Victor e Arnóbio


Você deve respeitar a música que toca. Seja sincero, não importa o que toque. O essencial é que venha do coração. Sem o verdadeiro feeling, a música se deteriora”.

palavras simples de Victor Assis Brasil

As redes sociais mudam o tempo e o timing da vida. As redes sociais não inventaram o aleatório, tampouco os encontros fortuitos. As esquinas e os descaminhos são bem anteriores, já faziam as vezes da surpresa. Mas as redes sociais podem unir as camaradagens distantes, e nelas carregamos as nossas experiências, como em todos os espaços que os humanos compartilham em comum. Canções, histórias, pedaços de imagens da vida toda e parte dela. Vamos conhecendo pessoas, perdendo pessoas, revendo gente que passou faz tempo.

Nesta tarde de quarta encontrei o camarada Arnóbio Rocha ali no Facebook (como se fosse um antigo boteco da esquina). Ele contou baixinho uma historia que o aflige e deu link de um post onde relata um momento delicado de sua vida. Pediu sigilo e apesar de estar tudo publicado no seu blog, entendi o pedido e me orgulhei do pedido. Era a história que ele confidenciava para poucos, apesar de estar para todos no seu blog.

Sutilezas.

Na hora me veio à mente a vida curta de um grande músico brasileiro: Victor Assis Brasil.

Um dos mais destacados instrumentistas que já pisaram em nossa terra. Fazia música brasileira com universalidade do jazz, acho que melhor dizendo com a universalidade de uma música superior. Victor viveu pouco, nasceu em 1945 e faleceu aos 35 anos em 1981 no Rio de Janeiro.

Gravou mais de 10 discos, alguns póstumos, estudou na Berkley School of Music (e aprendeu bem mais do que a escola proporcionaria), tocou com bambas (Dizzy Gillespie, Jeremy Steig, Richie Cole, Clark Terry, Chick Correa, Ron Carter, Luiz Eça, Helio Delmiro, Claudio Roditi, Claudio Caribé, Marcio Montarroyos, Zeca Assunção) e foi extremamente original em suas perfomances e composições.

Tinturas de musica brasileira, jazz e música erudita (destacando os impressionistas).

Nos últimos três anos de vida, Victor chegou ao auge da técnica e performance, segundo quem o assistiu e tocou com ele, um lindo e longo canto de despedida. A música abaixo é do seu último álbum gravado em vida, Pedrinho (1980), até onde sei foi uma beleza transformada em legado e despedida para seu filho.

Coisa bonita de pai para filho.

Assim como post do Arnóbio, a música do Victor foi direto para o filho, mas depois ficou nossa, e com eles contamos e ilustramos as nossas histórias nas redes sociais e na vida. A música e o post já não pertencem a mais nínguem…

Valeu Victor!! Valeu Arnóbio!!

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5 comentários
  1. luzete disse:

    ricardo, você nunca me decepciona, sabia?
    lindo demais, né?

  2. marinildac disse:

    quanta sensibilidade nessa associaçao de dores, um irmao querido e um gênio saudoso…

  3. CarlaTCL disse:

    Olá,
    que.post.lindo.

    Sutilezas…

    Carla.

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