“A indistinção”


Morar na rua é cruel, a rua não dispensa tratos específicos, ela não faz mediações. Já falaram de homens cinza e de seres invisíveis, pode ser adequado ou não, são apenas palavras. É impossível definir o qual é esse nome quando se tem teto, chuveiro e travesseiro. 

Moro no Baixo Augusta, a região é repleta de moradores de rua, fixos e transitórios. Cada um com seu jeito de lidar com essa indistinção. Uma maneira de tentar não ser indisto com eles é  cumprimentá-los no dia a dia, alguns gostam, outros ignoram afirmando a indistinção. 

São mulheres, homens, cabelos, semblantes, marcas de vida, um ponto em comum é o olhar perdido e o pragmatismo de tentar o básico do dia a dia, copo, prato, saciar a fome ou o desejo de torpor.

Na esquina de casa tem uma senhora que usa um canteirinho de jardim do Santander como cama, um espaço exíguo, desajeitado, mas é ali que ela conformou seu jeito de esquecer o mundo por algumas horas. 

É triste, dura e indista a calçada, e são várias imagens e histórias que imaginamos para tentar romper essa indistinção. O fato é que a rua é de quem é da rua e quem passa apenas olha. Penso aqui, á sombra do meu conforto, a quem protege essa indistinção?

  

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