Muito antes do coronavírus, o mundo foi contaminado por um vírus que se não corrói o pulmão, destrói o cérebro das pessoas, ofuscando o lugar de cada um. O bolsonarismo é consequência desse vírus anterior, versão Brasil, um kit que conjuga ignorância, negacionismo, anticomunismo, misoginia, homofobia, crueldade, recalque e violência e autoflagelo.

O kit vírus cabe em várias personalidades dispersas na sociedade: o médio empresário da SUV, a tia aposentada extremista, a molecada distópica, as bolsolindas, o microempreendedor sem capital, o crente com o passado hardcore, o nerd hater, o tiozão que teve salário bom nos anos 70, o herdeiro que afundou a herança, o anarcocapitalista desvairado, entre outros exemplos que andam pelas famílias e locais de trabalho, que você conhece, que todos nós conhecemos. A base social do Bolsonaro se instalou nesses bolsões. Nem todos os estereotipos usados são necessariamente bolsonaristas, mas todo bolsonarista cabe perfeito nesses estereótipos.

Eles não vão desistir, eles não sumir, eles são resilientes, eles sempre estiveram por aí. A diferença é que em 2018, eles acharam um líder, um espelho, um exemplo. Bolsonaro vestiu a roupa de líder da gang e ganhou a presidência da república, num arranjo que juntou o vazio de lideranças na direita com o avanço do fascismo no mundo,

Daí, Jair encontrou Paulo Guedes, floriu o casamento entre o tiozão do pavê com o ultraliberal de sapatênis, e juntos, pariram o filho tão desejado do real poder – o nome já tinha sido escolhido há tempos -, alias, tem nome e sobrenome: As Reformas que o Brasil Precisa de Oliveira Bragança.

O fato é que esse casamento e sua família macabra estão destruindo o tecido social, massacrando os trabalhadores, assassinando pessoas de fome, de bala, de porrada, e agora, na sua verão bacteriológica, pelo vírus.

É bom que saibamos que combater o coronavírus é apenas uma das batalhas. Há um exército de doenças oportunistas há bastante tempo atuando, e, por ora, não achamos vacina para nenhuma delas.

Um pouco de tempo para ler e pensar é sempre bom, mesmo que seja motivado por essa quarentena trágica.

Há pouco tava lendo endo um artigo do jornalista italiano Niccoló Barca publicado pela revista Jacobin Brasil, que recebi por email, ao mesmo tempo que acompanhava a polemica entre a jornalista Vera Magalhaes e o jornalista Glen Greenwald no tuiter, que discutiram sobre a aproximação entre Lula e Doria.

Vera apontou como o maior erro de Dória, Glenn pontuou que a jornalista paulista tem fissura no Lula.

Mas o que o texto do italiano, que se chama “Não há solidariedade sem conflito” e a polemica buble gumm do tuiter têm em comum?

Vou colocar aqui um trecho do texto de Barca para explicar a analogia:

“Cada crise abre uma fenda nos pilares já danificados de nossa sociedade. De vez em quando essa fenda nos apresenta uma perspectiva diversa, revelando coisas que antes estavam escondidas. Fisher diria que ela permite “Se recuperar de um certo tipo de paralisia metal”. Mas isso não significa necessariamente uma mudança. Na maioria das vezes, as crises servem para legitimar aquilo que a antecipava. O caos transforma a ordem em algo a ser desejado. É tarefa da mídia manter essa fábula de pé.”

O texto de Nicollo Barca é um alerta para aqueles que se iludem sobre uma automática solidariedade dos antagônicos, entre classes distintas, que a pandemia traria. O titulo é autoexplicavel “NAO EXISTE SOLIDARIEDADE SEM CONFLITO”. Eu ando ouvindo muito uma frase que parece refrão de marchinha de carnaval: “depois da pandemia, o mundo não será o mesmo”. É mesmo??? O mundo passará por uma atualização, tipo Windows 11 nas madrugadas frias??

