Nas mãos de Burt Bacharach


Fico pensando que a melodia ficaria viajando em falso pelo mundo se não existisse Burt Bacharach.

Bacharach aliviou a tese do fim da beleza no século 20. São mais de 90 sucessos (creio que seja isso). Um top hit permanente que recheou décadas.

Não caberiam  todos nomes de canções e de intérpretes num post. The Shirelles, Gene Pitney, Andy Williams, Jack Jones, Dusty Springfield, a preferida Dionne Warwick…os filmes, as orquestras, os parceiros…as letras de Hal David.

Desde que comecei a gostar e ir atrás de informações sobre música, lia entrevistas e citações de músicos de todos os estilos que reverenciavam Burt Bacharach. Os roqueiros, muitos, citando-o como o maior dos melodistas.

Além do mais, ouvia Burt pela vida, rádio, casa de parentes, listas de amigos, lojas de discos, canções que fizeram passar bem o tempo.

Um século (pop) nas mãos de Burt Bacharach.

As canções desse tal “maestro do pop”  foram entrando na minha vida.

O mais importante são as histórias que conduzem a música, que não tem nexo, nem jeito de contar sem a presença dela. As músicas existem antes das histórias. Mas passam a fazer parte “delas”, ficam indissociáveis.

Eu tenho uma:

Noite de desesperança, as idéias confusas, precisava tomar uma decisão. Ia e voltava e não tomava coragem, sensação total de “o mundo caiu”. Muita tristeza vem sem música, não cabem as melodias. Seco, duro, tão somente as palavras. Essa era uma dessas, nem forçando  vinha à memória qualquer canção.

Entrei no chuveiro para me despedir. Era o banho do “vamos embora, e decerto isso seria logo após. Me sentia pesado e lento.

Desde sempre tenho um rádio à beira de qualquer chuveiro onde eu possa deixar. E lá estava o rádio, quietinho.

Virei o cilindro do on/off.

Depois de um pequeno silêncio começou…sem letra…só a melodia… a letra viria a fazer parte (isso bem depois), a  versão tocada naquela noite não tinha as palavras só os vocalises…o rádio não me traiu…

Tell me now is it so don’t let me be the last to 
know
My hands are shakin’ don’t let my heart keep 
breaking ‘cause
I need your love, I want your love
Say you’re in love, in love with this guy, if not 
I’ll just die

Esta letra seria o total paradoxo do momento, não poderia ser mais inadequada. Momento de abandonar. No entanto a melodia sozinha deu conta de deixar tudo simples, tudo leve. E veio.
This Guys in Love With You.
Desde então costumo dizer que esta é a música mais bonita desde sempre. A história se foi. A dor daquele momento nem é de longe a maior que eu tive. Ficaram o chuveiro, o rádio, a melodia…o tempo organizou assim…
Não cabem mais detalhes, são desinteressantes e datados. Hoje apenas tapete de condução para a música.
A canção ficou aqui comigo e reitero:
Fico pensando que a melodia ficaria viajando em falso pelo mundo se não existisse Burt Bacharach.
Mestre!!
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2 comentários
  1. arnobiorocha disse:

    Ricardo,

    No limite, ou nos limites, uma canção nos salva, no liberta de nós mesmos,

    Abraços,

    Arnobio

  2. Cara, a-do-ro Burt Bacharach!!!! Não sei quantas vezes fui feliz e infeliz ao som desses acordes mega-harmoniosos! Bela lembrança, Ricardo!

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