“Os silêncios”


Não são apenas a truculência, os desmandos e a violência que constroem os golpes e consolidam as ditaduras. Uma ditadura se fortifica, se legitima, se consolida com silêncios.

Há vários tipos de silêncios que fazem a liberdade, os direitos e a democracia se extinguirem em meio aos gritos, aos impropérios e às bravatas dos regimes de exceção.

O silêncio do medo, o silêncio da isenção, o silêncio da covardia, o silêncio da conivência, o silêncio da ignorância, o silêncio da dúvida, o silêncio do escárnio, o silêncio da cooptação.

Aos poucos, esses silêncios relatados criam um grande vácuo que vai sendo substituído por um ruído intermitente e violento, que se consolida e pode se transformar numa longa noite autoritária de ruas vazias e lares amendrontados.

A construção da narrativa do golpe no Brasil de 2016 está em pleno curso, se nos calarmos agora, o silêncio que se segue pode deixar de ser opção e se transformar rapidamente em única alternativa.

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