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Arquivo mensal: setembro 2013

Rede é um conjunto de nós interconectados. Nó é um ponto no qual
uma curva se entrecorta. Concretamente, o que um nó é depende do tipo de redes concretas de que falamos.
Manuel Castells

As redes sociais eletrônicas causam impacto e mudam a rotina e a forma de se comunicar de grande parte das pessoas, conectados e desconectados. No entanto, existe uma tendência a exacerbar o grau de interferência da mesma sob alguns fenômenos, ela se transformou em atalhos para análises preguiçosas.

Tomando como base o horror das caixas de comentários dos portais e blogs, cuja agressividade e a polaridade excessiva acabam inibindo a participação dos ponderados, os conscienciosos, e assim, prejudicam a validade, a legitimidade e a efetividade dos espaços virtuais, é muito fácil se chegar à conclusão que a rede deseduca.

Por outro lado, alguns assuntos que hoje chegam rapidamente às redes sociais não frequentavam correntemente os espaços tradicionais de informação, e quando isso ocorria ficavam restritos aos veredictos de “iluminados” sem a devida interação com opiniões contrastantes e sem o espaço para o contraditório. Nesse sentido a rede democratizou o debate.

Vamos tomar como exemplo o debate político: as redes empobrecem o debate político ou o debate político é pobre na sua origem, nas fontes e isso reflete nos seus desdobramentos? Ela agrega vários pontos de vista ou apenas acumula excessiva informação laudatória que satisfaz os diversos grupos?

As indagações acima independente das respostas dadas, mesmo sem serem respondidas acabam demonstrando que as redes sociais não são lugar de relações causais e pré determinadas.

O debate contaminado coloca a política dentro dos assuntos malditos, qualquer que seja o caminho ela resultará em pilantragem, pressuposto que resulta na vulgarização dos argumentos e contra argumentos. As rusgas ideológicas nascem sob o signo da ausência do reconhecimento do outro, se restringem a desejos individuais ou reflexões baseadas em preconceitos e carentes de fundamentação.

É assim que a discussão cai no vazio do “concordo” ou “não concordo” e “amo” ou “odeio”. Nesse caso as redes sociais são veículos de uma ausência anterior, muito anterior a elas: a ausência de fontes confiáveis e da despolitização (que não foram inauguradas com as redes sociais eletrônicas).

Em meio às fontes “confiáveis”  se misturam as fontes viciadas e distorcidas que trafegam pelos espaços virtuais, elas alimentam e retroalimentam as redes sociais, a ignorância  pode se multiplicar. Controlar tudo é impossível, e é melhor que não se controle mesmo, é preciso investir na capacidade de discernimento.

Precisamos lembrar que as nossas fontes são escolhidas por afinidade, experiências práticas, facilidade no acesso, indicação dos circuitos sociais, religiosos, evidente que essa trajetória chega coalhada de carências e potências. Resta saber em que momento estas influentes redes sociais eletrônicas exacerbam. inibem ou dão equilíbrio a essas carências e potências.

O exemplo da política é apenas um entre tantos, poderia ser esporte, religião, costumes, artes, etc.

É o velho dilema da sociedade da informação: em que momento a informação base se transforma em conhecimento, circula e volta a ser informação? O que fazemos com os dados brutos que recebemos? Com quem trocamos, com quem interagimos, onde é que checamos seu valor e verossimilhança? De onde eles vêm? Eles moldam, alteram ou apenas reforçam nossa forma de pensar?

Redes sociais são meios onde passam milhares de informações, confiáveis, absurdas, instigantes, inócuas, criminosas. Existem outros locais onde essas informações circulam e as pessoas trazem consigo esta experiência, a diferença é que a rede social é o janelão defenestrado, basta um login para que acessemos a “paspalhice alheia” e a nossa loquaz “genialidade” e ambos podem resultar num grande mal entendido.

Será que estamos realmente dispostos a mudar nossos pontos de vista ao trafegar “nesse mundo”? E não é esse também uma extensão simulada do nosso “verdadeiro mundo”. Quando e onde se inicia o mundo real e começa o virtual, até que ponto queremos mantê-los, mudá-los ou mesmo misturá-los, eles são de fato separados?

Informação é poder e nos resta saber quando a usamos como verbo ou substantivo abstrato.

 Ones and Zeros Extending into Distance

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Hoje eu queria
apenasmente escutar
Besteiras meu amor
Ouvir canções ingênuas
Como as que cantaram um dia
O Roberto e o Erasmo
Dizer do espanto e do espasmo
De alguém como eu
Quando ouve música
Principalmente quando
Insiste nessas coisas
Que você faz muito bem
Em não compreender
Quem vai lembrar você?
Quem lembrará de mim?
O que será de nós?

 

Sergio Sampaio sintetizou sua paixão por Roberto Carlos (e a jovem guarda), pelo samba e choro (influências do pai) junto a uma visão lírica e amarga através de suas letras. Veio na esteira do pós tropicalismo, ditadura, barra pesada, drogas e a busca por um mundo outro.

Sergio é mais um que leva o rótulo fácil e preguiçoso de “maldito”, menos pela música do que pela não aceitação do mercado. A música é como disse no começo, uma mescla das coisas populares desse país.

O capixaba Sergio Sampaio foi um dos grandes da música brasileira.

sergiosampaio

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