“Ed Motta, Tania Maria e o “Cala Boca Já Morreu, Geral”


Outro dia fiquei matutando o que levou um cara como o Ed Motta a destilar asneiras e preconceitos na internet. Logo ele que se arvora de ser tão “deep” e esperto e gosta de espalhar sua erudição sobre vinhos, quadrinhos, estilos musicais variados e do seu inegável talento como músico. Mas creio que falar asneira não é um privilégio do Ed Motta. Ele, por exemplo, alegou que pensava estar fechado no seu ciclo de amigos no facebook, e depois de algumas garrafas de vinho, grifo dele, desandou a falar sandices sobre músicos (especialmente os paulistas), mulheres “feias” e gente “feia” em geral e de sua (dele) suposta superioridade.

Engasgou com a mistura de vinho, soberba e malandragem de mané …

Ed Motta foi vítima da própria língua, e deve ter falado o que falaria normalmente numa mesa de restaurante com um grupo íntimo. Esqueceu-se, ou como ele mesmo afirmou, não sabia que estava no aberto do facebook. Todos que passaram por ali leram. Um artista, que precisa teoricamente do público que o acompanha tem que ficar atento sobre o que diz. E nem vou entrar na seara dos danieis gentilis e outros “entusiasmados da língua latrínica que saem falando tudo como se controlassem a acidez da própria língua, pagam o preço a curto, a médio ou a longo prazo. Estes são o ruído pútrido da industria cultural de ocasião.

Não to aqui para fazer o julgamento do Ed Motta, a retrospectiva de suas falas serve como material farto de ataque e defesa, mas para lembrar que vivemos o ocaso da privacidade, em vários níveis. Na verdade isso vem acabando já há tempos. Cadastro de compras em loja, cadastro em banco, em concessionárias públicas, em casa de shows, companhias aéreas, CPC, Serasa, lista de casamento, abaixo assinados, posts de orkut, de blog, comentários em portais e uma longa lista que não vou dar conta. Literalmente o nosso nome ta na roda. Então não há controle, sobre o que somos, comemos, vestimos, ouvimos, lemos, pensamos, negamos, afirmamos. Esta tudo cadastrado, sendo você um ser “on line” ou não.

Não adianta chorarmos o saudosismo romântico da “era do anonimato” (se é que em algum dia ela houve), não há volta. Uma forma ineficiente de minimizar a exposição são os tais orkutcídio, facebookcídio, emailcídio, etc, onde as pessoas “suicidam” seus próprios ícones e avatares para supostamente desaparecer da rede e virar um ser normal. Em vão. Quando a nossa história e/ou informações for negativamente ou positivamente relevante para alguém, reaparecemos, não tenhamos dúvidas disso. Esta decisão foi tomada há tempos, mercado, governo, interesses públicos e privados se beneficiam com esta graúda fonte de informações.

O jornalismo já perdeu a aura de fala única, segundo os ressentidos de plantão: “Todos agora querem ter opinião”. E dá-lhe orkut, facebook, twitter e redes variadas, onde fatos nascem, morrem, são afirmados e negados em questão de minutos. É o suposto fim da fonte única e oculta, os fatos vêm e vão, não em vão, como diria o mestre Oswald. Há que se ter o dobro de cuidado e responsa sobre o que se fala e o que se nega.

Ed Motta, falou demais e se arrependeu, há quem diga que há tempos fala demais nas rodas privadas. Como saber? Resta-nos confiar em seu arrependimento. Se ao menos ele tivesse ficado quieto e deixado a música rolar … assim como fez junto com a maravilhosa Tania Maria.

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2 comentários
  1. Luiz Augusto disse:

    Concordo plenamente. É preciso responsabilidade e bom senso quando se quer expressar opinião na web. Ed não é mal carater por pensar de maneira equivocada, afinal, todos tem direito de opinião. O que não pode é cuspir ofensas na cara de todos e esperar que seja reverenciado por isso. Fico triste pois, gosto de seu trabalho e sei que toda essa marmelada deixará consequências no que se refere ao espaço na mídia normalmente consedido a ele, que já era pequeno, o que dificultará seu trabalho como musico. Fica a lição.

    E parabéns pelo post. Muito bom!

  2. Fernando disse:

    Acredito que pessoas interessantes falam de assuntos interessantes.
    Não foi o caso do rapaz…

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