Vera Magalhaes fez uma opção de classes há tempos, ela é serva de quem paga seu salario, ela até tenta embromar com essa história da liberdade de pensamento, que permite a ela colocar Lula e Bolsonaro no mesmo barco, mas a liberdade dela está atrelada a um projeto de classe, no qual Lula e Bolsonaro são empecilhos por motivos diferentes. Vera Magalhaes provavelmente continuará a mesma depois da pandemia, com uma ou outra adaptação.

Tudo isso que disse de Vera Magalhães não é novidade, nem é também novidade que nós, esquerda e campo progressista (seja lá que troço seja isso), estamos caindo novamente no canto da mudança sem confronto, sem luta, sem…conflito. Dessa feita com um alibi perfeito, o forçoso e inapelável isolamento social que nos congela.

Vou usar mais um trecho do texto de Niccolo Barca:

“Cada crise abre um terreno de luta entre forças que nenhuma “solidariedade nacional” pode conciliar, entre um capital cada vez mais experiente na gestão da crise e uma maioria de pessoas para as quais cada crise não representam mais do que um novo tipo de sacrifício.”

A suposta solidariedade que coloca Vera Magalhães, o patrão dela, o patrão do patrão dela, o carroceiro que passa lá na esquina bem fora da quarentena e você no mesmo barco, simplesmente não existe. Basta baixar a poeira da pandemia, alias bem antes disso, as regulações e ajustes do lado de lá levarão o carroceiro, você e eu para o buraco.

O fato é que sem a construção de uma solidariedade de classe, de um projeto em comum, não fica difícil de saber de quem será o novo sacrifício, não é?

É preciso deixar claro o que a dupla Bolsonaro/Guedes está fazendo com a classe trabalhadora e com os pobres no meio da pandemia, momento em que a morte, a vida e a sobrevivência se confrontam se nenhuma mediação, de um jeito pior do que na crueza já há muito conhecida. Pela urgência do momento, é preciso que olhemos para esse fenômeno sem se deixar levar pelo papo hermético ensaístico ou pelas elucubrações pseudo revolucionárias.

Em primeiro lugar, é necessário que nos desapeguemos da prepotência e do autoengano, para admitirmos que há um método, uma escolha em tudo que Bolsonaro faz. Quem pensa por ele, quem formula é o que menos importa.
Bolsonaro repete a todo o momento, que fala para os precarizados e subempregados, que ele não pode fazer nada por eles porque a esquerda, o Congresso, o STF, os globalistas o impedem. Ele se esconde, age como se fosse um presidente impedido pelas elites e pelo esquerdismo, um homem autêntico que quer o bem de todos, um marginal da política.

E esse discurso tem colado, mobiliza defensores, não apenas os robôs das fake news, mas quem pensa influenciados por eles, nesse sentido, Bolsonaro, é visto como um presidente rebelde, um cara anti sistema, desatrelado do mainstream da política, por parte significativa da população.

Vem daí os abraços homicidas do domingo, o homem que não tem medo do vírus, o macho alfa. Não é loucura, é cálculo. Ele se associa ao povo numa relação baseada na mentira, em fake news, em distorções, na e proximidade, na cumplicidade, num momento onde o afastamento é pregado por todos, inclusive pela “inimiga” Globo, pelos inimigos do Congresso, pelos doutores.

Quem não pode se afastar, se isolar nesse momento, são justamente os precarizados, que pegam ônibus, que prestam serviços terceirizados, que vivem de bico, a quarentena é ideia de rico para esse povo, eles estão próximos uns dos outros pela sobrevivência; Bolsonaro se aproxima quando eles se sentem abandonados.

Parece coisa de maluco, mas não é, antes é uma tática de terror para disseminar o desespero e a adesão desesperada. De alguma maneira essa corruptela, conta com a leniência das elites à direita, a perplexidade da esquerda e com o medo e o desespero da população. E admitir isso não é chamar os trabalhadores de alienados, mas sim entender que a luta pela sobrevivência limita sobremaneira as opções e a compreensão delas.

Enquanto Bolsonaro prega seu messianismo viral, Paulo Guedes senta o renho e precariza à exaustão e toca o programa ultraliberal. Por um lado, o governo dificulta com discursos e burocracia, que a renda de R$600,00 aprovada pelo Congresso, dentro de um exercício prático do que seria a tal frente democrática, por outro ele segue a suas medidas provisórias de exaltação ao arrocho e ao subemprego.

