Confesso para vocês que escrever esse post foi dificil para mim. Desde moleque eu fui daqueles caras que procuravam na música, algo mais que o prazer de só ouvir. Gostava (gosto) de conhecer músicas e histórias diferentes, de descobrir coisas, bandas, artistas obscuros. Quando você é mais novo isso se torna até uma maneira de afirmação, de destaque, de tentar fugir do óbvio, de se destacar na multidão de incógnitos. É ilusão, mas diverte.
Tudo isso para falar que hoje, apesar de uma vida de resistência, eu confesso que admiro um músico, que nem de longe, precisa de qualquer concessão da minha admiração para ser o que é pra tantas pessoas: Raul Seixas. Eu pouco ouço Raul, mas durante a vida, direta ou indiretamente, já ouvi todos os discos do baiano. Não há como ignorá-lo.
Em algum momento explodiu na cabeça do jovem Raul Seixas o impacto do rock and roll, e ele transformou isso na sua vida, como músico, como produtor, como artista. O fato é que ele jamais esqueceu que morava no Brasil, e nunca deixou de ser um músico e artista extremamente urbano e antenado. Em sua música tem ecos do brega, do forró, baião e da música, de fato, popular. Raul Seixas nunca fez força ou marketing para penetrar no imaginário do povo. Ele realmente tava lá, rs. Essa falta de limites, fez com ele adiantasse várias misturas, que de forma equivocada, foram anunciadas e incensadas como pioneiras, muito depois do cara tê-las feito.
O misticismo, a comicidade, o lado até gaiato por vezes, a rebeldia (de fato), colocam Raul Seixas em um lugar muito específico da historia do rock brasileiro. O fanatismo de seus seguidores, chega a irritar, muitos levam ao extremo algumas coisas que o raulzito dizia apenas para confundir. Mas é diferente com outros ídolos da música?
Eu trabalho em biblioteca pública. Nas idas e vindas de projetos de leitura, tenho oportunidade de conhecer muita gente de perfis completamente diferentes, dificilmente alguém ignora a obra do baiano. Sempre há uma citação de uma canção que seja, e de gente muito diferente entre si. Você entra em boteco e lá está um fulano curtindo uma fossa com A Maçã, se um guri ouve Plunct, Plact Zum, já se identifica de pronto, os místicos com Gita … e por aí vai. Gostemos ou não!
Que bacana poder falar isso, aos quarenta e dois anos, e me redimir de tanta bobagem que disse por aí a respeito desse artista realmente popular. Viveu e morreu de excessos, e deixou uma obra respeitável. Valeu, Raul dos Santos Seixas, eu também sempre fui muito reclamão.
Toca, Raul!

