Música pra quê?


Muitas vezes coloco a música como protagonista e eu fico de fundo, inverto o fundo musical. E penso que a música pode dar respostas e cobrir ausências. Inverter a prática de usar a música para passar o tempo e para complementar algo mais importante.

A importância ou fuga passa a ter nome, duração, compositor e intérprete. Usar a música é ter um interlocutor que fala bonito, que modula, que faz chorar, sair pulando ou gritar o primal com louvor. Música para descobrir todo dia e receber com piscada, desprezo, surpresa, aversão (que pode ser logo transformada em atração), música para falar mal, lembrar, esquecer e ignorar algo ruim na vida.

Dar status a um trecho de piano, um solo curto de guitarra ou a um som de baixo que se percebe pelo pulsar. Escrever sobre, descrever a música, já é em si, um sacrilégio, ela necessita estar em corpo presente. Música pode nos tornar um ET, excêntrico, isolado, por gostar de coisas estranhas, obscuras e passar a imagem de elitista.

Mas em algum momento, naquele dia bacana, você encontra alguém que gosta de uma música que sempre achou que só você e o cabra que a compôs/gravou gostavam. Afinidade eletiva. Música é pano de fundo, e tal qual o pano pode cobrir a cena e dar a cor que ela merece.

E claro, não dá para falar de música sem ouvir…

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1 comentário
  1. Binah Ire disse:

    Adorei!

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