“Muito mais do que feiras…”


Tenho tido algumas alegrias nesses anos de vida profissional e militância na área do livro e leitura. O trabalho em biblioteca e vários lugares de leitura, com pessoas, livros se traduz em experiências para além das histórias registradas, elas são vivas, presentes e me transformam. Esse transformar é o oxigênio necessário para prosseguir e lutar por aquilo que mais acredito que é a construção de políticas públicas para o livro, a leitura e a informação.

Eu sei que isso não é um consenso, sei que muita gente não acredita por convicção, descrença ou ignorância no que é público, que concebe o Estado e suas ações como negativo em si, existe toda uma lógica de quem sempre vence que compele as pessoas a pensar assim, é poderosa a persuasão negativa. Porém, é preciso estar aberto a entender a disputa que existe dentro e em torno do Estado, e essa disputa tende sempre a punir àqueles grupos mais frágeis e alijados por questões economicas, de gênero, raciais e políticas.

Só há uma forma de equilibrar essa disputa, e ela vem da força dos coletivos e da articulação desses grupos que revelam uma cidade que maioria desconhece ou faz questão de ignorar, cidade que escreve, que lê e que estimula ler, que resiste, cidade dos saraus, escritores, professores, bibliotecários, mediadores, educadores, editores independentes, militantes, de gente anônima que faz o que faz por que tem fazer, faz à revelia da precariedade, mas faria melhor se fosse contemplado por políticas públicas.

Para voltar a falar de satisfação, essa semana estive em duas feiras literárias que aconteceram na cidade de São Paulo, nelas participei de mesas para debater políticas públicas do livro e leitura. Na zona leste o debate aconteceu na Biblioteca Comunitária Solano Trindade e foi parte da Feira Literária de Cidade Tiradentes organizada pela Biblioteca de Direitos Humanos/Secretaria de Cultura, na zona sul rolou na Praça do Campo Limpo, na Feira Literária da Zona Sul, organizada pelo coletivo Sarau do Binho.

Nos dois casos pude constatar aquilo que já conhecia em tese e através de outras experiências : a força dos coletivos de escritores e leitores das áreas periféricas de São Paulo. Não foram feiras de consumo reféns do mercado, que se encerram em si, antes de tudo foram espaços de reflexão sobre uma produção poderosa e contra hegemônica, o que deu maior sentido à sua exposição para uma parte da cidade que insiste em ignorá-la.

Faz um ano e alguns meses que venho desenvolvendo como assessor parlamentar um trabalho para construção do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de São Paulo (Projeto de Lei do Vereador Antônio Donato) que está prestes a ser aprovado na Câmara Municipal, período onde conheci gente, fiz amigos e entendi as táticas e a lógica de sobrevivência de quem escreve, fomenta leitura e forma leitores em São Paulo, tempo de aprendizado e troca.

Espero que após essa semana de ápice e satisfação possamos assistir, conviver e compartilhar novos avanços desse trabalho coletivo que torna a cidade mais diversa e plural, e que venham mais feiras que representem muito mais do que feiras. 

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3 comentários
  1. Paulo Roberto Stockler disse:

    Sucesso, meu camarada!

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