“Fim das bibliotecas públicas”


Leio e presencio com frequência debates sobre o esvaziamento das bibliotecas, em especial as públicas.

Discursos, ilações, textões, memes, máximas, até alguns discursos acadêmicos.

E tome chute.

É um tal de "Biblioteca Pública não tem mais sentido", "a internet e o livro digital esvaziaram a biblioteca", "biblioteca tem que ser centro cultural", temos que ressignificar as bibliotecas", "profissionais da informação tem que isso e aquilo".

O blá-blá-blá sempre se encerra sem uma resposta objetiva: esses críticos, julgadores, futurólogos e doutrinadores frequentam bibliotecas públicas? A resposta pra essa pergunta muda muita coisa.

Trabalho numa biblioteca no centro de uma grande cidade.

Ela tem acervo renovado e completo, composto por uma política de formação de acervo? Não.

Ela tem número suficiente de funcionários para atendimento? Não.

Ela tem atividades de formação de leitores que cobrem todas as faixas etárias? Não.

Ela sofre com todos os problemas e deficiências decorrentes da ausência de políticas públicas continuadas que sofre qualquer biblioteca pública.

Trabalha aqui uma equipe pequena e aguerrida formada por bibliotecários e outros profissionais, com defeitos e virtudes de quem atua no serviço fim de uma biblioteca: o atendimento.

O que intriga e contradiz os apocalípticos é que atendemos uma média de 700 pessoas por dia, nesse mês, até a presente data fizemos 375 carteirinhas para empréstimo de livros. Não é pouco.

Os frequentadores retiram de tudo: filosofia, literatura, exatas, sociologia, política, quadrinhos, esportes, etc, além dos diversos usos que a população faz da biblioteca para estudar, ministrar aulas (professores de línguas usam o espaço para aulas individuais e em pequenos grupos), crianças com país, acesso à internet, grupos discussão (vários temas) e para espaço de encontro e convivência. Devo ter esquecido várias formas de uso.

O público faz uso desse espaço público. É um serviço público e totalmente gratuito.

Não, esse não é um post triunfalista. Falta muito e muita coisa tem que melhorar aqui na Biblioteca Monteiro Lobato de São Bernardo do Campo, mas morta decadente e sem pertinência social ela não está mesmo.

O que sugiro é que ao invés de falar e julgar a distância, que os doutos especialistas em "fim de bibliotecas públicas" venham visitar in loco seu objeto de crítica e se possível, deixar uma contribuição com o seu brilho e assim ter uma oportunidade de olhar de perto a realidade.

Biblioteca Pública, lugar de leituras.

#bibliotecapublica #cienciadainformacao # #mediacaodeleitura

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