A privataria tá no livro.


“Não sei fechar um mundo bem redondo, Ainda que o remende como sei.”

Wallace Stevens 

As telas sensíveis mudaram o rumo do mundo. Além de olhar a informação, posso mudá-la (fisicamente) de lugar. Acesso, recombinação e compartilhamento rápidos. A novidade que gera novidades, produto que gera produto.

Já “mataram” o livro com isso, o papel perderia o lugar, a morte da impressora, do impresso. Não existiu. O livro ainda aparece e guarda lugar. O livro das capas moles e duras ainda incomoda. Não é visão romântica. Fato.

Produto velho e novo, formato velho e novo, têm em comum a necessidade de conteúdo.

E tem livro novo na praça.

Um livro que estava sendo preparado e esperado. Que vivia como lenda urbana. Na boca de açodados, adivinhos. Livro que previa o caos de um cultor da escuridão. O tal grupo da racionalidade (de cor azul e amarela) e suas mumunhas ideológicas (negadas) reafirmadas pelos fatos. Na época do fim da história, privatizar para modernizar. A lisura às favas. Reinava o absoluto no funeral dos soviéticos.

Falo do livro “Privataria Tucana” do repórter Amaury Ribeiro. Curiosamente até a publicação do livro na última sexta-feira (09/12/2011), o referido jornalista, era um ganhador de três prêmios Esso, profissional respeitado. Passe de mágica e ele se tornou um gordo bufão com problemas de dicção, suspeito e mentiroso por estar sendo investigado pela PF. As ilações viram verdades e os documentos viram obra de retórica. Maldita realidade que açoita.

O livro só descreve o óbvio (que também tem que ser documentado para se mostrar óbvio), mas mostra o que desconfiávamos. Um escândalo de atacado contra as dúzias de varejo que amplificam todos os dias. Não que existam escândalos e sacanagens “maiores” ou “menores”, mas qual critério faz ignorar ou destacar algo? A origem, as ligações (objetivas e subjetivas) ou a subversão das interpretações e dos fatos? Como podemos chamar isso? Escândalos convenientes ou inconvenientes?

Houve uma tentativa de boicote “branco”  á obra. Graças, em parte, a grita e a mobilização de certa militância e ao apelo do tema, o título vendeu 15 mil cópias em 36 horas, se firmou nas estantes com a prometida segunda reimpressão. Impolutos jornalistas não demoraram a taxar a militância reclamante de aloprada, e, seguindo o guru chamaram o livro de lixo e dossiê (Serra é disciplinador), outros atacaram o conteúdo, mesmo após a confissão de que não leram e não lerão. Jornalismo ético, objetivo e zeloso com os proventos.

Há cópias do livro em pdf rolando pela web, porém, o interessante seria comprá-lo, antes de tudo lê-lo, tomar ciência e juízo do seu conteúdo e aprofundar o debate. Quem não puder comprar, reclame a aquisição na biblioteca pública mais perto de sua casa. Quem quiser desqualificar cegamente que desqualifique. O não “li e não gostei” oswaldiano que sirva aos que desejam lançar o assunto nos calabouços.

Qual a origem da distorção e da despolitização do debate político? A desinformação e a falta de rigor. Pegar tudo de orelhada e soltar o verbo sobre corrupção, reforma política, sistema público de saúde, política cultural, Belo Monte, aborto, socialismo, mercado… todos os assuntos fartamente documentados em livros, papers, artigos…

E estas opiniões e reflexões não carecem de tutores e falsos formadores de opinião (nem à direita, nem à esquerda) basta ir às fontes.

A tela facilita e o livro ainda tem força. Abrir, ler e contrapor, é tudo tão simples. O velho livro “ainda” forma opiniões,  abala estruturas e faz cair máscaras.

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2 comentários
  1. Carlos Henrique Machado Freitas disse:

    O velho livro “ainda” forma opiniões, abala estruturas e faz cair máscaras. genial!

  2. Ricardo,

    Continuamos lendo em novos ou velhos formatos, este livro em particular.

    Grande post,

    Arnobio

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