“A polêmica do Belas Artes”


Os argumentos pró e contra sobre a possível desapropriação do prédio do Cine Belas Artes para que seja feito ali um centro cultural carregam uma estranha similaridade. Nos dois raciocínios há uma visão generalista de política cultural que assusta pela precariedade.

Para aqueles que são a favor da transformação do prédio em centro cultural, a iniciativa supriria uma carência de espaços vivos e ativos na cidade, ainda que os existentes estejam vazios e esvaziados, muitos deles bem próximos do referido. Para os que são contra, a periferia necessita de centros culturais muito mais do que a privilegiada área da Paulista, onde se encontra o referido, o que não justificaria a escolha desse espaço.

Qual a coincidência dos raciocínios?

Ambos se referem à espaços culturais sobre a ótica reducionista da geografia e do lugar que “necessita” pela carência e daquele que “não necessita” pelo excesso . Que política cultural será praticada no espaço tombado, desapropriado e transformado? A mesma pergunta faço: qual política cultural será levada para a periferia em um novo espaço construído? Descentralizar o que é fraco, enfraquece o todo.

Reformar ou erguer um prédio aqui ou ali  e não construir em paralelo uma política cultural consistente que o preencha de sentido, apenas desloca ou mantém prédios e suas ações isoladas, predomina a dispersão e a descontinuidade, no centro ou na periferia.

Prédios sem ações estruturantes acabam sendo episódicos, podem ter seu auge, mas envelhecem, se deterioram, ficam abandonados e a  tal polêmica se reduz aos lugares que existem e estão vazios e os que não existem. O lugar do centro cultural importa menos do que o espaço que os vários lugares e pessoas que neles habitam ocupam e do peso que as mesmas possuem para influenciar na política cultural.

Que tal construirmos novos prédios ou reformamos antigos com uma política cultural para colocar dentro?

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3 comentários
  1. O meu argumento contra a compra do Belas Artes passa pelo fator econômico: é um prédio caríssimo, que demandará um grande investimento para se transformar num centro cultural que, por conta do seu tamanho e conformidade, atenderá muito pouca gente por real investido.
    Este investimento poderia ser direcionado para a compra/construção de outros equipamentos (no centro ou na periferia, isto não tem tanta importância) com maior capacidade de atendimento.
    Como já disse várias vezes, essa celeuma sobre o Belas Artes tem um caráter muito mais sentimental do que de política cultural. E, para o proprietário, só o poder público pode salvá-lo de morrer com este grande mico na mão.

    • Vinicius, como eu disse, sem uma política cultural que estabeleça dietrizes e prioridades, as tomadas de decisão ficam propensas a estes emocionalismos e a outros fatores menos nobres.

  2. igor stepanenko disse:

    Acho o debate interessante, e devemos aprofundar mais a reflexão sobre o destino do espaço onde se situava o Belas Artes,porém, devemos nos ater qual o sentido e significado daquele prédio que abrigou por tantos anos o cinema. A questão de tramnsforma-lo em centro cultural ou não deve vir acompanhado da discussão que passa pela preservação da memória seus sentidos e significados. Quanto a politicas culturais, estas devem ser discutidas com comunidades afins, de forma democrática.
    A todos boa discussão, pois a termpos a cultura não está no centro das atenções como se deve.
    Saudações

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