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Musica

Essa Rosinha é de Valença porque foi nessa cidade do interior do Rio de Janeira que em 1941 ela nasceu.

Rosinha de Valença está entre as grandes instrumentistas da música brasileira. E esse título não é pouco para uma mulher num mundo machista e excludente que o universo da música só faz confirmar.

Rosinha não foi apenas excelente instrumentista, foi solista, band leader e o seu jeito de compor e tocar violão foi uma das matrizes que impulsionaram a bossa nova e a moderna música instrumental brasileira.

Aqui, uma composição de Rosinha de Valença, num genial duo com o não menos excelente violonista curitibano Waltel Branco.


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Antigamente eu morria

antigamente eu amava,

antigamente eu sabia,

qual é o chão que resvala

se o passo da gente pesa.

Hoje que sou homem leve,

sem dinheiro, sem altura, 

e tenho a boca entreaberta,

olhando o incêndio do mundo,

vejo a certeza mais certa:

eu cavo sempre no fundo!

(trecho final do poema “Antigamente”)

Eu sou um cara envergonhado. Sim, eu falo pelos cotovelos, defendo as minhas ideias até o fim, mas tenho meus instantes de timidez e eles aparecem sempre. Nunca tinha participado ativamente de um sarau. Tenho na memória vários trechos de poemas, pedaços de contos dos outros, e até contos meus, que poderiam ser lidos pela vida, mas e a coragem? O dia veio de participar veio…e veio recheado de surpresas.

Foi no Centro de Formação do SESC que eu falei o meu primeiro trecho de literatura, que fiz  uma leitura em um sarau. Claro, que tinha que ser um trecho do João Antônio, o escritor paulista que me deu o tino para ler e amar literatura cada vez mais na vida. Mas o dia que eu li pela primeira vez literatura num sarau foi dia mas importante que a quebra da minha timidez, demorei um pouquinho pra sacar.

O tal sarau do meu debut era pra fechar um seminário, que teve gente forte que faz e debate literatura – Seminário de lançamento do livro “Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil” – organizado pela Cidinha Silva, intelectual, escritora e militante das causas do livro e leitura.

E tava eu lá no meio de gente bamba como professor e crítico Mário Medeiros Silva, da professora e pesquisadora Mariana Assis, da escritora e pesquisadora Esmeralda Ribeiro, da psicologia Maria Aparecida Bento, da socióloga Neide Almeida, da escritora Miriam Alves, do poeta e ativista Ruivo Lopes, o convite para participar foi da Bel Santos Mayer, psicopedagoga e formadora de mediadores de leitura. Dia de honras, dia de descobertas.

Como disse a descoberta não foi no meu debut, ela veio no final de tudo, foi no fechamento do sarau de fechamento do seminário, liderado pela escritora Raquel de Almeida e pelo Ruivo Lopes, e não foi na hora que eu falei um trecho do conto “Meninão do Caixote” do João Antonio, não foi na minha estréia, foi na intervenção da Neide Almeida que falou bonito um poema chamado “Antigamente” do escritor, jornalista e ativista do movimento negro Oswaldo de Camargo. Tinha ouvido falar muito e lido esparsamente a obra do Oswaldo, mas certamente nunca tinha o recebido de forma tão lírica e bonita e tão cheio de possibilidades…

E me ocorreu uma ideia, primeiro pensei, ruminei e rápido compartilhei, de primeira ali no dia com a própria Neide, depois, pelo telefone com o jornalista e parceiro no Grupo de Trabalho do PMLLLB (Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca), Flavio Carrança. Logo, eu cheguei no editor da Ciclo Contínuo (relevante editora da produção negro brasileira), Marciano Ventura, que já havia sido parceiro numa homenagem à escritora Maria Carolina de Jesus, que fizemos na Câmara Municipal em 2014, e, coincidência ou não o Marciano estava justamente terminando de editar um livro de memórias do Oswaldo, fechamos nova parceria, a ideia…iluminando.

