“Vivo sonhando” em três tempos.


Nos instantes de mau humor costumamos proferir máximas insustentáveis. Uma delas é constante em minhas falas: “existem músicas que não deveriam mais ser regravadas”. Um clássico se constrói na qualidade e na atemporalidade. Músicas massacradas por roupagens pretensamente inovadoras, mesmo nessas, ainda mantém uma respiro, um traço do seu brilho. Clássicos sobrevivem, mas não raro são imolados e cansam de tanto aparecer. O tempo e as recorrências nos dão a oportunidade de rever as máximas de gostar ou desgostar. Abrimos concessão e renovamos o olhar (ouvir) sobre algo abandonado. Mesmo a original ou alguma versão já há muito conhecida passa a ter novo sentido. A beleza muda com o tempo, mas não deixa de ser.  Essa é do Jobim. Em certos momentos é preciso ser previsível para vencer as teimas, inclusive esta, de sempre querer fugir do óbvio…em três tempos.

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1 comentário
  1. essa de sonhar e sonhar até parece momentos presentes, em que a vida zomba de cada palavra e sentimento a ponto de nos fazer pensar que tudo era ilusão ou sonho revestido de desejos que não se concretizam que não vão se concretizar…tem coisas que é , de fato, melhor não regravar, melhor não reacender mas deixar na gaveta da alma, bem embrulhado prá não machucar. Por outro lado arriscar uma regravação fazendo um upgrade dos sentimentos pode nos surpreender. Não fosse assim ainda estaríamos no vinil!

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