“Contra golpe”


Não há argumentos contra o golpe em curso. São todos vãos. A plutocracia já decidiu como seria o golpe e colocou o plano em prática. Para tal, usa corruptos para julgar, psicopatas para acusar e inocentes úteis unidos a cínicos e mau caráteres com altos índices de deficit civilizatório para defender no cotidiano.

Não dá pra falar em analfabetismo político, nesse contexto seria um misto de condescendência e subestimação, para julgar pessoas que sabem exatamente o que estão fazendo, incluindo os inocentes úteis.
Claro, existe a massa conivente, aquilo que Jean Baudrillard um dia chamou de “sombra das maiorias silenciosas”. O tal silêncio é produto de vários fatores: da luta de classes que foi falseada por um governo de conciliação, de uma despolitização difusa, de nossa tradição cordial e contraditoriamente vingativa, da falta de participação política, do machismo (lembrem-se é uma presidenta), do personalismo dos opositores, e por que não, do personalismo dos aliados.
Não, constatar o golpe não é jogar a toalha, nem é ser complacente com aqueles que estão solapando o meu direito de votar, escolher e defender essa escolha, constatar o golpe é tentar entender exatamente o por que dessa narrativa farsesca estar sendo naturalizada no dia a dia. Estamos a poucos passos de enterrar mais um capítulo da nossa frágil democracia e alguns erros se repetem.
Não se busca solução, nem combustível para um contra golpe vociferando contra as mazelas de nossa plutocracia, tampouco bradando e invocando a teoria do “espírito das leis” de Montesquieu, nem esperando comportamento republicano de onde a republica nem chegou, a solução passa primeiro pela admissão sincera dos erros, apenas isso inicia verdadeiramente um novo processo, no mais é luta, luta essa muitas vezes inglória, e aparentemente sem efeito, todo reinício é assim.
É hora de reatar diálogos, de expandir círculos de debate, de olhar para aquilo que é estruturante e muitas vezes desprezado, que dá base e lastro para um nova caminho, a política cotidiana renova sua importância. Os plutocratas golpistas nunca saíram do seu lugar, o momento é de marcarmos nossa posição com luta e discernimento e renovarmos os nossos lugares.

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