A música que Freire Jr compôs no ano em que meu pai nasceu.


A música entra na vida da gente de vários formas. A rádio trouxe a música pra minha vida de maneira direta e indireta. O meu pai ouve rádio diariamente desde que me entendo por gente. Parte dessa história se inicia em meados da década de 70. O rádio ligado na cozinha e meu pai do lado ouvindo quieto, lendo um livro ou uma revista. Eram programas de música da velha guarda.  Ficava rondando por perto, de tabela, ouvindo junto. Ouvia então pelo ouvir do meu pai. E foi assim insistente e abelhudo que conheci os primeiros sons que marcaram minha vida.

Melodias fortes, cantores influenciados pelo bel canto, valsas, serenatas, modinhas, sambas…tudo vinha de uma maneira incompreensível àquela altura da vida. Eram noites de domingos após a transmissão de futebol e em algumas manhãs que a memória me trai por não localizá-las exatamente na semana. Ali começou a vida da música na minha vida.

E foram ecos que derivaram em outros ecos, o interesse decerto despontou antes, mas ali ele se cristalizou. Falo disso para marcar esta homenagem ao meu pai. Coincidência ou não é domingo, o dia dos Pais. E eu que fui sempre desistimulado a comemorar estas datas, sem pudor aproveito a efeméride e  faço homenagem ao seo Geraldo, que mesmo sem saber (quem sabe?) foi quem desencadeou meu amor pela música.

E para ele vai Malandrinha do Freire Jr, gravada originalmente em 1927  (mesmo ano em que ele nasceu), aqui em versão regravada pelo Martinho da Vila no disco Canta Canta, Minha Gente. É bem provavel que Malandrinha, na versão de Chico Alves, tenha tocado em alguns daqueles velhos programas que hoje passeiam por minha memória.

Valeu Pai!!!

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4 comentários
  1. Sonia disse:

    Que linda homenagem, tenho certeza que o pai vai gostar muito.
    Principalmente porque esta música é linda!!!!
    Foi feliz na escolha e nas lembranças.
    Um beijo

  2. Silvia Horta disse:

    É sempre um prazer ler os seus artigos. Esse então foi especial. A música também me leva a um passado de magia, pois sempre tive uma certa predileção por cantores e cantoras dos anos 30, talvez até mesmo por ter essa memória musical do rádio, tão presente em nossas casas quando éramos crianças.
    Parabéns pelo seu blog, de uma qualidade impecável!

  3. erika disse:

    Ricardo,
    meu pai também nasceu em 27. Mas em 2008 ele partir. Desde então, datas comemorativas têm sido difíceis… O curioso é presenciar o ciclo da vida e enxergar no Dante, meu filho, trejeitos tão do Seo Wilson que me comovem… E assim as lacunas deixadas vão se preenchendo…
    Escreve mais, viu? Sempre vou tepedir isso, você precisa!
    E o Crumb e o Sheldon, foi vê-los?

    • Poxa Erika lamento pela sua perda…é, os vazios se preenchem, o que ficam sao os fragmentos que vão junto com a gente…acho q nao há lugar mais inadequado pra gente como Shelton e Crumb do que a FLIP…Lou Reed se livrou a tempo…bjs pra VC, Dante, Daniel…

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