Alf e Alaíde


Abusados: ele, não abriu mão das teclas negras no samba, ela, ousou cantar baixinho, ser negra e não “cantar samba”. Um era Alf e a outra Alaíde. Os dois migraram para São Paulo em busca de espaço em pleno furor bossanovista no Rio. Aqui ficaram. Brilhantes e singulares, cantores e compositores (Alaíde esconde e resiste a este quesito), portadores de um repertório próprio e único. Localizá-los e enquadrá-los nas ondas da música brasileira é um martírio. Pela vida os repertórios se cruzaram. Alf, recatado e ourives de harmônias, faleceu há pouco, quietinho. Tem legado e história rica, lhe falta reconhecimento, que quando vier, se vier, na certa será tardio. Alaíde esta com a gente, cantando ainda baixinho para os botões que se interessam a ouvir os silenciosos e ousados movimentos da música brasileira. Discreta, ela quase se desculpa por ser tão sublime. Espera ou nem espera, viva, pelo tal reconhecimento. Os dois nunca mostraram despeito ou amargura, são leves demais pra isso. Este post foi produzido no espírito de  inveja inspiradora que a entrevista feita por Pedro Alexandre Sanches com Alaíde Costa, publicada na Revista Forúm, me causou. Inveja elegante e silenciosa como os dois citados. Por isso, me dá um desconto, Pedro?

Anúncios
2 comentários
  1. MARIA FERNANDA disse:

    Amor discreto…. é isso que a paixão, ávida,gosta de sentir.
    Letra linda!

  2. Valquiria Farias disse:

    Ricardo, adoro a Alaíde. Parabéns pelo post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: