEM O VIADUTO
QUE TRISTEZA, VOCÊ USAVA LUTO
ARRUMAVA SUA MUDANÇA
E IA EMBORA PRO INTERIOR

QUERO FICAR AUSENTE
O QUE OS OLHOS NÃO VÊ
O CORAÇÃO NÃO SENTE

07
Out
08

Norman Whitfield e James Jamerson e os Funk Brothers : um bom pedaço da história da música black.

O produtor Norman Whitfield, nome intimamente ligado a gravadora Motown, faleceu no ultimo dia 16 (setembro). Nascido no Harlem na cidade da Nova Iorque, a Norman é creditado o formato de som que a gravadora apresentou ao mundo a partir do final da década de 1950.

Junto com o fundador da Motown, Berry Gordy’s, lançaria ao mundo nomes como Supremes, Tempatations, Marvin Gaye, Stevie Wonder, Smokey Robinson…

Compôs e produziu petardos do r&b e soul: “War,” “Just My Imagination (Running Away With Me)”, I Heard It Through the Grapevine, “Ain’t Too Proud to Beg,” “Papa Was a Rolling Stone”.

A morte de Norman, porém nos faz lembrar de um outro personagem e uma banda esquecida que deu musculatura e alma para o som da Motown: James Jamerson e os Funk Brothers.

Os caras fizeram a parte instrumental de todos os hits emplacados pela Motown em sua fase de Detroit (1959 – 1971). A partir de 1972 a gravadora se mudaria para Los Angeles.

James, nasceu na Carolina do Sul e foi para Detroit em 1953. Exodo rural,  essa migração começaria a dar forma à popularização da música negra americana. A fusão de sons (blues, rock, jazz) que desembocaria no r&b, rendeu hits como os citados acima.

James e os Funk Brothers ,músicos de jazz recrutados por Gordy para o background dos futuros sucessos da Motown, junte-se a eles Norman, resultado: fábrica de hits.

O inconfundível som de baixo das musicas da Motown marcam a presença de James na história da música. O hit Bernadette com o Four Tops é um grande exemplo, groove do fundo da alma.

James morreu em 1983, reverenciado por ter criado um jeito de tocar contrabaixo e dar novo relevo à música popular a partir de então.

Norman + James um bom pedaço da história da black music.


06
Out
08

Segunda chuvosa, mercado nervoso e a música continua sendo a grande sacada.

Segunda chuvosa, São Bernardo sempre parece ser mais chuvosa e escura, engraçado e sintomático isso. A cidade precisa sair das trevas.

O mercado tá nervoso, quebradeira nas bolsas, ainda não inventaram um Lexotan para o mercado. Saco.

Eu tenho uma página no MixWit, para quem não sabe Mixwit é um serviço onde existe uma base de dados de música e partir dela você pode montar suas próprias coletâneas.

Minha pagina esta nesse endereço: http://www.mixwit.com/klaxonsbc postei algumas coletâneas para pura diversão.

Uma seleção para você esquecer do mercado e das agruras de uma segundona chuvosa: o guitarrista húngaro Gabos Szabo, o folk soul de Terry Callier, Sam Cooke, Lee Hazlewood, Marvin Gaye, Johnny Clarke, Average White Band…divirtam-se:

Mixwit

02
Out
08

Stranglers: No More Heroes Anymore

Pretendo publicar no blog, quando em vez, algumas bandas que gosto muito. Para início falo dos Stranglers de Guilford, Inglaterra, 1974. Hugh Cornwell (guitarra/voz), Jean Jacques Burnel (baixo), Jet Black(bateria) e David Greenfield (teclados) os componentes originais.

A banda peregrinava nos pubs londrinos, em 1976 acharam guarida no movimento punk, inclusive fazendo shows com Patty Smith e Ramones em Londres. O fato de saberem tocar, as influências de grupos dos anos 60 como The Doors, & the Mysterians que transparecia nos teclados, o baixo pesado de Burnell e as letras engajadas inspiradas no trotskismo e bastante sarcásticas davam uma personalidade aos Stranglers em relação à maioria das bandas punk.

Deslancharam em 1977 lançando dois albúns Rattus Norvegicus e No More Heores, com gigs cada vez mais disputadas e tournês pela Europa foram criando um público cativo. Em 1978 é a vez do experimental  Black and White que trouxe uma bela versão de Walk on By de Burt Bacharach, seguido, em 1979 de Live X Certs e The Raven.Em 1981 lançam The Gospel According to the Meninblack e La Folie, um albúm recheado de boas canções como Golden Brown e Pin Up.

Dos albúns acima saíram no Brasil à época: No More Heroes e Black and White, ninguém conseguia enquadrar os Stranglers nos rótulos costumeiros daquele momento. Banda punk, rock progressivo, rock pauleira, não comportavam o som deles, é engraçado lembrar desses discos rolando nos sebos de sampa, completamente ignorados.

La Folie ja aponta para uma guinada pop no som dos Stranglers que seria confirmada com a entrada deles na Epic em 1986 onde lançaram Dreamtime. Nesse albúm emplacaram o hit Always the Sun.

Em 1990 após o lançamento do albúm 10, Cornewell deixa os Stranglers e segue em carreira solo, lançando albúns interessantes como: Guilty (1997), First Bus to Babylon (1999).

Os Stranglers continuaram após a saída de Cornwell,  John Ellis, ex-Vibrators e também  Paul Roberts ingressaram, Ellis saiu em 2000, seu lugar foi preenchido por Baz Warne, com Roberts deixando o grupo em 2006.

Ouço a banda constantemente até hoje, com destaque para os discos No More Heroes e La Folie, diferentes entre si, mas que sintetizam a amplitude do som do grupo. Vale a pena conferir.

Para baixar: The Stranglers Greatest Hits 1977 – 1990

http://rapidshare.com/files/34676893/The_Stranglers-Greatest_Hits_1977-1990_.rar

Get a Grip On Yourself

Nice ‘n’ Sleazy (Live)





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