Em 1973 eu escolhi a Associação Portuguesa de Desportos pra torcer. Naquele tempo tinha Badeco, Enéas, Dicá, Wilsinho. Era um timão, eu era um menino sonhador e marrento.

A Lusa me deu pequenas alegrias e um punhado de desgostos que me ensinaram a valorizar as primeiras. Foi uma escolha.

Hoje a Lusa, que hoje está quase extinta, resultado de uma série de absurdos das bizarras direções que ali passaram, completou 99 anos. Quase centenária. Ironicamente, eu amanheci com uma inflamação no joelho e tô andando com dificuldade, logo logo, é médico e essas chatices.

No fundo, acho que é um jeito de comemorar da forma que a vida deixa, o aniversário do meu time barroco. De novo assim, exaltando as alegrias miúdas e sabendo que somos o fruto das nossas decisões e escolhas. Às vezes dói, às vezes floresce e há sempre a possibilidade de renascer.

Vai Lusa, vai ser gauche na vida.

PT: a foto é do ano passado, quando eu achei na casa da minha mãe, esse gorro que é da campanha de 1996, momento em que a Lusa foi vice campeã do Brasileirão.

– Logo no domingo tem que vir esse frio lascado??

– Ainda bem que o Minhocão tá livre hoje e dá pra atravessar rápido.

É dia de frio e nesses o povo fica mais junto, coloca toda a roupa que pode e toda roupa que têm.

As noites são mais longas. É mais difícil dormir, o vento assovia fininho e dói no corpo. O povo de rua.

O grupo anda firme e rápido em direção ao Largo Padre Péricles. Duas carroças, três cachorros e aquele povo junto pra esquentar e esquecer.

São 10 horas nesse domingo frio, muito frio, na cidade de São Paulo. Cidade que é de muito poucos, mas onde muitos insistem em sobreviver.

Eu narro tudo isso na proteção do além vidro, do sexto andar.

Dá um pouco de alento de ver aquelas pessoas tão juntas, dá muita tristeza em saber que elas estão tão separadas dessa cidade injusta.

O intervalo do trem deu espaço para poucas palavras. Nos braços um saco esbranquiçado, cheio de cheetos genéricos.

– Você volta hoje?

A moça perguntou ao rapaz que naquele instante apenas contava o tempo do intervalo do trem.

Ela não esperava resposta e ele ficou calado.

A noite fria na Estação Princesa Leopoldina dava vazão à perguntas tristes sem respostas.

– Um é dois, três é cinco, olha o salgado…olha o salgado.

A porta do trem abriu, o rapaz seguiu com a cantilena. A moça ficou sem resposta no banco da estação.

O que me sobrou foi o frio dessa noite, o cheiro de cheetos genérico e esse enredo na cabeça.

Tenho pensado muito sobre o como a música afetou a minha história.

Os momentos relevantes de nossa vida são marcados por lugares, cheiros, frases, os olhares que criamos sobre as pessoas e os fatos.

Em geral a música entra como um pano de fundo, como complemento ao núcleo central de nossas histórias. No que sinto, posso dizer que muitas vezes ela saiu do papel de pano de fundo, entrou na cena como protagonista, acendeu e apagou as velas das decisões.

A serenidade do tempo transforma ruSgas antigas em coisas engraçadas. O que é conflito, desavença, volta traduzido na sensação de que ” foi bom enquanto durou”.

Há uma história dentro da minha história musical que me parece determinante.

Minha mãe, Conceição Queiroz Pinheiro, nasceu em Coração de Jesus, norte de Minas de Gerais em 07 de Setembro de 1930. Neville John Holder, nasceu em Staffordshire, Inglaterra, no dia 15 de Junho de 1946.

A história desses dois se juntará no futuro do pretérito.

Sou o terceiro filho do casal Geraldo e Conceição. Sonia, primeira irmã, nasceu em 1956; o irmão do meio, Davi, nasceu em 1958.

Demorou e eu cheguei em 1966, o temporão, o raspa do tacho. O caçula sempre vem para estragar a festa. Era tudo perfeito: casal de filhos, menino e menina, economicamente adequado para casal de proletários. Cheguei e baguncei tudo.

Nasci no swinging ano de 1966, deu rock e não demorou. Aos dez anos, vieram Beatles e as paradas pop das rádios Difusora e Excelsior, as coletâneas pop que meu pai ganhava de brinde na Odeon.

Aos poucos a coisa foi ficando pesada. Uma forçada no orçamento e o velho aparelho Grunding foi substituído por um conjunto de som CCE, com caixas grandes, ruim pra dedéu.

Foi o suficiente para começar o barulho na casa.

Logo vieram Led Zeppelin, Grand Funk, Sweet, Status Quo, Foghat, Nazareth, Deep Purple, Black Sabbath e a estrela da casa, Slade, sempre Slade. O barulho infernal que a Dona Conceição teve que enfrentar na casa durante uma parte da minha infância e a adolescência toda.

Slade foi a banda que escolhi, a preferida, a mais ouvida, a cultuada, a descoberta rebelde. Era assim nos anos 70, era assim na classe média baixa, a música reinava como um bom remédio. Pouco dinheiro, poucos discos, aparelho de som ruim. Mas o que era exíguo, nós completávamos com imaginação e sonhos.

Nessa época eram raros os programas na tv com imagem e som de bandas estrangeiras. Não havia ainda videoclipe na TV e estávamos há milênios das informações na web. Demorei anos para ouvir literalmente álbuns dos quais só tinha ouvido falar; foi assim que aprendi a imaginar e valorizar aquelas réstias de informação da indústria cultural.

Mas esse texto não é sobre mim propriamente. É sobre Dona Conceição, minha mãe e Noddy Holder, o vocalista do Slade, banda de WolverHampton, norte da Inglaterra. Rock glam e pauleira, a banda que me capturou exatamente pelo barulho.

Vamos lá!!

Noddy Holder começou a participar de bandas aos 13 anos, mas efetivamente gravou algo em 1964 com o Steve Brett & The Mavericks. Mas foi em 1966 que o baterista Don Powell, que tocava numa banda chamada N’Beetweens, convidou Noddy para montar uma banda. O N’Beetweens já contava com Dave Hill na guitarra e Jim Lea no baixo/teclado/violino. Daí surgiu o Ambrose Slade, que se tornaria, anos depois, o Slade.

A família Queiroz Pinheiro estava satisfeita com os dois filhos Davi e Sonia. Era perfeito, um casal apenas, para uma família pobre. A mãe, costureira. O pai, operário da fábrica de discos Odeon, aqui em São Bernardo. Uma noite qualquer de 1965 quebrou essa harmonia. Em julho de 1966 nascia o Ricardo.
O ano de 1966 marcou o encontro de Dona Conceição com Noddy Holder: nascíamos eu e o Slade.

Essa afinidade eletiva gerou muitos contratempos na casa da Rua Ipiranga, na Vila São João. A Dona Conceição, que havia encontrado o Noddy Holder já em 1966, mesmo sem saber, odiava o gutural vocalista inglês. Brigas pelo volume, pela voz esganiçada e pela tremedeira que causava na casa toda.

Play it Loud, Mama.

Foi uma batalha geracional boa de viver.

Até hoje, minha mãe ri quando relembro essas histórias.Ela nunca vai esquecer daquele gordinho chato dançando pela casa com a vassoura, clone de guitarra.

Ela nunca vai esquecer daquele disco de capa vermelha, um dos primeiros que comprei na vida, o Slade Alive, nem o nome dessa banda. Tudo isso se transformou no nosso patrimônio, a historia escrita por diversas mãos.

Não há mais aquele quarto, nem o velho conjunto de som da CCE, o barulho das tardes mudou, mas os ecos intensos daqueles dias permaneceram.