Dentro dessa coerência perversa, a primeira ação efetivo do Executivo, dentro do governo Bolsonaro, para proteger a classe trabalhadora no meio da pandemia foi aprovar um corte que vai de 25% até 70% do salário dos poucos que estão trabalhando. É o pacote “lasque seu funcionário antes que ele morra”, que já está em vigor, hoje, agora, já e vai impactar na vida das pessoas, vai ajudar a criar mais desespero.

Enquanto isso, parte da esquerda divaga falas futurística ao flertar com neowelfare state, plano marshall, neokenysianismo, ttm, taxação de fortunas etc. Quais as condições efetivas para impor essa inflexão, qual a correlação de forças? Isso sem contar a rapaziada da programa total.

De prático, como de costume, só a ação parlamentar que resultou numa concertação com a direita tradicional para aprovar o pacote do 600, que não deixa ser um caminho para ampliar alguma proteção ao trabalhador, e colocar em prática, a até então improvável, frente democrática, deveras insuficiente, mas o possível.

Insisto, Bolsonaro está armando o caos para surgir como salvador da pátria; nos próximos dias, teremos indícios dos verdadeiros impactos que a pandemia nos trará, se o caos trará luz ou trevas. Daqui da minha janela quarentenária, de panelas e gritos de fora Bolsonaro, o que ouvi dia desses de trabalhadores com mochilas que passavam pela rua, foi a frase emblemática cunhada por Chico Buarque: vai trabalhar vagabundo.

Será que eles vão mudar de ideia a tempo??

Hoje é 31 de março, uma data vergonhosa para a história brasileira.

Há cinquenta e seis anos o Brasil seria tomado pelo golpe civil militar empresarial.

Parte da sociedade brasileira apoiou a deposição de João Goulart e jogou o país numa longa noite que nos atemoriza até os dias de hoje continuamente.

Formalmente, o golpe de 1964, arrefeceu em dois momentos, em 1985, com a eleição indireta de Tancredo Neves/José Sarney, em 1989, com eleição de Fernando Collor.

Mas perdura o entulho.

Houve um intervalo democrático.Duas eleições e mandatos de FHC, duas eleições e mandatos de Lula, uma e 1/2 e mandatos de Dilma. E veio o Golpe jurídico empresarial em 2016,

Como disse, o entulho autoritário perdura e se consubstanciou através de um subproduto da ala radical das forças armadas, Capitao Jair Bolsonaro, sujeito que foi expelido e aposentado do Exército na década de 1980, um apologista da tortura, misógino, autoritário, que tirou trinta anos de ferias dentro da Camara de Deputados, para surgir como solução de continuidade do golpe de 2016.

Bolsonaro é o elo perdido entre 1964 e os dias de hoje.

Para comemorar o ato contínuo do golpe de 2016, nada mais grotesco do que o 31 de Março do golpe matriz em meio a um governo de Jair Bolsonaro e uma pandemia que nos atola numa crise política, sanitária e econômica.

A cereja no bolo desse dia bizarro é a notícia de que dois personagens centrais do governo Bolsonaro, portanto do golpe contínuo, parecem anunciar uma nova fase do golpe.

O ex juiz Sérgio Moro, hoje dublê de Ministro da Justiça, um dos principais caudatarios da eleição do Capitão Jair, o braço juridico do golpe versão 2016, nesse momento acena de forma covarde, bem característica do seu estilo, que quer abandonar o barco. Ele usa como argumento pretensas discordâncias com o chefe sobre o enfrentamento do Coronavirus. Ele diz isso em off para interlocutores e é evasivo em público. Moro que acha feio aquilo que não é espelho, está com vergonha, e já não enxerga mais conveniência nessa fase da obra suja que ajudou a criar. Alea jacta est, tal okey.

