Scott Walker: das massas à reclusão


O cantor/compositor Scott Walker acaba sendo o favorito de muita gente que gosta de musica obscura, eu não gosto de coisas que fiquem em grupinhos, principalmente coisa boa, nada melhor do que lançar luzes sobre o rapaz. Pelo menos tentar.

Nascido Noel Scott Engel em Ohio, EUA no ano de 1943, Scott Walker deu seus primeiros passos ao sucesso na música formando junto com Gary Leeds e John Maus os Walker Brothers.

Tudo começou na Inglaterra onde os três firmaram contrato com a Philips e assim conseguiram ficar famosos na terra natal.

Além de não serem irmãos, eles não eram ingleses e foram enquadrados na British Invansion ( bandas inglesas que tomaram os EUA em meados da década de 60), o grupo foi formado em Londres e entrou no embalo, as baladas com belos arranjos orquestrais e a voz personalissima de Scott davam o tom.

Os Walker que, de fato, não eram brothers, emplacaram diversos hits (Make It Easy on Yourself, The Sun Ain’t Gonna Shine Anymore)e fizeram fama na seara dos teen idols na primeira metade da década de 1960.

Em 1967, Scott partiu para a carreira solo e lançou Scott Walker 1, o primeiro disco traria alguns ecos dos Walkers, mas a influência do cantor e compositor francês Jacques Brel nas letras e nas melodias (inclusive com alguns covers) serviram para bagunçar ainda mais o coreto. Basta ouvir Mathilde de Brel e Montague Terrace do próprio Walker.

Os quatro primeiros albuns de Walker foram nessa onda, letras tristes e densas falando de temas da barra pesada e marginalidade passando por críticas ao stalinismo, isso tudo ocorria no auge da flower power e da psicodelia.

Os arranjos contribuiam para dar densidade às músicas e colocar Scott numa zona cinzenta e pouco comercial, Bacharach, Previn, Kurt Weill e principalmente Brel foram coverizados por Walker, mas não eram versões contemplativas, existia uma ligação de consanguinidade entre esses clássicos e a forma Walker de criar uma canção.

Walker seguiu lançando albúns, o sucesso e repercussão rareavam e discos como Til the Band Comes In (1970), Moviegoer (1972) onde ele cantava versões de temas dos seus filmes preferidos, Any Day Now (1973) que traz uma surpreendente versão de Maria Bethania composta por Caetano Veloso, acabaram ficando no limbo.

Em 1975 ocorreria uma breve volta dos Walker Brothers, quando emplacaram um hit chamado No Regrets (música de Tom Rush) e depois de três albuns sumiram novamente, já não diziam tanto. Scott Walker se entregou à uma reclusão de 7 anos.

Da década de 1980 até o momento Scott lançou  três albuns: Climate of Hunter !984), Tilt (1995) e The Drift (2006). Principalmente nos últimos discos vem cada vez mais se afastando do tradicional conceito de canção e dialoga com experimentos da música erudita, mas a voz grave e épica ainda esta por perto.

Walker é um detalhista e perfeccionista, as suas canções e letras refletem isso, talvez o rótulo de obscuro e excêntrico tenha servido bastante a jornalistas preguiçosos, que em geral, não escutam os discos e reproduzem o que foi dito antes. A reclusão de Scott parece mais um recurso para poder se expressar na hora que realmente tem algo a dizer.

Ele fez escolhas e acabou influenciando e sendo reverenciado por muita gente: Bowie, Nick Cave, Brian Eno, Pulp, Cocteau Twins, Goran Brejovic, Associates, Divine Comedy…

Em 2006 o diretor Stephen Kijak lançou o documentário Scott Walker:30 Century Man, co-produzido por David Bowie e ainda não exibido em nossas terras.

Vale a pena saber mais sobre Scott Walker:

http://www.the-drift.net/

Para baixar:

Scott Walker 1 (1967)

http://www.mediafire.com/?d2mzm2yn2jm

Scott Walker 2 (1968)

http://www.mediafire.com/?w4y4lte02jd

Scott Walker 3 (1969)

http://www.megaupload.com/?d=4CUUI60M

Scott Walker 4 (1969)

http://www.mediafire.com/?on8ai8pg0q62bcs




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17 comentários
  1. luzete disse:

    Eu amei. luzete

  2. Ricardo Queiroz Pinheiro disse:

    Bacana Luzete,

    obrigado pela visita…

  3. Márcia disse:

    Ricardo,
    Gostei da maneira como vc escreve.
    bj
    Márcia.

  4. Silvia disse:

    bacana heim!!!
    fiquei doida para conhecer mais este Scott Wlaker….
    beijinhos

  5. sylvia disse:

    Oi Rica!
    Esse blog é sua cara!
    Adorei!
    bj,
    sylvia

  6. Paulo disse:

    Scott Walker é uma maravilha, até o David Bowie copia o estilo vocal dele em algumas musicas. Consegui baixar o Box dele chamado “In 5 Easy Pieces”, com 5 cds.
    O cara é show…

    Abraço!

    Paulo Seminara

  7. Liu Sai Yam disse:

    Grandes informações, bicho!

    Coisas que a beatlemania e jaggermania soterraram.
    Lembro de Blueberry Hill e Walking in the Rain.
    John Maus! De onde você garimpa essas coisas?
    Those were the days, my friend…

  8. Liu Sai Yam disse:

    Ô,

    Fala um pouco de Everly Brothers.
    E Bonnie Morone! John Lee Hooker!

  9. Olga disse:

    Não só o Bowie, como foi citado lá em cima. A dramaticidade do Scott continua inspirando novas gerações – o Antony que o diga!
    Parabéns Ricardo!

  10. Sérgio Pecci disse:

    Ricardo,

    Parabéns pelo ótimo Blog!!!
    Abraços,

  11. Liu Sai Yam disse:

    Dando bandeira em novembro.
    Vai lá!

  12. pi morais disse:

    Oi

    Você é o lado B do meu elepê, obrigada…vou baixar todos.

    um beijo de Curitiba

  13. Malik Zidi disse:

    Poderia comentar um pouco mais sobre as mudanças na sonoridade e forma de escrever dos útlimos álbuns – Climate of Hunter, Tilt e The Drift.

    Também poderia ter comentado sobre a apresentação em forma de tributo intitulada “Tilting and Drifting” com a participação de Damon Albarn e Jarvis Cocker.

    E do álbum homenagem feito pelo Alex Turner com o The Last Shadow Puppets.

  14. Ricardo Queiroz Pinheiro disse:

    Malik,

    realmente não me aprofundei na ultima fase do Scott. Ele, de fato, mudou muito a concepção sonora e as letras nos últimos discos.

    obrigado pela colaboração.

  15. Manfreid disse:

    Sou fã do Pulp e Scott Walker produziu um disco deles. Sempre quis comprar os discos, acho a voz dramática e maravilhosa! Obrigado, consegui encontrar aqui!!!!!!!!!!!

  16. Ricardo Queiroz Pinheiro disse:

    Manfreid,

    internet é isso: interação. Tem gente que não gosta.

    abraços

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