Hoje, nessa manhã qualquer de 2019, agradeço por essa lembrança, agradeço por todo barulho ouvido que abriu a minha cabeça para outros barulhos sutis e diversos silêncios emocionantes.

Agradeço à Conceição Queiroz Pinheiro, à John Neville Holder, ao ano de 1966, e a essa vida de barulhos acumulados.

Keep on Rockin, Dona Conceição.

Slade sempre Slade.

Eu cresci na São Bernardo nos anos 69/70.

No bairro em que nasci ainda havia aquela mistura de classes, característica da organização urbana gerada pela boom da industrialização.

Na verdade, era uma desorganização que colocava o menino de classe média na mesma escola pública do menino pobre, o rico ruim de bola jogando no mesmo campinho de terra em que o pobre era o craque.

Tinha de tudo, negros, brancos, nisseis, paulistas, sulistas, nordestinos e outros, mas não era uma democracia racial, nem todo mundo era respeitoso com as diferenças.

Havia galhofa, ofensa, racismo. Nós não sabíamos o nome horrível disso, mas sabíamos e praticavamos a crueldade.

Nesse mundo, duro mundo das misturas em disputa, todo mundo que vinha do Nordeste, também do Norte, era rotulado de baiano.

Todos os diferentes eram baianos, baiano era o outro. Apesar de pernambucanos, cearenses, paraibanos e alagoanos, eram impingidos baianos.

Minha geração passou anos nessa ignorância e falta de respeito, alguns anacrônicos vivem nessa até hoje.

É com imensa abjeção que constatamos que o Presidente da República eleito em 2018 é um desses anacrônicos.

É uma vergonha constatar que esse sujeito, que é paulista, mas que cresceu vegetativamente no Rio de Janeiro, usa o termo paraíba para nomear todos nordestinos.

É um homem de um tempo que já deveria ter sido extinto, mas que insiste em matar o tempo dos outros. É um mundo triste, o mundo que esse senhor habita.

Ele, Jair Messias, está cumprindo rigorosamente a promessa de levar o país de volta aos anos 70 do século passado.

O Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de São Paulo – conjunto de conceitos, diretrizes, objetivos e metas que balizam as políticas públicas do livro e leitura na cidade- possui um nome longo e isso não foi à toa.

Sua construção, no período de 2012 a 2016, abrangeu os diversos setores atuantes do livro e leitura. Seria simples apontar o plano apenas como o do “livro e leitura” e desejar que isso contemplasse todos os segmentos, mas a afirmação desses nomes na sigla não foi apenas uma questão formal.

Na composição “PMLLLB” fica clara e está incluída a presença, a disputa e a afirmação dos mediadores de leitura e informação, editores, gestores, profissionais e militantes e, em especial, dos leitores da cidade.

O objeto livro e a leitura como ação interdependem desses profissionais, militantes e de todas as pessoas que fazem valer o direito à escrita, à leitura e ao acesso à informação.

Nunca é demais reafirmar que a novidade trazida pelo PMLLLB no seu processo de construção (2012-2016) foi a participação popular, participação essa que se configurou complexa e diversa.

O Plano, que se transformou em lei em dezembro de 2015, nasceu marcado pela legitimidade do diálogo, da descentralização e sob a marca das contradições históricas, das reivindicações, dos pontos de intersecção e das relações entre os segmentos que atuaram em seu processo de construção.

As demandas das bibliotecas comunitárias e públicas; os parâmetros para a composição de uma política de formação de acervo público; a integração das unidades de informação públicas e privadas; o estímulo para o setor produtivo (editores e livreiros); a ação e a formação de mediadores; o estímulo à escrita e produção literária; a dinâmica contra- hegemônica da literatura periférica e dos saraus; o leitor comum e a valorização do livro e da leitura para além dos seus fetiches consumistas estão expressos na lei aprovada.