Enfim, a ideia seria homenagear o Oswaldo de Camargo com o título de Cidadão Paulistano, um consistente título, para um dos fundadores do Movimento Negro Unificado, para quem contribuiu para a consolidação da imprensa negra, para um dos líderes das associações de negros nos anos 50, para um homem que publicou, debateu, influenciou e lutou muito para consolidar a literatura negro brasileira, como ele mesmo diz, um persistente que faz política com delicadeza, e com isso conquistou muitos avanços. Tudo a ver com a construção do Plano do Livro e Leitura.

Burilei as formas de fazer junto com o Marciano, dividi as ideias com a minha companheira de trabalho, a Lucinha (que abraçou com carinho a parada), consultei a nossa coordenadora do gabinete , a educadora Cida Perez, que levou o assunto ao nosso chefe, o Vereador Antonio Donato , ficou devidamente topado. A história de Oswaldo de Camargo e o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca, eram complementares, um homem de luta junto da luta por uma política pública para a democratização do livro e leitura na cidade, da qual o próprio já é cidadão ativo há muito tempo, mas carecia de uma homenagem, uma afirmação, uma celebração.

Na essência foi a literatura, a leitura e a política que fizeram culminar esse dia, foram elas que rechearam o primeiro papo direto que eu tive com ele na Galeria Metrópole para acertar detalhes, ali no centro da cidade que o homenageou ontem. Na ocasião  os olhos dele brilharam e entenderam que era mais que uma homenagem pessoal,  os meus também é muito provável, as afinidades eletivas que construíram esse encontro e deram razão à homenagem.

Vicejaram as forças e passados alguns meses, veio o dia de ontem, 27 de outubro de 2015 chegou para o Oswaldo, aliás, chegou para muita gente que esteve no Salão Nobre da Câmara Municipal para fortalecer a homenagem ao escritor Oswaldo, sua comunidade de ideias, ativismo paixões e causas em comum.

E o dia especial da outorga foi recheado de luminares da literatura negro brasileira, estavam lá praticamente todos que eu citei acima, somados aos escritores Abelardo Rodrigues e Luiz Silva (Cuti), a poeta cubana Mirta Portillo, ao poeta e rapper Fuzil Deeanto,  às pesquisadoras e profundas conhecedoras da obra e importância de Oswaldo, Moema Parente Augel e Ligia Fonseca Ferreira, o pesquisador Ricardo Riso, aos filhos e companheiros de trajetória do associativismo negro, da igreja católica…tanta gente que eu possa ter esquecido, mas que não esquecerá esse dia, Oswaldo é de fato um elo inter geracional de múltiplas linguagens.

Tentei contar aqui uma pequena história dentro de uma grande história. A historia de Oswaldo de Camargo que fez historia e ajudou a consolidar a história da literatura negro brasileira, que é parte grande da história da literatura e que vai marcar a história dos livros e das leituras desses tantos nomes que eu citei e de tantos que ficaram de fora pelas falhas de memória e esquecimento, mas estão vivos na luta que que homens como ele estabelecem pela diversidade inclusa apenas nas grandes histórias das letras e de vida.

Inezita Barroso morreu à véspera do dia da Mulher. Foi uma mulher valente, criadora, multiplicadora, ativa. Filha de elite quatrocentona paulista, conviveu com os caipiras, com o povo, se interessou pela cultura popular, sem o olhar do vampiro colonizador.

Se misturou bebeu a marvada e cantou, cantou muito junto com o povo. Inezita era bibliotecária (honra ser seu colega), mas antes de tudo era uma grande fomentadora, divulgadora e criadora da nossa cultura e do nosso patrimônio cultural.

Gravou oitenta discos, perambulou pelo Brasil (à luz do mestre Mario de Andrade) cantando, pesquisando e se encontrando com os nossos griôs, com os autores desconhecidos e fez uma obra de obras.

Viva Inezita Barroso, viva o Brasil que pulsa, que cria, que inventa e se reinventa. Viva a Mulher Inezita, honra de todos nós, ela representa a antítese do Brasil que odeia o Brasil.

Ignez Magdalena Aranha de Lima (São Paulo, 4 de março de 1925 — São Paulo, 8 de março de 2015 ).

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É inquestionável a complementaridade entre Educação e Cultura na responsabilidade de fomentar ações de leitura e construir os lugares e possibilidades da leitura vicejar. Mas não podemos ficar apenas na constatação dessa consanguinidade, é preciso agir, é necessária a formulação de políticas públicas para que as frases e os slogans produzidas não se transformem em justificativas eternas.

No âmbito nacional, o PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura) se apresenta como parte de uma articulação entre o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura que deve contar com o protagonismo constante da sociedade civil. O PNLL se inscreve como um marco legal para construir diretrizes, criar instancias de regulação e acompanhamento e desenvolver canais para estabelecer os parâmetros lógicos , os fundamentos e dar ênfase às políticas públicas do livro e da leitura.

Para tornar o PNLL uma realidade, é necessária a participação dos entes federativos no que podemos chamar de estabelecimento de um “Sistema Nacional do Livro e Leitura”, o que se consubstancia através da confecção e implantação dos chamados planos estaduais e municipais (do livro e leitura) sendo este um passo inequívoco no intuito de possibilitar a criação de estados e municípios leitores, além de obedecer a uma lógica de descentralização de ações e recursos apontada pela Constituição de 1988.

Desde junho de 2014 foi constituído o Grupo de Trabalho para a elaboração do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca do Município de São Paulo (PMLLLB). Este GT é composto por membros do Executivo, através de representantes das Secretarias Municipais de Governo, Educação, Direito Humanos, Sociedade Civil (ONGs, entidades de classe, militantes da leitura) e Parlamento (dois representantes advindos dos mandatos legislativos).

Em junho de 2014, o Vereador Antônio Donato promoveu audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo para discussão do Projeto de Lei criado por ele em 2010 a fim de promover espaço de desenvolvimento de ações voltadas ao fomento do livro e da leitura na Cidade de São Paulo. Naquele momento, por indicação do Professor José Castilho (Secretário Nacional do PNLL) fui convidado a prestar assessoria em torno dessa questão, ocasião em que sugeri ao Vereador a utilização do PL para a composição do Plano Municipal do Livro e Leitura.

Na audiência pública realizada no dia 09/06/2015 na Câmara Municipal ficou acordado entre o Vereador Donato, as Secretarias de Educação e Cultura e o GT do PMLLLB, que teve origem em grupo de trabalho criado em 2010 pela sociedade civil e estava sendo composto formalmente em concomitância, que o Projeto de Lei citado acima daria espaço e guarida aos resultados dos trabalhos e resoluções do PMLLLB, o que demonstra a existência de uma facilidade de tramitação no Legislativo, posto que o PL já se encontra em situação de segunda votação na Câmara Municipal.

Naquele momento passei a integrar, como representante do Legislativo GT do PMLLLB, sendo outra representante do Legislativo a ex Secretária de Educação e atual Chefe de Gabinete do Vereador Antônio Donato, Cida Perez. No curso de junho de 2014 as reuniões do GT começaram a acontecer e no segundo semestre de 2014 foram realizadas as audiências temáticas baseadas nos eixos estabelecidos pelo Plano Nacional do Livro e Leitura:

1 – Democratização do acesso;

2 – Fomento à leitura e à formação de mediadores;

3 – Valorização do livro e comunicação;

4 – Desenvolvimento da Economia do Livro;

5 – Literatura (este item acrescido na versão de São Paulo).

Foram mais de 30 consultas junto a Cidade, envolvendo os diversos segmentos do livro e da leitura, a partir dos quais pudemos ouvir e registrar demandas, reinvindicações e sugestões que servirão de subsídios para a composição do Plano e que comporão o documento base que será apreciado e debatido nas plenárias regionais.

Nesta perspectiva, a próxima etapa da elaboração do Plano consistirá na realização de consultas à comunidade inseridas nas seis Regiões da Cidade (Norte, Sul, Sudeste, Leste, Centro, Oeste). Este será o momento de dar voz e participação à população no sentido de construir um Plano que reflita o direito ao livro e à leitura, que não se restrinja a interesses corporativos e localizados, já que os esforços devem estar concentrados em garantir a participação popular.

