“Mistery Train” em todos os tempos.


Canções nascidas para escrever história. Acreditamos em predestinação? Falar de uma época, descrever aquilo que esta acontecendo ao seu lado e dar uma bicada no futuro, além de não ser tarefa fácil, nem sempre é percebida por quem faz e mesmo por quem observa o momento. Passa o tempo e a canção fica, vai ganhando metamorfoses, a cada leitura ela aponta um caminho diferente, não só na forma, como pra onde o vento vai soprar. Exagero de fã?  Muito provável.

Clássicos são assim, envelhecem saudáveis, não dependem de decretos ou permissões para ficarem vivos e ativos. No começo da década de 50 do século passado o rock’n roll tomava forma, a indisfarçável origem negra (nasceu sestroso, inconformado e provocativo) como disse Muddy Waters: The Blues Had a Baby, They Named it Rock’n Roll. De qualquer maneira havia brancos ao redor, e seja por motivos de mercado (calcado no preconceito), seja pelo dinamismo da arte que esta a mão de todos, estes tocaram e retocaram o rock original. E foi mudando a história da música feita para a cintura e para celebrar a delícia de ser jovem e ter os hormônios todos à disposição. Em que pese toda a crítica apocalíptica que o coloca em vários pacotes e estereótipos, tanto para evocar, como para demonizar, o rock and roll prevaleceu.

Algumas canções mostram claramente este movimento histórico, claro que ao escolher esta ou aquela, levamos em conta o impacto que a mesma gerou sobre a “nossa história”, o mundo em que vivemos o barulho e o lirismo que acompanhou nossas vidas. Música constrói pedaços da nossa história, na memória, nas decisões tomadas, amores vividos e perdidos e no puro regozijo. Em 1953, Junior Parker e Sam Philips escreveram para Little Junior and Blue Fames gravar a canção Mistery Train.

Em 1955, Elvis Presley tomou-a para si e jogou no mundo este clássico inesquecível. Desde então vários outros músicos gravaram, fazendo-a como sonho realizado a partir do flerte que um dia tiveram para a realização mágica de alguns acordes, solos e o refrão do misterioso trem.

A canção se transformou em várias, virou filme em 1989 sobre escrita e direção de Jim Jarmusch, reverenciada em título de livro pelo jornalista e crítico musical Greil Marcus , e claro, regravada por dezenas de músicos. Elvis Costello, Chet Atkins, Jeff Beck, Neil Young, Brian Setzer, Bob Dylan, Jerry Garcia, Robert Gordon, Alvin Lee, Neville Brothers, Soft Boys … Bruce Springsteen, Paul Simon, UFO, Emmylou Harris … vários outros entraram no trem em vagões diferentes.

Costumo trazer três ou quatro versões de minha preferência nos posts, Mistery Train é tão bem acabada que fiquei em dúvida. Lanço aleatoriamente, com culpas de esquecer alguma, mas na certeza de registrar o que desejo.


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