Trakl, o achado


Se pensarmos que a síntese de um dia produz um achado, sejas nas letras, em imagens, em pensamentos ou em ações , viver fica mais fácil. Eis o achado.

Georg Trakl, poeta austríaco de vida curta (1887-1914), destaque entre os poetas expressionistas, destilava seus temas sombrios e desesperados. O poema se explica. Que venha outro dia.

AOS EMUDECIDOS

Oh, a loucura da cidade grande, quando ao entardecer
Árvores atrofiadas fitam inertes ao longo do muro negro
Que o espírito do mal observa com máscara prateada;
A luz, com açoite magnético, expulsa a noite pétrea.
Oh, o repicar perdido dos sinos da tarde.

A puta, em gélidos calafrios, pare uma criança morta.
A cólera de Deus chicoteia enfurecida a fronte do possesso,
Epidemia purpúrea, fome que despedaça olhos verdes.
Oh, o terrífico riso do ouro.

Mas quieta em caverna escura sangra muda a humanidade,
Constrói de duros metais a cabeça redentora.

(tradução: Cláudia Cavalcante)


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2 comentários
  1. Tadeu disse:

    Não tenho sacola pra poesia.
    Eu mesmo faço as minhas e as apago depois.

  2. rof disse:

    ele é bem raro,rilke e ele foram lançados pela Globo.”todo caminho conduz à decadencia negra”

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