Arquivo para Novembro, 2008

24
Nov
08

Dois tempos: Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin)

Atacando em dois tempos novamente: Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin).

Na versão original Sly Stone com seu apelo dionisíaco, caldeirão de soul/funk e psicodelia que iria influenciar tanta gente no futuro.

E a versão do Magazine, um dos artífices do que se passou a ser chamado de pós-punk.

Dois tempos, dois momentos da mesma canção:


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23
Nov
08

Ana Cristina no meio dos containers

Fui hoje conferir a exposição Container Art no Parque Villa Lobos. A proposta é bacana, você entra em containers e assiste bons a exemplos da produção de videoarte brasileira.

Pude ver um vídeo do João Moreira Salles feito para Ana Cristina César: “Poesia é uma ou duas Linhas e por trás uma Imensa Paisagem”

Ana Cristina César, poeta e tradutora nascida no Rio de Janeiro em 1952. Vida curta e uma produção de boa qualidade, confessional, intimista e rigorosa.

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Depois de publicar poemas em revistas e jornais alternativos foi incluída na antologia 26 Poetas Hoje (1976), organizada por Heloísa Buarque, junto com outros nomes da chamada poesia marginal: Chacal, Chico Alvim, Cacaso…

O primeiro livro “A teus pés” (1982) fez parte da antológica coleção “Cantadas Literárias” lançada pela Editora Brasiliense:

SETE CHAVES

Vamos tomar chá das cinco e eu te conto minha
grande história passional, que guardei a sete chaves,
e meu coração bate incompassado entre gaufrettes.
Conta mais essa história, me aconselhas como um
marechal do ar fazendo alegoria. Estou tocada pelo
fogo. Mais um roman à clé?
Eu nem respondo. Não sou dama nem mulher
moderna.
Nem te conheço.
Então:
É daqui que eu tiro versos, desta festa – com
arbítrio silencioso e origem que não confesso -
como quem apaga seus pecados de seda, seus três
monumentos pátrios, e passa o ponto e as luvas.


Ana Cristina César suicidou-se em 1983.

Ainda foram lançados: Inéditos e Dispersos (1985), Nova Seleta (1999 – organizado pelo poeta e amigo Armando Freitas Filho) e Correspondência Incompleta (2000).

Abaixo o vídeo de João Salles, numa versão com pouca qualidade que consegui no youtube.

CONTAINER ART

de seg. a dom., das 10h às 18h30; até 28/11
Parque Villa-Lobos Av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001

Tel: 3023-0316

grátis

http://www.containerart.com.br/


17
Nov
08

Chaka Khan e Brandford Marsalis no Ipiranga

No próximo domingo a cantora de soul/funk Chaka Khan e o saxofonista Brandford Marsalis se apresentarão no Parque da Independência localizado no Ipiranga em mais um show do projeto Telefônica Open Jazz.

Os dois farão shows separados e em algum momento ainda não previsto se juntarão no palco.

E a terceira edição do projeto, que em 2007 trouxe Diana Krall e em maio passado Maci Gray e Herbie Hancock.

Dia 23/11 – domingo

15:00 h

Parque da Independência

Avenida Nazaré, S/N

Ipiranga

Grátis

Abaixo Chaka Khan com a banda Rufus nos anos 70 e Brandford Marsalis tocando Dienda.


14
Nov
08

Slade: Barulho e Diversão

Se eu fosse perguntar para minha mãe qual banda que ela mais odiou quando eu  rolava  os velhos vinis na vitrola Gründing e depois no som bichado da CCE na minha infância/adolescência sem dúvida seria: Slade.

E já vão longe as tardes pós-escola quando eu chegava e colocava pra tocar em volume insuportável o álbum de capa vermelha,  Slade Alive!.

Ele começa suave com a música do Alvin Lee “Hear me Calling” que já no final aponta a barulheira que virá pelas faixas com “In Like Shot From My Gun”. Uma parada para a balada de John Sebastian (do Lovin’ Sponfull) Darling Be Home Soon, onde o vocalista Noddy Holder surpreende a todos com um arroto extemporâneo, finalizando o lado uma música retirada de um compacto “Know Who You Are”.

No lado B do albúm explode a pauleira de “Keep on Rocking”, “Get Down and Get with It” e no final uma das mais bacanas versões da malhada Born to Be Wild do Steppenwolf.

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O Slade veio de Wolverhampton, Inglaterra,  depois de uma confusa mascara skinhead no início,  com o auxílio do ex-Animals Chas Chandler na produção mergulhou de vez na cena glam-rock dos anos 70.

Com roupas brilhante, botas extravagantes emplacaram vários singles nas paradas e nas rádios:  Coz I Luv, Gudbuy T’ Jane, Mamma We’re Crazy Now, C’mon Feel The Noyze, Far Far Away, Merry Xmas Everybody…

O Slade teve e ainda tem milhões de fãs pelo mundo. Eram assim: odiados pelos críticos e amados pela rapaziada. Os caras eram feios e desajeitados no sucesso, mas emplacavam hits.

