“1975, 1985, quase Lusa.”


Amanhã tem Lusa x São Paulo na Arena Barueri. A Lusa se classificou “no limite da resposanbilidade” (rs), fazendo gol no último minuto, apesar de que pela combinação dos resultados já estava classificada sem o gol, assim rebaixou o time da minha cidade, o São Bernardo. O inesquecível Ananias – não há outro time no mundo que tenha um jogador com este nome – errou o chute e tirou o goleiro do São Bernardo da jogada, e vamos para as oitavas contra o São Paulo.

A memória, ah, a memória me açoita. Dois momentos: 1975 e 1985, duas finais do campeonato paulista contra o mesmo São Paulo.

Tarde de 17/08/1975, radinho de pilha Evadin no ouvido e os meus nove anos de idade , o palco era o quintal da casa da minha tia Mirtes (a mesma que dera o radinho de presente), junto comigo um vizinho amigo, torcedor do Corinthians, que para dar uma força vestia uma velha e surrada camisa da Portuguesa, sei lá como ele conseguiu. Não lembro mais o nome do menino e nunca mais o vi.

O jogo era disputado, a Lusa jogava bem, comandada por Dicá, meia habilidoso e de chute forte que já brilhara jogando pela Ponte Preta. Não vou me ater a detalhes, nem lembro direito. A Lusa ganhou no tempo regulamentar, Wilsinho cruzou certeiro e Enéas subiu e cabeceou bonito. Lusa 1 x 0 São Paulo.  O primeiro jogo tinha sido 2 x 1 para o São Paulo.

A  combinação dos dois resultados leva jogo para a decisão por penais. Waldir Peres, o goleiro do São Paulo, catimbou o quanto pôde. Os jogadores da Lusa pareciam nervosos. Começam as cobranças.  Pedro Rocha chuta e marca para o São Paulo, na vez da Lusa, Dicá, chuta a bola no horizonte perdido, depois nem sei mais, Wilsinho perde o segundo, Tatá perde o terceiro, no background de tudo isso, a catimba do malandro Waldir Peres, e o São Paulo campeão.

Já era noite, e a noite se fez em derrota. Dia seguinte no colégio, gozação que se repetiria por anos. E o velho papo de sempre: “Pôoooxa, até que a Portuguesa jogou bem” algo entre a indulgência e o deboche.

O radinho Evadin durou alguns anos e nada de títulos.

Dez anos depois já moço, 19 anos, Morumbi, dia 22 de dezembro de 1985. Novamente São Paulo x Portuguesa, tava no Morumbi, dia 22 de dezembro. No primeiro jogo, disputadíssimo a Lusa perdeu 2 x 1 e deu muito trabalho. Muitos torcedores da Lusa, coisa impensável nos dias de hoje. Sol de lascar, do meu lado, um grande amigo da época, Sergio Martins, fã de música e futebol. Jogo bom, disputado do lado da Lusa: Serginho (goleiro), Luis Pereira, Célio, Toninho, Edu Marangon, Toquinho, Luis Muller, do São Paulo: Dario Pereyra, Oscar, Silas, Muller, Falcão, Pitta, Careca. Jogaço!

Êxtase, Edu  Marangon chuta do meio de campo e tenta fazer o gol que Pelé jamais fizera. A bola vai caindo e toca caprichosamente no travessão superior e sai pra fora, quase, a sempre quase Lusa. Sidney abre o placar para o São Paulo, Esquerdinha empata, Muller marca duas vezes para o SP, encerra. De novo tal qual 1975, somos vice. Subi a pé a Geovani Gronchi, lá longe vi um senhor de cabelos brancos e um menino (devia ter uns 6 anos), os dois com a camisa da Lusa, perdidos em meio a um mar de são paulinos comemorando, a cabeça baixa, quixotescos.

O ingresso desse jogo ficou anos e anos dentro de um livro perdido na estante da casa da mãe.

Quem sabe amanhã, Ananias e Jael quebrem esta escrita? Dicá e Marangon, craques, não conseguiram. Vou torcer, sem o rádio Evadin e não vou comprar ingresso, para mudar a sina temos que mudar os costumes. Vai que dá certo.

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