Entrevista – Alberto Marsicano


Alberto Marsicano, paulistano, poeta, tradutor, músico, sincrético zen-umbandista, fez incursões em várias expressões. Discípulo de Ravi Shankar, ele trouxe a cítara (sitar) clássica para o Brasil. Participou de raves com performances em Goa (litoral da Índia), Portugal, País de Gales, e em outros cantos do mundo. Realizou concertos no Mosteiro de São Bento, em universidades brasileiras e gringas, produziu e apresentou programas de rádio. Foram sete discos gravados e colaborações em discos dos Titãs e do Stereolab, jams e colaborações com músicos e djs como Paulo Beto (aka Anvil FX), Ramilson Maia, Renato Cohen, Andreas Kisser, Zé Eduardo Nazário, Naná de Vasconcelos. Foi indicado ao Grammy 2007 para o melhor álbum de world music.

Segue pequena entrevista com Marsicano, parte por email, parte pelo bate-papo do Facebook…

1 – No início, Alberto…

No inicio como no fim. A Gandharva, a música celestial soando contínua, qual FM 24 horas.

2 – Música, Poesia quais as opções, caminhos e influências?

As artes são irmãs. Na Índia os templos são construídos segundo as proporções da métrica musical sagrada da poesia. Certa peça clássica musicais tem sabor. O raga Bhupali tem o gosto da manga e a cor laranja. A Shivranjani tem o gosto do côco e cor branca. Musica, arquitetura, poesia, dança e gastronomia interpenetram-se.Um dos segredos de minha literatura, poesia e tradução é o sentido musical destas através de meu ouvido treinado da citara. Tenho meu livro CRONICAS MARSICANAS – L&PM (biográfico pelo mundo) e traduções de Blake, Keats, Wordsworth, Shelley, Rimbaud, poesia clássica japonesa e poesia clássica coreana.

3- Onde e como pintou seu interesse pelo Oriente?

Lá mesmo.

4 – Alberto discípulo de Ravi Shankar, e daí qual seu trato com a cítara?

Na hora que recebemos o fio alaranjado no pulso que pontifica a iniciação (recebi o meu de Shankar) somos conectados a Gandharva, a corrente espiritual dos musis. Aí tudo muda e imergimos qual gota no vasto oceano da música sagrada.

5 – Arte em São Paulo, cidade da desagregação, como é possível?

São Paulo é um dos mais dinâmicos, rápidos e promissores pólos de cultura do mundo. Farol & centro magnético do terceiro milênio. Vampirizada por um grupo de medíocres que sufocam qualquer possibilidade de vida inteligente por aqui. Grassam no governo, nos mídia, televisões com intuito de destruir o que resta de cultura por aqui. A tribo cultural (principalmente os jovens) esta atenta. instituições como o Sesc tentam uma resistência cultural, impedindo sua completa destruição. Mas a arte e vocação vanguardista de Sampa (modernismo) escapam pelos poros. Críticos internacionais que aqui vieram para a última Bienal detestaram-na, mas vislumbraram algo novo e de vanguarda nos grafites que contemplaram com muita alegria nas ruas. A arte se mantém e aflora mesmo com essas urucubacas da cultura oficial atrapalhando. Sampa é a terceira maior cidade do mundo, mas não aparece no cenário cultural mundial. ninguém fala nela. Por quê? São essas múmias que atravancam tudo. Os jovens artistas que produzem coisas incríveis e novas não encontram espaço. Essa ‘virada cultural’ é uma piada. Fui indicado ao 49th. Grammy (USA) e não fui convidado, como vários amigos meus, músicos de ponta da cidade. Não conseguimos tocar em nossa própria cidade.

6 – Projetos novos?

Tradução da poesia clássica chinesa (2.500 AC) que desenvolvo no instituto Mandarim e Citara e Viola Caipira com o grande schollar da viola e instrumentista Ivan Vilela e um CD já gravado em busca de gravadora com o título de  “Sítar Beatles”.

Valeu Alberto!!!

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3 comentários
  1. Sitar Brasil disse:

    Discípulo de Ravi Shankar??? kkkkkkkkkk….conta outra….

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