O rei da critica musical pastiche brasileira nos anos 80, Pepe Escobar, certa vez os chamou de mijo de rato da cena glitter. Onde esta Pepe Escobar, sumiu, né? O Slade continua popular e bom de vendas.

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Voltando á biografia do escriba: era divertido correr os sebos do centrão de sampa para procurar os albúns da banda: Sladest; Slayed; Old, New, Borrowed and Blue; In Flame; Nobbody’s Fool; Whatever Happened to Slade; Alive 2…

Noddy Holder esgoelando e clonando os cantores de blues e rock and roll com bastante volume, alguns enxergam semelhanças no seu jeito de cantar com Screaming Lord Sutch, cantor inglês dos anos 60.  Jim Lea emprestando algum brilho no baixo, teclados e arranjos.  Dave Hill usando todos os clichês possíveis e imagináveis na guitarra, ainda assim com riffs geniais. Don Powell na batera, um Ringo mais etílico.

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Fãs dos caras: Dee e Joe Ramone, Kurt Cobain, Lemmy Killmister (Motorhead), Andy Taylor (Duran Duran), Noel Galagher (Oasis) e tantos outros.

Eles caprichavam no inglês proletário, linguagem das ruas, cantavam como os fãs falavam, ficaram ricos e populares. Quando vemos os clipes antigos e imagens de shows,  podemos observar a banda se divertindo, coisa rara no rock onde sucesso, glória e tédio se confundem.

No final dos anos 70 a avalanche punk fez o Slade parar, eles voltaram em 1980 numa apresentação do Reading Festival. Renascia mais pesada a banda glitter. Lançaram em 1982 o álbum Till Deaf do Us Apart e seguiram carreira ate início da década de 1990,  onde houve a definitiva (?!?)  separação.

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Dave Hill e Don Powell prosseguem com o Slade 2 tocando pela Europa, Jim Lea grava de vem em quando e  terminou a faculdade de psicologia, Noddy Holder, a voz/alma do Slade tem um programa de rádio, faz teatro e as vezes programas de televisão.

Slade é a minha banda preferida até hoje. Os vinis estão jogados em algum lugar da casa, mas não sairão daqui.

So cum on feel the noize
Girls grab the boys
We get wild, wild, wild,
At your door

Para baixar : The Best of Slade:

http://rapidshare.com/files/20315171/Bezt_SL_ade.part1.rar
http://rapidshare.com/files/20297520/Bezt_SL_ade.part2.rar

06
Nov
08

O china folgado falando do seu compadre negão

Abro espaço no blog para o meu camarada Liu Say Iam, residente numa maison no litoral paulista, tradutor de legendas de filmes de Kung Fú, sociólogo, ceramista e principalmente um cara bacana.

Fã de música convincente, o china folgado escreveu essa homenagem à James Brown logo depois do passamento do rei do soul.

Ah, já ia esquecendo, o Liu acabou de lançar um livro: Segredo da China, confira nesse endereço:

http://macunaimanews.blogspot.com/2008/10/segredo-da-china.html

Dedico este post ao meu brother Nino Brown, presidente do fã clube James Brown Brasil, representante da Zulu Nation Brasil e admirador de soul music.

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Tardiamente publico as palavras do china escriba, antes tarde…


Um negão folgado


Por Liu Say Iam


Sempre dentro do princípio de celebrar os descerebrados seresteiros do apocalipse, lá vai um exemplar perfeito de maluco-beleza-doidão-irresponsável, cheio de aptidão pra se meter em rolos com polícia, mulherada, colegas, imprensa e consigo mesmo.

Em tempos de Pelé e Condoleeza, dá gosto termos visto um negão folgado que nunca quis ser exemplo pra criancinhas, nem pra própria raça. Ao contrário, viveu e morreu feito o desvairado que era, saco de pancada de burocratas analistas do comportamento.

Gauche involuntário, às feições de Muhamad Ali, Charlie Parker, Mike Tyson ou Diego Armando Maradona, a figura chamada James Brown foi persona non grata nos salões da vida pública, atirando pelo ralo milhões, mulherões e mansões, que auferia com facilidade igual com que detonava.

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Nasceu em Barnwell, aos 3 de maio de 1933, o mano, no estado de Carolina do Sul (primeiro estado norte-americano a se rebelar contra Lincoln e iniciar os Estados Confederados que levariam à Guerra da Secessão), no auge da recessão econômica e em meio rural com fazendas de algodão e tabaco, onde negro valia um pouco menos que piolho de cachorro.

Daí que se imagina: o cara ou pira, ou vira marginal barra-pesada, ou preacher da comunidade negra. Pois o nosso “herói” incorporou as 3 coisas, com o agravante de trazer nas veias o vírus do swing, misterioso dom de integrar-se aos fluidos rítmicos da natureza, como se os sugasse do chão, da terra agreste onde se intercomunicam África, Américas, Europa, Ásia e Oceania.

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É fácil deduzir que cedo começou a freqüentar reformatórios e canas pelos arredores da costa sudeste por não ter saco pra colher algodão, passar graxa em sapato de bacana, nem figurino pra balconista ou coroinha. O que neguinho enjeitado e ferrado faz em situações tais (além de roubar)? Tenta as carreiras de boxeador, jogador de beisebol, futebol, ou qualquer outra atividade que lhe abra frestas de esperança para um futuro cheio de grana, birita e gatas; porque caras assim não têm paciência de esperar, bater cartão, carregar madeira em obra ou dormentes em ferrovia. São caras iluminados por alguma coisa que só eles entendem, e ou descobrem a que vieram ou se acabam nas beiras de estrada ou nas sarjetas de cidade.

James Brown sobreviveu, apesar de perna-de-pau nos esportes, ex-trombadão e pinguço em tempo integral. O que o salvou é o que vem salvando transgressores, bandidos, anti-sociais e psicopatas, no decorrer da história: the sound of music. O cara tinha música por herança genética, dança por atavismo e ritmo por privilégio orgânico. Um animal musical, monstro dançante.

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Tipo desse cai de pára-quedas numa das incontáveis igrejinhas protestante de negões no interiozão sulista, em meio a farms, barns e bars, daqueles pregadores com voz de trovão e coral mandando ver gospel como se estivesse num palco de vaudeville, ou seja, cultos a Deus cheios de molho, ritmo e balanço. Aquilo, mais do que o sagrado verbo, deve ter escancarado a porta secreta da alma do moleque transgressor, explodindo por soltar todos os santos e demônios.

Dali partiu pro gospel e, estando sempre cheio de olheiros, ou ouvidores, as igrejas e clubes do pedaço, deve ter sido fisgado por um caça-talentos de sorte e encaminhado aos botecos à beira do rio, onde sem dúvida a voz poderosa e a originalidade logo fizeram dele atração, chamando a atenção dos empresários e produtores, naqueles tempos áureos de massificação fonográfica.

Note-se que no mesmo entorno geográfica, e quase à mesma época, explodiram fenômenos musicais com a força de, por exemplo, Elvis, Little Richard, Chucky Nerry, Lerry Lee Lewis, Johnny Cash (Bob Dylan viria logo depois) e tantos outros, todos de ascensão meteórica, infância problemática, desajuste social e ligados, de uma forma ou outra, às batidas de raiz negra e “caipira”: gospel, spiritual, soul, blue, jazz e folk.

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Em 1950, já com banda montada e carreira profissional, passou a bagunçar os palcos com apresentações encharcadas de swing, virtuosismo e alta voltagem erótica. Grava um primeiro compacto em 1956, emplacando seu primeiro hit “Please, Please Please”; mas veio a explodir definitivamente na década de 60, ao definir sua persona artística, dançando feito um deus pagão dentro de roupas espalhafatosas e soltando um vozeirão tão irresistível quanto versátil, pontuado por graves, agudos, berros, gritos e sussurros.

Virou a fera incontrolável com o qual o público estranhava, mas delirava. Foi a década em que gerou as definitivas “I Feel Good”, “Papa is Gotta New Bag” e “Say it Loud: I’m Black and I’m Proud”, dos maiores clássicos soul, estilo negão, carregado, malandro, balançado e erótico. Impossível ouvir parado, quieto, indiferente.

O homem foi precursor. Suas desmunhecadas e safadezas fizeram a cabeça de futuros ícones. Seguidores confessos são Michael Jackson, David Bowie, Mick Jagger, Tina Turner, Madonna, entre outros, além de mobilizar a black music nossa, através de gente como Benjor, Tim Maia, Simonal, Gil, Tony Tornado, até a galera atual do funk, hip hop, rap, dance e outras modalidades afro. Tudo isso fez James Brown, enquanto aprontava rolos contra empresários e contra a própria banda, afora internamentos em clínicas de desintoxicação, sumiços misteriosos e retornos em alto estilo. Enquanto pôde subir rebocado num palco, nunca deixou de brilhar, honrando o apelido, que ganhou devido a uma canção sua: “Sex Machine”.

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Foi encardido a ponto de bater as botas logo na noite de Natal de 2006, só pra encher o saco de médicos, enfermeiros, papa-defuntos, amigos e parentes. Morreu por conta de seqüelas de uma pneumonia, mas muito mais pelos excessos que cometeu a vida toda. Vai saber como durou tanto!

De qualquer modo: arruaceiro pra alguns, safado pra outros, obsceno pra muitos, neurótico pra maioria, foi, para todos, gênio. Alguém que deixou uma larga avenida a ser seguida, e cuja influência vai durar ainda muito tempo.

Só resta socar os punhos dos manos, botar “I Feel Good” a todo volume e tentar uma rebolada secreta, agradecendo: “Valeu, negão folgado”!

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Valeu, Liu!!




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