“Pílulas de junho de 2013”


Junho de 2013 entra para a história política do país, queiram ou não queiram os contrariados. E há contrariados de todos os lados. O mês citado trouxe um movimento nas ruas e desdobramentos intrigantes em vários aspectos:

– Negou partidos e bandeiras da esquerda ao mesmo tempo que afirmou que a sociedade precisa de mais Estado (saúde, educação, transporte público). Governo e oposição se colocaram em meio às contradições, ambos de forma atabalhoada, mas é inequívoca a visão que cada parte tem do papel do Estado;

– acendeu os movimentos subterrâneos de direita colocando nas ruas o que víamos há muito tempo em sites escondidos nos domínios estrangeiros, ao mesmo tempo que fez a esquerda sair do imobilismo e, timidamente, mostrar algum alinhamento de tendências (partidos e movimentos sociais) em torno de pontos em comum;

– cristalizou um sentimento de contrariedade e repulsa à mídia (concentrado na Rede Globo) dando concretude a movimentos e trazendo à tona fatos que tiraram a emissora do seu castelo de cristal (o laser verde no rosto do apresentador do SPTV ontem foi emblemático; o tema reforma e democratização da mídia, ainda que de maneira difusa, se deslocou do discurso de uma minoria;

– atiçou os pensadores (de diversas tinturas) a tentar entender os movimentos de um país aparentemente sem movimento, as ruas na sua maneira desorganizada, em parte manipulada, mas sem dúvida real, colocou o pensamento crítico em apuros e o tirou da assepsia acadêmica e das fronteiras confortáveis onde se escondia;

– colocou os partidos políticos e políticos na posição incomoda de “Geni” de um sistema de cartas marcadas, tal fato não é novo, mas se diluía em xingamentos genéricos, a classe política assumirá o ônus das mazelas do país ou reagirá? 2014 é um bom termômetro para responder a essa indagação;

– colocou no centro do debate político a reforma política, quem a nega e quem não quer fazê-la ficou defenestrado e os argumentos, se observados com o mínimo de equilíbrio, revelam a radiografia da nossa morosa transição democrática e a lógica e perversões claras e pragmáticas do poder econômico que comanda a agenda política desde de sempre.

Evidente que me fugiram nuances e detalhes. O momento é de expandir fronteiras e sair do campo de proteção, o que induz a erros e amplia as dúvidas. Sem deixar cair na sedução delirante de que a política foi fundada no país em junho de 2013, tampouco dormir no sono embalado daqueles que querem ignorar o que acontece ao redor.

junho 004

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3 comentários
  1. Ricardo,

    Os temas estão bem pontuados, precisamos desenvolver o entendimento sobre cada uma,

    Arnobio

  2. Pingback: SUSCETÍVEL FEBRIL

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