“A transparência do novo”


Acredito que passou da hora (se já não é tarde para tal) de acabar com a hipocrisia e assumirmos que nos últimos anos ajudamos a reduzir a política a um debate moralista com poucos espaços para avanços. A mídia fomentou, os vários atores políticos engendraram e o Governo entrou na onda com conivência.

Marina Silva é  um dos resultados disso. Ela mistura em seu discurso vários ingredientes que apontam para o retrocesso. Ortodoxia economica, Estado inexistente e uma proposta de  democracia direta que pode agradar a quem não lê nunca as letras miúdas das bulas, mas que não resiste a um olhar mais detido.

Marina não é neoliberal?  Claro que não, ela é ultraliberal. O tal Estado Mobilizador, balbuciado pela ex senadora acreana ontem no debate, nada mais é do que a sobra do quiabo que o tal tripé da econômia (controle da inflação, superávit primário e câmbio flutuante) aufere ao Estado. É o aprofundamento da ortodoxia.

No que se refere às ações sociais, o intrigante discurso propõe não o Estado mínimo, mas o Estado ausente e o que é pior, com os representantes eleitos reféns de uma equipe econômica que concentra todos os poderes, André Lara Resende não foi chamado à toa, o capital não vacila.

E a tal democracia direta que ela apresenta como proposta? Pelo o que se consegue retirar do que tem de vago, é o encurtamento do caminho entre o poder central e o opinionismo da população, sem as instâncias constituídas, com a mitigação dos poderes constituídos do dia pra noite e sem reforma política estruturante. Isso me soa a personalismo e autoritarismo travestido.

A tônica moralista e os conceitos explicados ligeiramente, sem aprofundamento, são características da despolitização. É o mesmo que juntar as palavras de ordem de junho de 2013, descontextualizadas, embrulhadas num pacote pomposo e discursadas com cinismo. O novo.

O que está claro no discurso de Marina Silva, até o momento,  é sua opção pela ortodoxia econômica – sempre houve indícios , desde o PT, o grande aliado dela é Tiao Viana, o que existe mais a direita dentro do partido – a grande “novidade” é que ela resolveu aprofundar a ortodoxia, se adaptou aos novos tempos, e se juntou a gente graúda nesse campo

Dentro desse quadro, será que o PT finalmente optará por um discurso mais à esquerda, que apresente uma distinção, ou vamos perder operando num espaço onde nunca fomos aceitos e despolitizando mais a política?

marina

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