“Santana”


– Joguei na base da Lusa em 1980, 1981, eu era muito boêmio e não deu em nada – Santana sorriu acanhado pra disfarçar o dissabor.
Abordei o Santana na esquina da Major Sertório com Cesario Mota Jr, no coração da Vila Buarque. A camisa da Lusa foi o chamariz.
– Derrubaram a gente, mas vamos resistir – falei num tom otimista.
– Claro, a Lusa é muito grande – respondeu o amazonense de Manaus que veio pra São Paulo tentar a sorte no futebol no final dos anos setenta do século passado.
– Vi grandes times da Lusa, todos com o jeito de jogar que vinha da base, da escolinha, bola no chão, jogo leve, bonito de ver – os olhos do Santana foram longe.
O papo de futebol coloriu a minha tarde de folga, papo puxado nas trombadas da vida com gente que você nunca viu, que tem histórias e casos pra contar. Gente da rua, do corre da cidade.
– O Canindé era minha segunda casa, não tenho origem portuguesa, sou nortista, mas esse time me encantou, eu nunca vou torcer pra outro time, time escolhido é pra vida toda. – o velho e bom amante do jogo de bola.
Apesar do dia de folga eu não tinha muito tempo, nem Santana, meu novo e instantâneo amigo, que parecia aflito pra chegar em algum lugar.
– Agora eu tenho que correr mais porque a grama secou e o campo é de terra, tô desempregado e tal, vou nessa, um dia a gente se vê no Canindé.
– Valeu parceiro.
Lá foi o Santana centro da cidade a adentro levando suas histórias e paixões. É por causa desses personagens que a Lusa nunca vai acabar.

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