“O falso fim da Cracolândia”


“A cracolândia acabou hoje – esbravejou o prefeito Dória, perfilado ao lado da PM, GCM, GOE, DENARC, todos os braços do aparelho repressivo do Estado no meio do fluxo em ação conjunta com o governador Alckmim.
Bombas, cassetetes e medo espalhados para tratar os adictos e o povo de rua. Na retaguarda, socorristas, assistentes sociais e outros poucos profissionais da reparação de danos. Pancada, descaso e excludência. É o destino triste dos nossos irmãos de rua.
É patente o método: dispersar, destruir, recolher os pertences, prender supostos traficantes e fazer valer a palavra da sua cidade linda para a banda rica. O higienismo muda de operador, mas é o mesmo que reina absoluto nos corações e mentes da nossa elite desde o século XIX.
A mídia sabia de tudo e estava de plantão desde as 6:30 da manhã, ajudando a construir a narrativa triunfalista do prefeito exterminador. Prisão de traficantes (sem maiores explicações de que tipo), mais prisões sem qualificação específica, destruição de hotéis e, por fim, o enterro do “Programa Braços Abertos” iniciado na gestão Haddad.
Agora é a “Redenção” da Internação compulsória ou vaza daqui. Todos os motivos contingentes que levaram essas pessoas ao uso da química e ao abandono nas ruas são restritas ao confinamento e a medicação, no mais é o abandono.
Dória recebeu 53% dos votos dos paulistanos para fazer pirotecnia? Dória que brada diariamente o Estado Mínimo, não abre mão do aparelho repressivo do Estado para varrer pessoas e problemas de saúde pública?
A Cracolândia é o sintoma mais contundente e visível da ineficiência gerada pela falta de uma política de Estado e na insistência por uma política de Governos que una saúde, segurança, educação e cultura.
Esse é o dilema de quem defende as políticas públicas e consegue enxergar para além das restrições impostas pela guerra cega entre público x privado: a perseguição de uma política de continuidade.
Dória, como qualquer prefeito, um dia passará. Mas há um legado, que pode ser de vida ou de morte, de lassidão ou de esperança. E como ele próprio disse hoje: isso é apenas o começo.
A foto e do Globo

(Postei pela dureza que expressa)

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