O outro personagem central na continuidade golpista, é o Ministro da Economia, Paulo Guedes, uma espécie de especulador metido a teórico ultraliberal, também subproduto de uma ditadura, só que da chilena de Pinochet. Ele é o pistolão do Capitão Jair no mercado financeiro, o posto Ipiranga da derrocada economicista. Guedes, afirmou no último final de semana, que como cidadão é a favor do isolamento horizontal, método recomendado pela OMS para combate ao avanço do Coronavirus, e um dos pesadelos de Jair, mas como Ministro defende o método vertical, que coloca parte da população em risco, na rua trabalhando, exatamente aqueles precarizados, que sua política econômica aprofundou. Para o povo o vírus, para mim a proteção. Homus Canalhus Economicus.

Moro e Guedes e a soma Jair Bolsonaro, formam a equação perfeita desse sempre abjeto 31 de março. O golpe é contínuo. Vamos descomemorar, mas qual será o próximo ato?

Um pequeno conto da quarentena, que veio observado da janela:

  • É domingo, sábado?

Só sei que há poucos carros na rua e céu promete chuva. Pouca gente passa, saquinhos de supermercado na mão, alguns com máscara, os mais apressados correm; eu tô aqui nessa esquina todo final de semana, olho, vejo, guardo e jogo e limpo os vidros. Há quem me observe dos prédios, nada vale, as moedas não voam tão longe.

Não, eu não perdi a elegância, a magreza ajuda, a calça preta engana o uso de dias, as caminhadas pela cidade sem fim, mantém o corpo seco. Há pouco passou um casal e deixou uns trocados, elogiaram o shape, ri, pra não dizer como cheguei aqui, eles não queriam detalhes, ninguém quer os detalhes.

A cidade parou, mas a minha vida, a fome, os desejos, estão todos carregados aqui comigo. Uma senhora caminha no passo que pode, olha pra mim, doce, fala baixinho:

  • Precisa de alguma coisa, filho.

Quis falar, preciso, preciso sim, preciso renascer, rever tudo, aparecer de novo nesse mundo, ficar em casa (não é isso que tão dizendo agora, nesse tempo de coronga?), preciso de café quente, preciso ter para onde voltar, mas, calo todas as vozes:

  • A senhora vai no supermercado? Pode me trazer um pacote de qualquer biscoito recheado?

Ela sorriu, seguiu andando mais devagar, indo como se fosse o meu passado voltando ao contrário, devagar, calmo, cruel. Voltou com um pacote de Negresco (eu gosto muito), estendeu a mão mantendo distância, menos de um metro e meio, mas distante, eu agradeci, eu sempre agradeço, a senhora seguiu calada, silêncio simpático.

Lá vem chuva…

Quatro rapazes de bike, três barbudos, como eu, chegam junto, nas duas bikes da frente tem uma caixa de som, uma música que toca:

“Você! Se ligou que o Corona deixa na lona
O estrago veio à tona
O mal contamina a cada esquina
Mais sério do que se imagina
Só faz a sua parte que eu faço a minha
Não pense que é só uma gripezinha”

A voz eu conheço é o cara do Rio, o MV Bill, saquei rápido que era o troço do vírus, o cabuloso, que seca o pulmão, os barbudos me deram uma garrafa com agua e sabão, um pano limpo para secar, pessoal bacana, não chegaram perto, seguiram o caminho, com uma capas grandes de plástico, máscara, o barbão, pareciam camisinhas andantes.

A noite tá chegando, choveu à tarde aqui na Barra Funda, a esquina tá vazia, parece aqueles carnavais antigos, antes da zoada dos blocos, em que a cidade hibernava morria até a quarta feira, deve ser quase sete, deve ser…

Tem uma praça aqui, tem gente que dorme lá tudo junto, agora não dá, nesses dias não rola, não durmo lá não, vou me arrumar por aí sozinho, passar a noite sozinho. Hoje a minha cabeça tá um agito sozinho, merecia uma parada, não, não dá…tenho que seguir….

Queria que a cidade fosse todo o tempo assim, calma, vazia, mas preciso de gente, preciso de grana, o Brasil não pode parar, passou alguém gritando, porra parar como? Comigo não tem essa de parada, a rua não acaba nunca, é infinita a correria.

