“Kerouac – Beat Bebop e o toque de Júlio Barroso”


O escritor norte americano Jac Jean-Louis Lóbris de Kerouack (Jack Kerouack), nasceu em Lowell, Massachusetts em 12/03/1928 e morreu em  St. Petersburg, Flórida em  21/10/1969, foi ao lado de Allen Ginsberg e William Burroughs, um dos principais nomes da literatura beat.

Escreveu mais de 12 romances, ficando famoso com a publicação de On the Road (Pé na Estrada), em 1957, produto de uma viagem por sete anos pelos EUA com o amigo Neal Cassady.

Pé na Estrada: narração direta, alucinada, incansável, apelidada de prosódia bop, analogia ao jazz bebop, estilo muito caro aos beatnicks. A fala incensante.

Nesse livro, ele dá o tom, o sentido, a “batida” certa na existência de sua geração, desenho e base para os desdobramentos da contracultura.

Mas isso é reducionismo, On the Road tem que ser lido e curtido. E cada qual faz a estrada e reconstitui suas paradas.

Ler a obra e ler sobre depois, melhor pedida.

Outras de suas obras importantes são o livro de poemas Mexico City Blues, de 1959, e o romance Big Sur, de 1962. Nos ultimos anos de sua vida Jack se isolou e teve problemas com alcool, se entregou a um ostracismo, fim da estrada, analogia pobre, mas apropriada.

Hoje faz 39 anos que Jack Kerouac foi embora.

Aproveito a oportunidade para lembrar Júlio Barroso, jornalista, dj, dublê de cantor, compositor e, principalmente, uma antena ligada no mundo.

Júlio liderou o banda Gang 90, e em 1983, lançou o disco Gang 90 e as Absurdetes. Faz parte do álbum a canção Jack Kerouac escrita em parceria com Alice Pink Pank.

Julio Barroso não teve tempo pra ostracismo, morreu jovem, aos 30 anos, caiu da janela do seu apartamento em Sampa. Nada muito explicado, acidente ou um voo incerto. Fim da estrada.

Talvez a comparação de Júlio com Kerouac, nem seja a mais perfeita. Porém, não existe nada mais beat que Julio Barroso, foi onde quis e realizou uma obra curta e certeira.

Não dá explicar Keroauck, nem Júlio Barroso num post ligeiro, bacana é ir atrás, ler, ouvir e construir nosso próprio retrato dos caras, aqui fragmentos:

Jack Kerouac

Alice Pink Pank/Julio Barroso

Ontem a noite eu sonhei
que eu era Jack Kerouac
E subi num terraço: rua Houston
E vi as duas torres gêmeas brilhando.

O cabelo louro da menina
As tranças negras do crioulo
A sua guitarrra – a sua angústia calma.

Eu desci
Peguei a minha lata de spray
Sai pela rua, pintei dois olhos verdes nas paredes.

Ontem a noite eu sonhei
que conversava com Jack Kerouac
Ele chegava e me dizia
“Hey Man! eu renasci black
E agora sou um tocador de piston!”
Eu só sei que o som era tão alto que despertou o mundo inteiro
Eu acordei, e saí mandando brasa nas estradas do mundo.

Ei Jack! Bye Bye

Anúncios
7 comentários
  1. Liu Sai Yam disse:

    A célebre Rota 66.
    4000 kms em 2, ou 3, dias?
    Com birita e farra!
    Grande tema!
    Ainda volto.
    Abração, Ricardão!

  2. Olga disse:

    Quando você diz que “On the Road tem que ser lido e curtido”, eu lembrei que levei uns 5 meses para terminar a leitura. Como eu tenho um mapa fantástico dos Estados Unidos, super detalhado, da Enciclopédia Britânica de 1953 (herança do meu pai), eu acompanhei cada cidadezinha citada na rota. Além de ouvir todas as músicas – as que conhecia, as que não conhecia tinha que procurar. Li On the Road quando a Brasiliense reeditou nos anos 80, junto com vários outros autores e poetas beat. Até hoje essa leitura é inesquecível, não só pela vivência dos caras, como também, pela extraordinária trilha sonora que os acompanhavam estrada afora.
    A relação com o Júlio Barroso é perfeita 🙂 Tive todos os discos (vinil) da Gang 90!

  3. Helida Scarpim Wei disse:

    On the road tem em si o resumo de uma época e de uma geração.A master piece!!

  4. Diogo De Nazaré disse:

    Julio Barroso meu rei!

  5. Fernando disse:

    Conheci o Julio Barroso, na sua última fase. Morava bem perto da minha casa em um apart hotel – proxímo a rua Augusta – uma rua penperdicular – preciso ir a São Paulo para lembrar o número do prédio e o nome da rua – este prédio foi transformado anos depois em um cursinho vestibular. Uma tarde, duas tardes, quem sabe algumas manhãs fui visitar o Julio Barroso sempre na companhia de um escritor português chamado Jorge autor de um dicionário de música, rock/pop sei lá o que. A barra esta pesando para o lado do Julio. Muita droga e as Absurdettes, em crise, seus planos para a música falhando. Amigos da imprensa e do meio sumindo. Quando uma noite veio a notícia, estava na livraria Kairos, e o comentário era de que o Julio tinha “voado pela janela do apartamento” – dai falar em acidente é forçar um pouco a biografia do selvagem – só sei que escutando agora as Absurdettes, começo a compreender a entender que a Rita Lee deve muito mais do que se imagina as experiências estéticas musicais do Julio e do seu grupo.

  6. lio fonseca disse:

    acho q o julio barroso merece uma biografia. Lobão, Nelson Motta, guilherme Arantes, Scarlet Moon, Rita lee… muita gente boa poderia se juntar e contar as histórias do Julio para as novas gerações.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: