“Intolerância”


“Há alguns anos(muitos)  presenciei um rapaz sendo agredido por oito covardes nas proximidades do Pacaembú. Era um sábado à tarde, pós jogo, e o motivo do ato de barbárie: usavam camisas diferentes. Inesquecível e repugnante.

Naquele momento havia um debate sobre a violência no futebol o que gerou muita conversa, demagogia e resultou em início de carreira política para um ou dois promotores públicos oportunistas e exposição na mídia para outros tantos personagens deprimentes. Hoje, a violência no futebol saiu dos estádios e ocupa (intensamente) as ruas escuras bem longe dos holofotes. Nada se resolveu.

Nos últimos dias tenho ouvido relatos de que pessoas estão sendo insultadas, e em alguns casos agredidas, por estarem usando camisetas, broches ou adesivos, com dizeres pró Dilma ou PT. De olhares rudes a assassinatos (no Paraná), assumir um posicionamento político tem gerado reações violentas.

Não é vulgar lembrar que toda intolerância é construída, que sua intensidade e capilaridade, escapa da origem e do motivo inicial e depende do uso que a sociedade faz dela, pode resultar em algo incontrolável. A naturalização da intolerância transforma atos barbáros em efeito colateral e “ações isoladas”, assim, distorcemos o todo.

Na política, supostamente, está o momento de se organizar os conflitos, de construir pontes, e de se interpretar e fazer interagir as diferentes narrativas. Quando o momento político, do debate, da escolha degenera em agressão, insulto e violência, o alarme deve soar.

Não foram poucos os momentos da história que embates políticos resultaram em violência física e verbal, há muita coisa em jogo, luta de classes, interesses excludentes, os rumos de uma sociedade, pontos de vista sobre assuntos capitais etc.

O que assusta é a violência resultante de desconhecimento, fomentada por falácias, meias verdades, distorções, interpretações doentias, balizada por motivos vulgares e cujo o foco está longe de contemplar, inclusive os interesses e necessidades básicos de quem as pratica. Alienação pura.

São nestes casos que o “debate” eleitoral se alinha com a história dos oito covardes chutando a cabeça de um torcedor adversário que presenciei anos atrás, produto de ignorância, desconhecimento, manipulações e mentira e se convertendo em mero linchamento.

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