Maestro Verocai


O maestro , arranjador, compositor, violonista e raras vezes cantor, Arthur Verocai, acumulou um patrimônio de arranjos considerável e deu beleza a vários cançoes no fins da década de 60 e primeira metade da década de 70 do século passado.  Elis, Gal Costa, Leny Andrade, Jorge Ben, Erasmo Carlos, Célia, Evinha, Milton Banana e mais recentemente o promissor Marcelo Jeneci … foram alguns dos contemplados pelo talento desse carioca, fã de Henry Mancini e de Eumir Deodato.

Em 1972 resolveu lançar um disco solo e chamou uma turma barra pesada para siderá-lo: Helio Delmiro, Nivaldo Ornelas, Maciel, Toninho Horta, Jamil Joanes, Oberdan Magalhães, Carlos Dafé, Luis Alves, Robertinho Silva, Pascoal Meirelles … como letrista e parceiro das canções Vitor Martins, que estava começando a parceria com Ivan Lins. O disco de boa qualidade, com canções fortes e arranjos poderosos, as letras soam totalmente “anos 70” sonhos e metáforas, uma certa ingenuidade, alguns as vêm como ataques indiretos à onipresente ditadura. Por razões várias a empreitada foi um fracasso comercial. Arthur largou os arranjos  e as canções e foi fazer jingles para o mercado publicitário, ganhar grana.

A ruideira cria as máximas: “um disco fora do seu tempo” ou “o Brasil não valoriza seus músicos” ou “se fosse gravado em Londres seria considerado um dos discos do século”. Sei não. Prefiro não ficar especulando e criando marola,  o fato é que ele repareceu, e foi de novo, como tantos, através da “descoberta” de algum gringo vivo e caçador de pérolas. O som tava lá,  alguém foi tocou, ouviu, gostou,sampleou, os pioneiros, no caso, foram os Little Brother, rappers da California, que usaram trechos da musica Caboclo na gravação de We Go Now. Os ratos de loja de discos, caçadores de grooves e batidas, fizeram o velho músico “renascer”. Antes tarde …

Semana passada (09/02/2011) rolou no Espaço Unibanco a apresentação de um show em vídeo que a produtora angelena Mochilla produziu em 2009. O registo é grandioso, inspirado, segundo o proprio diretor da gravação, nos programas de TV antigo (musicais e ao vivo), consegue captar toda as sutilezas da música de Verocai. O repertório foi o dito disco de 1972 e Fly to LA, música inédita. No time de músicos da orquestra montada pelo maestro, destaque para os brasileiros Airto Moreira (percursão), Mamão e Jose Bertrami (dois terços do Azymuth, na batera e teclados, respectivamente) e Carlos Dafé, o velho sambista soul que participou da gravação original. O público retratava a “redescoberta”: diggas, modernos, antenados em geral.

Espero que não seja apenas uma breve homenagem e Arthur Verocai continue produzindo música boa e fornecendo material e inspiração para nossos ouvidos e para os misturadores forjarem novos sons.

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5 comentários
  1. Alexandre Rosas disse:

    Conheci o Verocai pessoalmente, figura serena e segura de si, graças ao pessoal da M-Música, grupo de discussão na Internet (busquem).

    Publiquei o ótimo post no meu Facebook, onde uma galera da M-Música vai ver e, possivelmente, fazer chegar até o dito cujo.

    Valeu.

    • Valeu Ale, grande figura o Verocai, ele bateu um papo logo após a exibição do filme no Unibanco. Discret, tranquilo e bem humorado.

  2. Denise Queiroz disse:

    Super!!! E quantos Verocai haverá por aí????

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