A patifaria de uma boa banda.


Todo dia eu me preocupo em não deixar o blog muito saudosista, e ele esta cada vez mais. Paciência, um dia muda. Quero falar de uma banda que me impressionou muito quando eu vi ao vivo, em meados da década de 80, não lembro exato o ano. Era um show no Centro Cultural São Paulo e a frente do palco estava Paulo Barnabé e sua Patife Band.

Para a “turma do rock” o fato de ser irmão de Arrigo Barnabé não dava muitos créditos. Existia uma rusga não tão velada entre roqueiros paulistanos e o povo da “música popular experimental da FFHL/ECA brasileira”, rs, tempos idos. Coisas de uma São Paulo querendo dar pinta de cosmopolita, mas ainda bastante provinciana.  Hoje todo mundo nega essa treta  – no estilo clintoniano “fumamos, mas não tragamos” – deixa pra lá.

Voltando ao show: foi uma bela surpresa, som direto e encorpado e as composições com pitadas de música contemporânea, davam à Patife Band uma distinção em relação às demais bandas da cena paulista. Naquele ano eles lançaram um EP pelo extinto e importante selo Lira Paulistana, que trazia uma versão bacana de Tijolinho (clássico da jovem guarda), esse som chegou a tocar bastante em rádios rock (?!?) da época.

Paulo e Cia faziam no palco a bagunça que toda boa banda influenciada, sem afetação, pelo punk acaba fazendo.  Musica honesta, divertida e com uma vantagem: os caras sabiam tocar. Claro que não vou lembrar o setlist, mas com toda certeza tocaram Poema em Linha Reta, versão dodecapunk sobre os versos de Fernando Pessoa. Uma boa lembrança esse show… ixi…  lá vem o velho saudosismo blá blá, blá…

Depois disso, em 1987, o Patife lançaria um disco pelo WEA (que relançado em 2002 no formato CD) chamado Corredor Polonês. Vale a pena procurar para ouvir Pesadelo, Chapeuzinho Vermelho, Teu Bem ( regravada pela Cassia Eller), Poema em Linha Reta. Passaram pela banda bons músicos da cena rock paulista: André Fonseca (guitarra), James Müller (bateria), Emerson Villani (guitarra)…

Em 2003, a Patife voltou e gravou o disco Ao Vivo, fruto de uma apresentação no Festival DemoSul, em Londrina. Paulo e banda continuam por ai e vocês podem acompanhar o trabalho dos caras através do myspace: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewProfile&friendID=39691398.

Abaixo um clip/entrevista com a música Veneno, produzido pela TramaVirtual, mais abaixo ainda o link para download do disco Corredor Polonês. Abraços!

link para download:  http://rs105.rapidshare.com/files/30015008/patife_band_-_corredor_polon__954_s__wea__1987_.rar

patife-band-p

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4 comentários
  1. Luís disse:

    Cara, por coincidência, semanas atrás, na madrugada, ouvi “Chapeuzinho Vermelho” na BR2000.
    Infelizmente, não estive em nenhum show da banda…

    Abraços!

    • Ricardo Queiroz Pinheiro disse:

      Rapaz,

      você me lembrou algo que faz tempo que eu não pratico: ouvir rádio FM. Nem sei o que toca mais por ai, mas acho muito bacana quando ouvimos essas surpresas em rádio.

      abraços

  2. Val. disse:

    “Nostalgia é a morte” segundo nosso amigo B. Dilan. Será que o homem está certo?
    Bem, foda-se o Dilan! Muito bacana o texto!

    Abraços, brother!

    • Ricardo Queiroz Pinheiro disse:

      Val,

      “Estamos todos deitados na sarjeta, mas alguns conseguem ver as estrelas”

      Oscar Wilde

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