Porém, há uma face pragmática que deve ser contemplada: Uma lei deve ser cumprida.

Para tanto, com as devidas mediações e adaptações, a lei do Plano deve ser a norteadora das ações, projetos e programas das Secretarias (Educação e Cultura) relacionadas aos princípios, objetivos, diretrizes e metas do PMLLLB.

Para deixar claro porque, como e onde estamos em relação ao PMLLLB, é preciso entender o que aconteceu no seu período histórico mais recente, a partir de sua aprovação, no mês de Novembro de 2015, em votação unânime na Câmara Municipal e com a sanção pelo então Prefeito Fernando Haddad, de dezembro do mesmo ano até o presente momento.

No ano de 2016 foi eleito um conselho tripartite (Executivo, Legislativo e Sociedade Civil) para monitorar e tentar garantir o cumprimento dos objetivos, diretrizes e metas contidas no PMLLLB. Aqui, a dimensão da participação está novamente explicitada. Por parte do Executivo e do Legislativo, os representantes desse Conselho foram nomeados pelas Secretarias afetas e pela Presidência da Câmara. Os componentes da sociedade foram eleitos de forma direta, em um pleito realizado no dia 04/12/2016, na histórica Biblioteca Monteiro Lobato da Vila Buarque.

A eleição direta dos representantes da sociedade civil para o Conselho do PMLLLB não foi um mero detalhe, um penduricalho, um adereço democratista da lei aprovada. Eleição direta representa a continuidade da participação popular e uma maior possibilidade de pressão da sociedade para um cumprimento de leis e pactos. A representação da sociedade no Conselho, nada mais é do que a continuidade do papel que a participação popular cumpriu no processo de construção do PMLLLB.

No ano de 2017, João Dória assumiu a prefeitura de São Paulo, após vencer Fernando Haddad. Eleito, Dória indica o cineasta e produtor cultural, André Sturm para a Secretaria de Cultura. Logo no começo da gestão Dória/Sturm tive a oportunidade de participar de uma reunião solicitada pelo Vereador Antonio Donato (PT), que envolveu membros do Conselho do PMLLLB e o Secretário Sturm. Nessa reunião, o Secretário fez questão de frisar que o PMLLLB não seria o parâmetro de orientação de seu programa para o livro e leitura e que o Conselho eleito não seria considerado como instância legítima de monitoramento e fiscalização de sua gestão.

Para mostrar coerência e o tom do seu perfil autoritário, o Secretário ignorou completamente o Plano, que é uma lei, e o Conselho, que é a consubstanciação da face popular dessa lei.

Através de um decreto, a Gestão Dória/Sturm extinguiu o Conselho do PMLLLB, que apesar de eleito em voto aberto, foi chamado de “conluio de amigos” pelo Secretário. Foi então nomeado um “Conselho de Notáveis”, escolhido monocraticamente pelo próprio Sturm. No vernáculo sturmiano ficou demasiadamente sutil a diferença entre conluio e notável.

Em São Paulo, a extinção do Conselho extirpou da lei a sua essência. Em ambientes democráticos, a relação Plano/Conselho é fundamental. Em ambientes autoritários, transforma-se em detalhe insignificante, motivo de galhofa ou empecilho.

É preciso insistir na equação que junta o PMLLLB (ou qualquer plano voltado às políticas públicas) a um Conselho, sobretudo se a construção desse plano teve a participação popular como norte.

A propalada pós-política ou nova política, que defende coisas como democracia sem povo, voto sem lastro, partidos fracos e, por que não, planos sem conselho é, na verdade, um eufemismo para negação da política, se valendo do pior que a política pode trazer. Trata-se de uma armadilha na qual as palavras antipolítica, neutralidade e isenção são a pá de cal na democracia representativa e o mote de entrada para os diversos autoritarismos.

Seguindo na história, em janeiro de 2019, já com o sucessor de João Dória – seu vice Bruno Covas – no comando da Prefeitura, André Sturm foi demitido e quem assumiu a Secretaria de Cultura do Município de São Paulo foi o produtor cultural Alexandre Youssef.

O novo Secretário começou sua gestão tentando reconstituir as pontes, derrubadas pelo seu antecessor, com os diversos segmentos artísticos e com os coletivos culturais da sociedade.

No setor do livro e leitura o Secretário realizou encontros com os coletivos de saraus escritores e, em maio último, houve uma breve reunião na Biblioteca Mário de Andrade, da qual participei como membro do Conselho extinto. A principal reivindicação dos participantes foi a devida reconstituição do Conselho, tal como consta na Lei do PMLLLB, que foi, ao menos verbalmente, acatada por Youssef.

Ás vésperas do quarto aniversario do PMLLLB, em dezembro próximo, São Paulo segue aguardando a restauração do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca e a eleição aberta e direta do Conselho. Uma boa oportunidade para reafirmarmos os valores democráticos como um importante contraponto a esse período de destruição e ameaças à legalidade.

Seguimos…

Sábado, dia 06 de julho, uma das noites mais frias nos últimos anos em São Paulo.

Foi nessa noite fria que Thiago, um motoboy que prestava serviço para o Rappi, morreu vitimado por AVC, ao entregar uma garrafa de vinho num prédio em Perdizes.

Por mais que eufemismos sejam utilizados, a precarização do trabalho foi a causa mortis. Os serviços uberizados de entrega de alimentos usam somente um critério tanto para os clientes, como para os seus funcionários: a rapidez.

O mesmo critério é utilizado tanto para quem digita um celular e faz um pedido, como para quem tem que enfrentar asfaltos esburacados, trânsito caótico, frio, chuva, a violência da cidade. Tudo se resume a um produto dentro de uma caixa e um saquinho plástico. amarrado.

Legiões de jovens correm a cidade em motos, bikes, a pé, tentando superar o tempo do seu tempo para fazer mais entregas.

Rappi, UberEats, Glovo, etc, etc, monitoram remotamente essa massa de gente que leva comida pra poder comer, em algum momento, um quinto do que levam.

Um trecho da reportagem da Folha que relata a morte de Thiago é um sintoma inequívoco do malabarismo retórico utilizado pelos funcionários do neoliberalismo:

“A história do entregador engrossa a estatística decorrente dos obstáculos aos quais estão submetidos os paulistanos que necessitam de atendimento público de saúde na maior cidade do Brasil. É também um retrato das relações atuais de trabalho.”

É patente a denúncia da péssima qualidade dos serviços de emergência. O parágrafo destaca a omissão do serviço público e coloca o ” retrato das relações atuais de trabalho” como um complemento, um detalhe. Não há uma relação entre as partes?

A relação entre o público e o privado se pasteuriza e a intenção é criticar parcialmente o primeiro e relativizar a responsabilidade do segundo. O Leviatã sempre visto como um mal em si.

A demora do SAMU, produto da precarização dos serviços de saúde na cidade, não está intimamente ligada aos mesmos interesses privados que colocaram Thiago em cima de uma moto, numa noite gelada, tentando superar os seus limites físicos e psicológicos, para entregar um produto em nome de um patrão invisível, que não lhe proporciona a mínima condição e proteção de trabalho?

O self made man precarizado é um agente direto, e na maioria das vezes inconsciente, do sequestro do Estado operado por quem acumula poder e dinheiro. O acumulador que invariavelmente reclama da opressão do Estado, é aquele que o toma pra si.

No fundo, quem retira o SAMU e os paramédicos das ruas sao os Rappis e os Ubers da vida, ainda que seus explorados dependam dos primeiros. Essa relação não é um mero detalhe, é um fundamento.

O motoboy Thiago foi embora na noite fria de SP. No seu lugar, centenas de motos, bikes e corpos alimentam a fome do outro nesse momento.

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