“O que faço da música”


Saturday sun
Brought people and faces
That didn’t seem much
In their day
 
Nick Drake

Algumas vezes posto aqui  músicas de artistas desconhecidos, obscuros e esquecidos. Talvez, possa parecer pedantismo ou aquele desejo de distinção que o Pierre Bordieu fala, o desejo de expor o “capital cultural”. Não, tá longe disso, é muito mais vital.

A música funciona na minha vida como um diário não escrito, serve para descrever as paisagens, as miragens, os pesadelos, sonhos, os desejos, as fugas, a fragilidade de não saber se expressar suprida por palavras e notas musicais alheias. É um jeito de dizer, de doar ao outro (mesmo que o outro não saiba). É a vida contada em trilhas muitas vezes tortuosas, exóticas, esquisitas…

Ouvir as músicas é um exercício de me desemparedar, de dizer mais do que posso ou que quero dizer, de entender melhor o que sinto. O paraíso do tom menor das músicas tristes, o peso e a dureza, os versos achados pra cada momento, as redenções de 3 minutos no formato pop, as longas odes à danação, as viagens que duram décadas, a violência vertida em batidas e três acordes. Tudo isso a música oferece e retira.

Portanto, não há gesto mais oportuno para encher o nosso silêncio interno do que recompensá-lo com uma música que nos eleva. Tudo isso pode se expressar numa canção que fala simplesmente sobre um sábado ensolarado…

 

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