“Que maldito o quê”


"Sampaio – Mas você acha que te consideram maldito, ainda?

Melodia – Eu sou maldito. Sou cria do Morro do São Carlos. Não reparem nisso, não! Cria do Morro do São Carlos. Já antes de fazer música, antes de tudo, todos os quilombos já eram malditos. Então, pronto! Só que faço música. Acho que faço músicas legais."

O Dafne Sampaio e uma turma boa turma mantinham um site de entrevistas chamado "Gafieiras" no comecinho desse século, saudade. O trecho acima é de uma entrevista do Luiz Melodia no Gafieiras em 2002. A resposta ao rótulo de maldito.

Maldito é o país que nutre essa pecha de malditos, que cultiva exclusões.

A música brasileira é quase toda negra. O que não é deve tributo. Dizer isso não é resgate ou concessão, é puramente se reportar aos fatos. Os compositores negros de Joaquim Callado a Emicida fizeram a forma e a forma da música brasileira.

Rotular os malditos é uma oportunidade da indústria colocar na caixinha quem não se entende dentro dela. Itamar Assumpção vociferava, Macalé manda se lascar, Melodia na resposta acima até que foi doce.

Em dado momento (anos 80, 90) falar de maldito era charmoso, só não combinavam com o artista. Maldito não tocava no rádio , como falar disso hoje?

Nunca mais usei o rótulo maldito, muita gente insiste. Com a morte de Melodia essa discussão retornou. Passou da hora de parar de amaldiçoar nossa gente.

Foto do Dafne Sampaio

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