A permanência de Michael Head


I think I’m one of the best songwriters in the world”

 Michael Head

Michael Head é tido como uma cara de pouca sorte. Nos anos 80 liderou o Pale Fountains, banda de Liverpool, de onde veio o Fab Four. O dobro em responsabilidade. Liverpool é a referência da reinvenção do rock, de lá vieram as idéias e a realização de um novo formato da industria cultural. Além do mais são contemporâneos dele o Echo and Bunnymen e do Teardrope Explodes (Julian Cope), bandas que tiveram razoável sucesso em suas carreiras.

Pale Fountains não rolou, foram dois discos (Pacific Street de 1984 e …From Across the Kitchen Table de 1985) e um contrato rompido com a então poderosa Virgin Records. Muita expectativa e vendas baixas. industria implacável.

Michael Head perambulou pela vida depois do fim da banda. Heroína, depressão, caminhos tortos. Histórias imprecisas contam que ele dormia em estações de trem de Londres e do interior da Inglaterra. Irreconhecível. Os ecos da música de Burt Bacharach e das melodias sessentistas que tanto o influenciaram, tudo isso passava longe.

No final da década de 80, Michael e seu irmão John voltariam à cena musical com “The Shack”. Longe da heroína, mas também ainda longe do sucesso. Primeiro disco  do The Shack (Zilch/1988) não embalou e o segundo (Waterpistol/1995) demoraria anos para ser lançado, já que as “masters” foram perdidas de forma misteriosa. Como os discos do Pale foram sucesso de crítica, mas não de público.

Foi com “HSM Fable” de 1999 que o eles atingiram um certo sucesso. Michael Head voltaria a sorrir, não pelas vendas do álbum, mas por ter suas melódicas canções compreendidas e ouvidas por um público maior. São verdadeiramente belas as suas canções. Depois vieram “Here’s Tom The Weather” (2003) e “The Corner of Miles and Gil” (2006).

Michael teve o privilégio de tocar e gravar em 2000 com um dos seus ídolos, o lider da influente banda Love, Arthur Lee (Shack and Arthur Lee – Live in Liverpool) , uma das referências do psicodelismo que ele trouxe em suas canções e em sua trajetória.

Má sorte ou boa sorte não bastam para contar sua história. Michael Head e seu vários projetos (Pale Fountains, Shack, The Streams, Michael Head & The Red Elastic Band) é um exemplo de resistência, persistência e uma permanente qualidade. Ele foi ao inferno e voltou sem parar de tocar e pensar sua música.

Michael Head não é um cara amargo. Persiste. Toca, faz  shows, compõe, acredita na música. Esta vivo.

A frase que inicia o post é, paradoxalmente, de uma singeleza a toda prova.Michael se acha “o melhor”, sim, mas é apenas para se manter vivo e continuar fazendo o que sabe:   belas canções.

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