As nuvens ciganas…


Meu nome é nuvem, pó, poeira, movimento

No último dia do ano passado caminhei desatento e sem rumo, vagabundo, numa estradinha vazia entre Gonçalves (MG) e São Bento do Sapucaí (SP), chovia. No fone de ouvido o Clube de Esquina de 1972, a calma dando espaço, mato, chuva subindo cheiros especiais ao redor e um céu lindo com nuvens correndo, as tais nuvens ciganas.

Aquele dia prenunciou o ano, as nuvens desenhavam muita coisa (sempre). O disco correu inteiro duas vezes. “Caís”, “Dos Cruces”, “Girassol…”, “Trem de Doido”, “Tudo que você podia ser”, “Trem Azul”…

Reverberou Milton, Lô, Horta, Novelli, Robertinho, Deodato, Guedes, Moura, Alves, Tiso, Tavito…

Era o lugar comum, trilha quase natural da paisagem, era a trilha do ano que ia e do outro que chegava, era a trilha daquela estrada úmida e tímida que abre e fecha em curvas, Minas.

De longe as cidades todas. Naquela estradinha e no último dia do ano eu antevia coisas, estava prestando uma homenagem aos 70 anos do Milton Nascimento e nem sabia. As nuvens ciganas vieram e foram…

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