Wilko Johnson, vivo.


No final de 2012, Wilko Johnson foi diagnosticado com câncer no pâncreas. Wilko, guitarrista e fundador do Dr Feelgood, seminal banda inglesa, ponta de lança do pub rock, movimento que deu inspiração ao punk por conta do som cru, básico e urgente.

Quando eu soube da doença de Wilko Johnson pensei em escrever um post sobre a sua marcante decisão de abrir mão do tratamento (radio e quimioterapia) para sair em turnê nesse ano de 2014 e aproveitar o pouco tempo de vida para fazer o que mais gosta: subir num palco e tocar. Tocar para viver um ano de alegrias e abrir mão de um tempo maior de vida, mas também de ostracismo. Vacilei, não escrevi o texto à época.

No último dia 05, Kiko Nogueira do DCE (Diário do Centro do Mundo) escreveu sobre – http://www.diariodocentrodomundo.com.br/ele-e-guitarrista-ele-esta-morrendo-de-cancer-e-ele-esta-em-turne-com-sua-banda/ – agiu mais rápido.

Dr Feelgood para quem conhece os desdobramentos do rock setentista não é uma banda tão obscura assim, eles eram idolatrados pela molecada que deu o ponta pé inicial no punk rock, pela simplicidade, pela performance – Wilko inspirado em Chuck Berry nos movimentos de palco e pelo guitarrista Mick Green (Johnny Kids and Pirates) na forma de tocar – os shows eram concorridos e intensos, repertório baseado no blues e rock and roll.

Wilko tocou com o Dr. Feelgood no período de 1971 (fundação da banda) até 1977 (sintomaticamente o ano de explosão do punk rock), logo depois saiu em carreira solo.

Os outros integrantes da banda eram o cantor Lee Brilleaux (que morreu também de câncer em 1994), o baixista John Sparks e o baterista John Martin, todos eles do delta do Tâmisa em Canvey Island, Essex.

Wilko Johnson é um cara bem humorado, com os olhos estalados, agitado e falante, um desses jukebox man, que andam com um repertório de r&b, rock, blues embutido no corpo.

Em entrevista ao The Guardian, ele afirmou que ao saber da doença terminal  teve uma sensação de euforia e libertação (ele é um depressivo diagnosticado), e pensou que na sequência viria uma tristeza profunda , felizmente ela não veio e foi então que decidiu trocar o tratamento pela turnê.

Wilko está vivo, com 66 anos, toca a sua guitarra, participa de programas de TV e vai a pubs como um inglês de verdade. Uma longa e luminosa história no rock and roll, e na despedida não abre mão dos staccatos e das frases secas tocadas sem palheta de sua guitarra.

Long Live to Wilko Johnson. Aqui um vídeo gravado por um fã em Glasgow, 2013:

Wilko-Johnson-padece-cancer-terminal

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1 comentário
  1. Ricardo,

    Mais uma daquelas histórias que dão sentindo à vida. Fiquei entre a emoção e o choro.

    Arnobio

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