Vira-latas, “blasés” e espertões.


Citar Nelson Rodrigues já passou de lugar comum, em alguns casos não há como fugir e repetir: sofremos de “síndrome de vira lata”. Não aceitamos ganhar nada sem colocar um senão, estamos sempre atrasados e nossos produtos são “a priori” piores do que o dos outros.

As colheradas de auto-estima da era Lula não bastaram.

Futebol, apesar da grita de uma minoria cada vez mais ruidosa, é um importante aspecto da nossa cultura. Coalhado de pessoas de qualidade duvidosa na direção, com um padrão de qualidade em franca decadência, resiste como nosso esporte de massas. Acredito não haver  dúvida sobre isso. Além do que, descontada a paixão, o futebol gera muita renda, MUITA.

A baixa auto-estima supracitada se apresenta de forma mais aguda quando envolve uma figura polêmica. Já escrevi sobre Ronaldo Fenômeno na sua volta ao futebol brasileiro no Corinthians, aonde ele chegou e ratificou sua fama de vencedor. Porém, calculou mal, ficou jogando mais um ano para tentar ganhar a Libertadores e incensar o Centenário, falhou.

É evidente que sua carreira de vitórias, não se apagou de uma hora para outra. Mas os mal-agourados de plantão voltam a atacar, os mesmos que Lima Barreto acusava de afrancesados da Bruzundanga, indivíduos que rejeitam qualquer espécie de êxito nacional, os vira-latas de sempre.

Ronaldo parou de jogar nesta segunda (14/02/2011) chorou em coletiva, vão brotar aqui e ali acusações de demagogia e hipocrisia, outros vão corroborar no excesso de emocionalismo e torná-lo um “coitado”.

Parece que o homem que passou uma carreira superando e ganhando espaço tem que no final de tudo se justificar em lágrimas. Para se redimir do quê?  Ronaldo parou de jogar, milionário, com títulos na bagagem, e paradoxalmente, quase clamando um adeus.

O próximo que vacilar, o pouco que seja, pode entrar nesse monstro hipócrita triturador de reputações, pode ser qualquer um, Neymar, Pato, Ganso?

De vez em quando escrevo sobre futebol aqui no blog, não reputo o esporte como algo acima de outras coisas, mas nele aparecem nossas caretas e espelhos quebrados. Vem aí a Copa do Mundo em nossos domínios,  que vai mover rios e ladeiras pelo país afora, será que nos dividiremos entre os que desprezam a importância do futebas e os que se aproveitam dessa postura, dessa desatenção, para sugar tudo o que é possível das formas mais heterodoxas?

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5 comentários
  1. arnobiorocha disse:

    Excelente texto..disse muito do que pensava escrever no meu Blog..parabéns meu companheiro

  2. Denise Queiroz disse:

    Sem reparos à tua inspiração, Ricardo! Abraços!

  3. Que dirá o poeta, não é mesmo, Arnobiorocha?

    Um amigo foi convidado para um congresso na Suiça. Presentes as maiores personalidades do mundo dos negócios.
    Acredita que nesta crise, pela qual passamos criativamente, com uniáo e trabalho,
    os EUA viram fechar-se 5 mil concessionárias de automóveis, – e que no Brasil temos 6 mil
    lojas desse tipo?
    Todas as informaçoes recebidas ali deram conta de um Brasil cada vez mais abrangente,
    mais próspero e sábio.
    Entáo.

    Náo só milhóes de brasileiros começaram a se alimentar, estudar, trabalhar,
    comprar casa própria, carro etc etc…como todas as classes médias brasileiras, – sim,
    a média é uma classe super subdividida – se fartaram de luxos Nunca Dantes apreciados.

    Náo é invenção, está na mídia internacional.

    Náo é querer ficar louvando o Lula, mas o que é, é, e, sendo, tornou-se inapagável.
    Páginas que devem ser guardadas com todo cuidado, para ilustrar a vida do País e do
    povo brasileiro no século XXI.

    Por tanto, ouso dizer que esse nosso Brasil é de um preconceito que chega a dar dó.
    A regëncia de Saturno náo faz bem ao Brasil, sob esse aspecto.
    Tolhe o verdadeiro idealismo, fraternidade, imparcialidade de percepção,
    torna tudo cotidiano, previsível e tributável.
    E promove baixa auto estima.
    Nunca somos o suficiente.

    Conforme se vai descendo pelo mapa do Brasil a onda preconceituosa,
    a torcida do Jacaré aumenta.

    É que aqui tem mais europeus, há séculos.
    Aqui, até o asfalto faz germinar trigo e soja.
    Entáo, a baixa estima se camufla de um orgulho indisfarçável.

    Ganhe ou perca campeonatos e jogos pelo mundo a fora, o Brasil continua
    sendo o país do futebol. Digno de todo respeito internacional,
    e júbilo dos brasileiros.

    Pelé, Garricha, Gilmar, Zico, entre outros tantos e muitos, e Ronaldo,
    Ronaldinho, e toda essa galera linda e dedicada sáo peças que só ganham o jogo
    quando se trata de auto estima brasileira.
    Mesmo perdendo o jogo, mesmo retirando-se, mesmo chorando,
    aliás, o choro de Ronaldo náo é performático, é genuíno, verdadeiro, puro,
    essencial – ele está finalizando uma fase de sua vida.

    A César, o que é de César. Mas até isso a gente esquece,
    porque aqui a torcida do jacaré é insidiosa.

  4. pih disse:

    Gostei demais! Quem tá errado é Nelson Rodrigues, rs. Será que ele nunca teve um vira-lata?

  5. Sérgio Pecci disse:

    Excelente, Ricardo!!! Futebol e música….Cultura em geral, tema sempre muito bem trabalhado por você.
    Abraço, amigo #TeiaLivre!
    sérgio pecci
    @M100Globope

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