“A Feira da Kantuta: os bolivianos são os novos baianos.”


Hoje a tarde a caminho do Canindé (pra ver Lusa x Juventus) passei pela feira dos bolivianos, a feira da Praça Kantuta, que rola no Pari. O bairro do Pari fica incrustado entre a Avenida Cruzeiro do Sul e a Marginal Tietê, ali nos arredores o velho CMTC Clube e aquele ar de lugar de passagem rápida.

Andar pé na cidade deixa as coisas mais presentes e visíveis, rapidamente, depois de dois quarteirões da saída da Estação Armênia, na Rua São Vicente, me senti em Cochabamba.

Nesse caminho perfilei com centenas de bolivianos sorridentes e descontraídos, andando em passo rápido. Conforme a feira foi ficando mais próxima, e eu os vi dançando, comendo e foliando no ritmo andino.

Temperos em saquinhos, comidas fortes expostas, frituras, pollos assados, cds e dvds de música local, roupas e enfeites, música ao vivo. Homens, mulheres, crianças com olhinhos puxados e cabelos pretinhos e suas falas cantadas em outro tom.

Eles todos nas ruas em meio às barracas num clima bem distante do andar e do semblante tenso, sisudo e pragmático do dia a dia. Naquele momento, eles deixaram de ser a base da pirâmide dos negócios, na feira eles festejam.

Naquele momento, as ruas não são de passagem rápida para eles; nos domingos das 11 da manhã às 19 eles estão lá e isso deve ser longo.

As ruas com cores de uma América desconhecida. Nesta feira, no seu domíni, são os bolivianos orgulhosos, longe de serem apenas os índios exóticos que mascam coca, dançam chola e têm hábitos estranhos aos nossos. Eles são índios sim, são exóticos, sim, mascam coca, sim, dançam a chola e assim vão ficando cada vez menos estranhos a nós, se misturam.

Em cada época São Paulo recebe, desconhece, ignora, reconhece, absorve e dilui seus desconhecidos. A feira da Kantuta é uma dessas encruzilhadas onde a cidade muda sua sisudez para um sorriso largo, temporário, mais largo.

A cidade cinzenta se colore e se reconstrói. Esta é a cidade que a gente e muitos amam. Cada um no seu tempo e do seu jeito. Os bolivianos são os novos baianos.

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4 comentários
  1. marinildac disse:

    que legal, quando for aí vou visitar!

  2. arnobiorocha disse:

    É um momento de alegria, entre uma semana muito dura, o medo de ser pego, os pilantras que os exploram.

  3. Vera Pereira disse:

    Quando for a SP também vou querer ver essa feira. Deve ser linda. E eu só tinha lido sobre a superexploração a que empresas de confecções submetem bolivianos pobres. Nem sei se são os mesmos, mas se alguns forem, é uma prova de que a alegria de reviver a cultura de seu país os torna fortes, como parecem ser na Bolívia de hoje com seu presidente índio. Bela crônica.

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