Nos próximos dias o GT estabelecerá as datas e locais onde as audiências regionais ocorrerão, assim como as necessidades estruturais e de logística para organização das consultas.

É importante frisar que a participação de todas as representações reunidas será fundamental para garantir a democracia e a pluralidade na confecção final do Plano. Este será o momento de juntar as forças e será de grande valia a parceria e a potência das Secretarias envolvidas no intuito de se alcançar e dar espaço às diversas demandas e vozes da Cidade.

Os recém-empossados Secretários de Cultura, Nabil Bonduki, e de Educação, Gabriel Chalita serão importantes protagonistas da construção do Plano. Nós teremos a oportunidade de celebrar e dar concretude à propalada complementaridade entre as áreas que tratam exclusivamente dos benefícios dos cidadãos paulistanos, o que poderá inscrever o direito à leitura entre os direitos fundamentais da Cidade.

No final do mês de abril de 2015, o GT finalizará o documento com a proposta base do PMLLLB a ser entregue ao Executivo, para a posterior tramitação no Legislativo. A ideia, e o desejo, é que no mais tardar em junho de 2015 São Paulo tenha votado aprovado e ratificado pelo Prefeito Fernando Haddad o seu Plano para o Livro e Leitura.

Quero falar diretamente da Lei Rouanet.

A Lei Rouanet deve ser extinta. É uma lei que beneficia que tem grana e entradas no poder. É uma lei que foi feita originalmente (por Celso Furtado – Lei Sarney) com o intuito de dar poder à sociedade civil e criar uma ruptura com a política cultural autoritária da ditadura militar. Serviu para abrir um nicho democrático, mas acabou sendo apropriada por outros tentáculos do poder.

A Lei Rouanet além de privilegiar o mercado de cultura do sudeste (em detrimento das outras regiões), beneficia Fundações que foram criadas para serem bancadas pelo Estado e ficar fazendo pose de beneméritas, é o caso da Fundação Roberto Marinho.

A Lei Rouanet só beneficia artistas consagrados e produções de forte impacto midiático, as empresas que usam 100% de dinheiro público em reforma de renuncia, a utilizam como braço cultural do departamento de marketing.

Grande parte dos recursos públicos usados na área de cultura são absorvidos pela Lei Rouanet, ou seja, o Estado paga para as empresas fazerem marketing e posarem de mecenas bonzinhos, assim fica reforçado do discurso do Estado ineficiente e iniciativa privada excelente gestora.

Lei Rouanet é a festa dos liberais de meia pataca. Isso gera um fenômeno interessante: artistas que descem a lenha no Governo e exaltam as empresas e “esquecem” que o dinheiro que banca os seus convescotes estéticos vêm do Estado que demonizam. Lindo.

Toda vez que a Lei Rouanet é criticada a mídia contra ataca de duas formas: desqualificando o artista que dela se beneficiou (o blog de Maria Bethânia é um exemplo) ou trombeteia que o Estado autoritário está querendo intervir numa lei harmonizada pelo mercado. Esquizofrenia calculada. O resultado: a Lei Rouanet segue imexível e demonizada por todos, mas beneficiando meia dúzia, sempre.

A Lei Rouanet foi criada para combater um Estado autoritário e hoje fomenta autoritariamente uma meia dúzia. Para que essa meia dúzia se beneficie de suas regalias apareceu a figura do atravessador, o empresário FIFA da cultura. O atravessador se beneficia dos calabouços burocráticos da Lei para aumentar a influência de quem já tem influência, a meia dúzia que se beneficia pela Lei Rouanet fica cada vez mais meia duzia.

Há uma solução para a Lei Rouanet. Trata-se do SNC (Sistema Nacional de Cultura). Um sistema que implica os três níveis da Federação: União, Estados e Município. Existem fatores que viabilizam esse Sistema:

– Todo Estado e Município deve ter sua Secretaria de Cultura;
– a política que norteia as Secretarias deve ser debatida e formatada nas Conferencias de Cultura (periódicas e deliberativas)
– As secretarias devem formatar junto com a sociedade civil os Conselhos 
de Cultura paritários e deliberativos;
– os recursos do SNC devem ser repassados para o Fundo de Cultura dos Estados e Municípios e esses geridos pelo Conselho;
– a participação popular deve ser garantida em todos os itens acima.

