Ricardo Teixeira não perde nunca, nem nos penalties.


Desde 1989 Ricardo Teixeira é o imperador da CBF. O futebol brasileiro, nada diferente do restante do mundo, vive controlado por um grupo de pessoas obscuras e mal cheirosas. Ricardo Teixeira foi um subproduto criado por João Havelange, o grão vizir da escuridão futebolística. Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, os Estaduais são “organizados” dentro de uma lógica perversa que só privilegia minorias e faz dinheiro para as cartas marcadas.  Os clubes brasileiros quase que na totalidade são reféns passivos do esquema montado por Teixeira e os presidentes das federações estaduais. A Seleção Brasileira é a cereja, a cara cereja do bolo, a vitrine expositora das nossas commodities em forma de atletas.

Ricardo Teixeira, o intocável, é pluripartidário, sempre ameaçado, mas nunca tem seu poder alterado por nenhum Governo. E a discussão paira sempre sob a “máxima” de que o futebol é um negócio privado e do contra-argumento de que o futebol é um patrimônio nacional. Ambos os lados rasos e que esvaziam qualquer discussão mais acurada. Ricardo, o longevo, passou por Collor, Itamar, duas vezes FHC, duas vezes Lula, agora dizem que Dilma não o recebe, acompanhemos. Teixeira  falou em cagar na Revista Piauí, literalmente ele vem cagando no futebol há muitos anos. Mas por que Teixeira ainda não caiu?

As respostas são várias e muitas vezes contraditórias. O futebol é organizado e chefiado no mundo, como disse acima, por figuras obscuras. Há transparência no futebol argentino, no inglês, no continente africano, o que falar do futebol espanhol e italiano? Sílvio Berlusconi é o exemplo cru desse obscurantismo. E o que dizer de Josef  Blatter? Beckenbauer, Platini, o que estes “bons moços” fazem de prático e substancial para questionar o “esquema do jogo”? Não existe referência positiva para o futebol no mundo inteiro, mesmo porque o mecanismo montado não aceita modelos positivos. As referências positivas se misturam ao denso lamaçal. Relativismo? Não creio, é só olhar de perto.

Andrew Jennings, jornalista investigativo inglês, autor de dois livros onde chafurda a FIFA e seus asseclas, afirmou em entrevista à Carta Capital em 10/05/2011:

“CC: Havelange chega e traz Ricardo Teixeira. Com qual resultado?
AJ: Um boom de corrupção. A imprensa suíça escreveu que Havelange e Teixeira embolsaram a maior parte das propinas. No decorrer da transmissão do programa Panorama, da BBC, perguntei em três ocasiões a Sepp Blatter o que ele sabia sobre as propinas embolsadas por Havelange e ele sempre ficou calado. Pedi também informações de uma específica propina, mas também neste caso Blatter fez cena muda.

CC: De qual propina se tratava?
AJ: De um milhão de francos suíços que deveriam acabar nos bolsos de Havelange. Por um erro foram depositados numa conta da FIFA, provocando o pânico entre os dirigentes honestos da organização. Posso garantir que havia três pessoas numa sala da FIFA quando chegou aquele pagamento: Sepp Blatter e outros dois altos dirigentes. Falei com estes, que me confirmaram que o destinatário da propina era Havelange. Um dos dois entregou uma declaração oficial e assinada aos advogados da BBC, na qual afirmava que, em caso de processo por parte da FIFA contra mim e a BBC, ele compareceria no tribunal para confirmar que o pagamento era para Havelange. O mesmo, porém, pediu para não ser citado na reportagem que foi divulgada pela BBC, e que qualquer um pode apreciar na internet.

CC: O pagamento teria sido feito por quem?
AJ: Pela ISL, no início de 1998.

CC: E o que há em relação a Teixeira?
AJ: Bastaria olhar os documentos da acusação criminal depositados à margem do processo de Zug. Em relação aos depósitos feitos pela ISL, há um para a Renford Investment Ltd, sociedade controlada por Havelange e Teixeira.”

Duvido que o jornalista tenha levantado estas informações para um exercício de ficção, e estas denuncias vão se juntar a outras tantas acumuladas nestes anos de desmandos de Havelanges, Blatters e Teixeiras. O nó da questão são os interesses atrelados aos domínios desses senhores, há vontade política e jurídica para tirá-los de circulação?  Se existe, de onde vem?

No embalo das derrotas e vitórias da seleção as críticas e os humores são dirigidos aos jogadores e aos técnicos da vez. A  Rede Globo monopoliza as transmissões e é através da voz constante de seu desastrado animador de auditório, Galvão Bueno, que o tentáculo poderoso da comunicação traduz em teorias estapafúrdias e opiniões cheias de interesses diretos no mercado dos jogadores seus verdadeiros interesses. Assim ajuda a manipular e vulgarizar o esporte mais popular do povo brasileiro. A imprensa que eventualmente usa a grife de alguns jornalistas “franco atiradores” para questionar e atacar as mazelas, no final das contas é completamente convivente com o esquema quando assunto é grana. Esquizofrênia?

Irônico é o fato das pessoas se voltarem justamente contra o salário dos jogadores, peça fundamental para o desenvolvimento do jogo, que são usados  para lucros de terceiros tanto em relação ã transação dos seus passes, como na exploração de sua imagem. Mas os altos salários de uma minoria são sempre vistos como o vilão de uma história que é muito mais complexa. Os conglomerados de equipamentos esportivos, as empresas de comunicação, outros tantos poderes que não mostram a cara, ganham pouco? O que incomoda é o salário da mão de obra, sendo que todas as outras peças do negócio do futebol o encaram como… negócio?

Os jogadores saltam de uma infância na sua média pobre e de um processo educacional precarizado (e não só os muito pobres são produtos desse)  para um estrelato instantâneo, totalmente despreparados para conviver com as feras dos interesses milionários.  Podemos contar nos dedos os jogadores que se destacaram pela consciência e clareza do que esta em jogo no mundo do futebol: Afonsinho , Sócrates, Vladimir… sem contar os tantos que poderiam falar mais e se posicionar mais, mas que se calam no conforto da conivência. Além do mais, alienação é privilégio de jogador de futebol?

Todos os percalços citados recheiam as discussões desse momento pré-Copa do Mundo 2014. E o recheio ideológico permeia tudo. As palavras de ordem: o Brasil de Dilma não esta preparado para receber uma Copa, o caos é trombeteado, todos os investimentos e processos de licitação e realização das obras necessárias já são carimbados “a priori” como farra da coisa pública. Há que se separar a gritaria dos “fazedores de apocalipse” da real crítica ao trato da coisa pública. Não dá pra acusar de antemão, por outro lado não dá para aceitar a entrega de polpudos valores à administração de Ricardo Teixeira, como condutor da Copa no Brasil.

Fica a pergunta: há interesse em tirar Ricardo Teixeira e patota do jogo? Ou será que a discussão novamente vai se restringir ao nome que substituirá (se for o caso) o Mano Menezes?

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