“Gregory Corso”


Gregory Corso nasceu no Lower East Side, New York, no olho do furacão da Grande Depressão, 1930. Aos 16 anos, julgado por roubo, pegaria três anos de cana e foi na cadeia que conheceu uma biblioteca e caiu na sanha da leitura. Sem perder a pegada das ruas, Gregory comporia junto com Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs, o eixo central da movimento beat.

Nos anos 80 as editoras Brasiliense e L&PM despejaram aqui no Brasil várias traduções dos escritores beat. Foi Gasoline & Lady Vestal, reunião dos dois primeiros livros de Gregory Corso, que me pegaram a veia de primeira. Li e reli esse pequeno livro (se não me engano o único de Corso traduzido até hoje nessas plagas), poesia das ruas, do jazz, da barra pesada, da cidade que dissolve, que se reconstrói, sem autocomiseração. Vibrante.

Gregory faleceu em 2001, entre as lembranças e epitetos, os haxixes no Marrocos, as noites de jazz de Nova Iorque, as estradas longas da América, as conversas com os outros beats em bares parisienses, um monte de verdades e tantas criações.

O NOVAIORQUINO

Ele está em Cambridge
E agora bate em minha porta
Ele é o cara de Nova York;
tem olhos enormes de neon
seu olhar despeja
jazz pelo meu chão
Mas ele estava mesmo lá?
Podia ser um rádio,
ou um órgão de fundo
ali alucinado.

Podia ser eu mesmo
me visitando em pleno jazz,
com receio de bater.

DE VISITA AO LUGAR DE NASCIMENTO

De pé na luz fraca da rua escura
olho para minha janela no alto foi lá que nasci.
As luzes estão ecesas; outras pessoas se movimentam ali.
Vestido com capa de chuva, cigarro na boca,
chapéu caído nos olhos, a mão na arma.
Atravesso a rua e entro no prédio.
As latas de lixo não pararam de cheirar mal.
Subo o primeiro lance de escadas: Lóbulos-Sujos
me ameaça com sua faca…
Eu lhe despejo uma torrente de relógios esquecidos.


NAS MINHAS MÃOS ESTA MINHA CIDADE

Nas mãos está minha cidade, minha lira
E em minhas mãos está a pira
E minha mãe ouve Corelli
enquanto minhas mãos estão em chamas

Poemas tirados do livro Gasoline & Lady Vestal, 1985, L&PM, traduções de Eduardo Bueno. Comprado em alguma tarde de andanças pelo centro de sampa, na livraria Brasiliense da Barão de Itapetininga.

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2 comentários
  1. Rafael disse:

    Oi, ja tinha lido alguns poemas de Corso e gostado muito, mas é dificil encontrar, peguei esta edição da L&Pm com os dois livros e ja li umas três vezes, é muito bom, parabéns pelo post.

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