“Amparo”


Você nasceu sem letra e lhe colocaram uma , forraram de significado, quantos significados inventamos pra coisas? De fato, dois bambas deram letra pra você, mas não importa. Desejo-lhe sem letra, sem este “outro” significado colocado após. Veio de um leve sopro final, cordas e cordas, teclas, negras e brancas. Amparo, o nome sugere, serve tanto para este procurado amparo. Música da tarde, da noite, inventada na manhã. 1970, Stone Flower. Que nasceu, não temo dizer, por óbvio, num dialogo de Tom com o mestre Villa, com todos os nossos sons urbanos, naquele clima pós bossa e aquela gravidade, aquela espera para o desvendar da melodia. Amparo.

Zelou por esta tarde, não precisa de letra, não é Maria, tantas marias não tem nome, não é o nome que faz diferença, amparo. Existem músicas que silenciam ruídos, barulhos internos, músicas que suprimem atitudes tresloucadas, vãs, dispersam na lógica da vida e fazem prevalecer a beleza. Ainda que sem nexo, sem motivo no momento, a beleza. Como disse, amparo, não precisa de letra, nasceu completa entre sopros, cordas, cordas, teclas negras e brancas…e silêncios. E que venha a noite dessa música de tardes e manhãs. Feita para filme. Silencia meu barulho interno. Amparo.

 

 

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