Essa é a alternativa concreta à Lei Rouanet. Pelo menos o início dela.

Em suma: o controle sobre a política e os recursos da política deve ser efetivamente democratizado, sem eufemismos.

 

Finalmente, a Lei Rouanet deve ser extinta e esquecida o mais rápido possível, precisamos dar o salto, precisamos dar voz a quem não tem voz, recursos a quem vive de promessa de diálogo e na penúria, é preciso democratizar a cultura de fato.

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Em 1978 a preocupação da esquerda britânica era a expansão do National Front (partido da extrema direita) que recebera expressiva votação na eleição daquele ano. O NF arrebanhava seguidores entre os jovens desempregados e sem perspectivas que eram atingidos por mais uma crise do capitalismo em meados da década de 70

O prestigio do NF não era um fenômeno isolado, claro, logo as idéias ultraliberais do velho Fred Hayek triunfariam na figura implacável de Margareth Tatcher, semente do neoliberalismo. Mas o NF era o braço radical dessa direita que se manteria hegemônica nos anos 80 e pregava a violência e a deportação dos imigrantes vindo das ex colonias inglesas (jamaicanos, indianos, pakis).

Jovens pobres brancos segregando jovens imigrantes e descendentes.

Eric Clapton e David Bowie, em momentos diferentes, corroboram com a onda direitista, o primeiro dando uma declaração desastrosa contra negros e imigrantes no meio de um concerto em 1976 e o segundo usando a saudação nazista no meio de uma das suas aparições marketeiras numa estação de metrô.

Em 30 de abril de 1978 oitenta mil pessoas vindas de todo canto do Reino Unido marcharam de Trafalgar Square para o VictoriaPark, local onde bandas de rock antifascistas fizeram um concerto. Era um grito de resistência, um contraponto ao avanço da direita. O aparente niilismo e anarquismo inconsequente do punk se lançava na luta concreta contra um inimigo palpável: o fascismo.

O concerto “Rock Against Fascism” reuniu The Clash, Buzzcocks, Steel Pulse, X-Ray Spex, The Ruts, Sham 69, Generation X, Tom Robinson Band , Patrik Fitzgerald. Música rebelde, musica de rua era o lema. O engajamento tinha tinturas estéticas, pois quase a totalidade dessas bandas buscou referências na música negra, nos ritmos terceiro mundistas, o que emprestou cores diversas ao punk e aos estilos derivados.

O RAR desencadeou uma série de outros concertos e estimulou o engajamento de várias bandas contra a onda fascista.

Nada mais adequado pensar no RAR nesse momento de Bolsonaros, Lobões, Pondés e outras hienas. Uma boa lembrança para o contexto.

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A gente tão perto da cidade
e tão longe dela.

João Antônio

Não dirijo, nunca tive carro na vida. Não, não faço parte de nenhum movimento libertário de protesto contra a opressão do trânsito. De início um bloqueio que foi se transformando em convicção, decisões e vacilos me afastaram das quatro rodas.

Andar nas ruas, nos coletivos (onibus, trens, metrôs) tem suas vantagens. Você ouve de um outro jeito as coisas. Você consegue, perceber, olhar alguns detalhes que a lógica dos vidros fechados não permite. As palavras chegam sem tantos filtros.

As ruas muitas vezes falam de maneira íntima, amíude. Elas amplificam os detalhes de uma maneira que só palmilhando calmamente entendemos seus recados. As travessas, esquinas, praças, vielas, pontos de ônibus reclamam sempre um dedinho de prosa que seja.

É tempo de eleição, antes de nos tornarmos panfletos da repetiçao, que percamos um tempo, mesmo que seja curto, para registrar, entender e dialogar com o que diz as ruas.

O coletivo que vive em assembléia permanente.

abril2 012

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