Breve Vassourinha


Como e o quê escrever sobre um cantor cujo os dados biográficos são esparsos? Como falar de alguém que deixou apenas alguns registros gravados, brilhantes, mas que marcam aquela sensação do tanto mais que poderia ter sido?

Claro, já comecei a falar um pouco, trata-se de Vassourinha ou Mário Ramos de Oliveira, paulistano, nascido na década de 20 e “breve” cantor da música brasileira.

Contínuo da Rádio Record, já os 12 anos, Vassourinha peregrinava em meio a artistas, cantores, gente de noite. Cantava desde cedo, participou de filme (Fazendo Fita”, do diretor italiano Vittorio Capellaro), carismático, foi construindo no meio artístico prestígio e admiração pela voz e o talento prodígio.

A trajetória discográfica rápida começou em 1941, quando ele foi para o Rio de Janeiro, gravou Seu Libório (João de Barro e Alberto Ribeiro) que emplacou rapidamente nas rádios e foram apenas mais onze músicas em seis discos gravadas no espaço de um ano.

Uma desconhecida doença levou o cantor no ano posterior. Já era um ídolo nacional, amigo e parceiro de Isaura Garcia e tido como sucessor de outro meteoro da música brasileira, o cantor carioca Luiz Barbosa, que articulou o samba de breque com ajuda de um chapéu como se fosse pandeiro.

Vassourinha  símbolo do samba paulista, menos pelo estilo, e sim pela brevidade e pela melancolia. Homem de biografia curta e cheia de dúvidas (pouco falava de si e da família), como aqueles ecos perdidos na cidade, mostrou um pedacinho do talento e foi embora, tal qual a São Paulo várias vezes interrompida e impessoal com seus talentos.

O texto não vai além por falta de dados, pesquisei aqui, alí e praticamente usei as referência do Alexandre Petillo no Gafieiras e do Samba Choro. Fico imaginando o Vassourinhas nas madrugadas garoentas  de sampa, tomando cerveja, inspiração e morrendo a cada noite. Sambas melancólicos surgiram dessa história, voz bonita e marcante.

Ouço e reouço Seo Libório. A história pequena do pródigo cantor paulistano pode ser completada por pensamentos e suposições, ouvir suas breves 12 músicas estimulam este imaginário …

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