“Futebol brasileiro: o passado que não ensina e insiste”


O que 18 de dezembro de 2011 tem a ver com o dia de ontem, 08 de julho de 2014? Tudo, foram dois avisos para o futebol brasileiro.

Em 2011, 18 de dezembro, Santos e Barcelona se enfrentaram em Yokohama, Japão, pela final do Mundial de Clubes, o time espanhol ganhou de quatro a zero e sobrou em campo.

Em 2014, 08 de julho, a seleção brasileira desmonorou diante da seleção alemã no Mineirão pela semifinal da Copa do Mundo.

Tentamos traduzir, elaborar, organizar a derrota, o pathos da cancha, da grama, da bola, quem perdeu, quem se ausentou, os culpados, os esquecidos, os heróis.

Em geral as narrativas sobre o futebol brasileiro são variações sobre o mesmo tema: uma exaltação exacerbada das vitórias mesclada a um derrotismo sempre pronto a negar tudo.

O que acontece é que tanto derrotas como vitórias não nos servem para nada. Tamanha a excludência dos sentimentos e das experiências. As lições não se acumulam, saímos sempre do zero e para ele voltamos.

O nosso futebol é barroco, nossa alma boleira é barroca. Anda a esmo procurando seu nexo. E nos intervalos gloriosos ou humilhantes, os mesmos sabujões mudam de pele e seguem controlando o futebol como se ele fosse uma medíocre linha reta.

Três anos separam o jogo do Santos contra o Barcelona da tragédia entre Brasil e Alemanha e nesse interstício a mudança mais significativa e emblemática em nosso futebol foi a substituição de Ricardo Teixeira por José Maria Marin ( o homem que roubou a medalha) na CBF. A
prova clara de que lições não nos servem para nada.

A CBF não é o ovo, nem a serpente, mas o próprio veneno inoculado sem intermediários, um pesadelo que gera erros, escândalos e que cria uma rede perversa de personagens deletérios e cumplices, coveiros da bola brasilis.

No campo, muricys, felipões, tites, parreiras, a prosódia bufa se repete com pequenas variações, o ritmo é enfadonho, linear, pouco se inventa, e não adianta esperar o milagre do sorriso ou cura da vértebra agourenta de Neymar, sozinho ele não rima, ele não completa a sua solidão épica.

Neymar é nosso emblema, um travo de beleza, de sobrevivência, esteve, sim, no estádio japonês em 2011 com o Santos e ontem foi a ausência da Seleção. Ausente ou presente ele parece aguçar nossas ilusões.

Culpar Neymar? Longe disso, não se culpa a poesia por ser triste. A praxis do futebol desenha heróis e descarta derrotados. Neymar é vitorioso, derrotada é a nossa excludência, nossa incapacidade de aprender com o acúmulo de júbilos e amarguras.

Os quatro a zero que o Santos sofreu em 2011 e os sete a um da Seleção na bazófia de ontem compõem uma peça só e não foram apenas títulos perdidos.

Se  for continuar o texto vou me repetir, a circularidade me acossa, temos que reinventar o nosso futebol, abreviar os intervalos e reter lições, não adianta apenas olhar o passado quando o passado segue tomando as decisões.

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