Meu bolso hoje tá vazio, preciso de um pouco mais. Fome, ainda bem que ainda não esfriou.

  • Já é segunda. Não tem começo, nem fim, tá sempre no meio.

Ontem no final da tarde, por volta das 18:00, saí para comprar pó de café e me deparei com uma cidade vazia, poucas pessoas circulando num horário que tradicionalmente as ruas estão cheias, com pessoas encerrando os seus expedientes ou se movimentando para mudar de atividade.

Esse e um vazio muito necessário nesse momento, quanto menos gente circula, menor a possibilidade de transmissão do Coronavírus, minoraram as chances de aumentar a tragédia anunciada pela experiência recente de outros países.

Porém, tenho que admitir que o olhar sobre a cidade esvaziando, apagando, me trouxe lembranças e um sentimento misto que fundiu tristeza e passagens importantes da minha vida.

Quando menino, as descobertas das ruas tiveram para mim uma importância, um fascínio, que determinou fortemente o adolescente, o adulto que veio a seguir. Cada rua, cada pedaço de quarteirão conquistado, era uma importante etapa de uma saga de passos, que me alimenta até.

Foram várias essas conquistas, tamanho e distância eram o que menos valia, o sabor vinha múltiplo com as situações que se juntavam àquelas ruas e quarteirões, às andanças, seus motivos, aos personagens e aos enredos que os trechos da cidade me concediam.

Lembro nitidamente de uma manhã de sol, tinha 11 ou 12 anos, que decidi ir no “campo do japonês” ou o “campão da Vila Tereza”, terrão do futebol de várzea sãobernardense, no qual o Clube Reunidas fazia seus jogos, na falta de jogos oficiais, a molecada tomava conta do pedaço.

Foi uma aventura, um desses episódios iniciáticos, cada rua, cada lugar, casa, pessoa que eu encontrava no caminho, era um novo trecho de um mundo de possibilidades que se abria. Saí da Vila São João, atravessei a Vila Marlene, cheguei no Parque Anchieta, o bairro dos ricos de São Bernardo, e peguei um atalho num grande terreno baldio, que era usado como trilha para se chegar o “campão”, lugar onde hoje funciona o campus São Bernardo da UFABC. O fim da saga foi de digno de um Jules Verne.

Aquele foi um dia de conquista, ver o campo, o jogo daquela manhã ensolarada, ver tudo aquilo que eu só conhecia através do relato dos amigos mais velhos, do meu irmão, que inclusive jogava no Reunidas, daquele mundo de futebol, gols e sonhos de um menino que descobria o mundo.

Pode soar confuso esse misto de memórias de ruas conquistadas na mágica de ser menino, com as ruas esvaziadas por uma pandemia que nos avizinha. O que sinto, é que a memória unida a percepção, é muita matreira. O que vejo nessas ruas vazias desse 2020 de crises e restrições, é um contraste com aquele 1978 de ruas descobertas, de ampliações.

Sei bem que a minha história pessoal não é suficiente para entender o que se passa nesse mundo que até hoje descubro, por onde ele andou e por onde andará.

O que fica no meu sentimento mais sincero, é o desejo que tudo isso passe, vá embora, que o vírus e seu parceiro nefasto, o capitalismo, sejam superados, e todos nós possamos reconquistar em breve a possibilidade de descobrir ruas e pessoas, sem medo das descobertas, sem medo do outro.

O desejo mais profundo é que as ruas se encham de novos mundos.

É véspera de dia do bibliotecário.

Sim, me orgulho, e também sim, às vezes me envergonho.

Há lugares onde falamos livremente, há lugares que em certas ocasiões nos franqueiam a palavra, e há lugares que nos calam ou que nos quais optamos por nos calar.

É nesse misto de gritos, declarações, murmúrios que hoje me sinto bibliotecário.

E saúdo a todas bibliotecárias e todos bibliotecários e todos os que não são, mas estão juntos, na luta para que a palavra, a escrita, as ideias e todas as expressões sejam livres.

Hoje, nessa véspera, estarei na faculdade em que me formei para falar um pouco do que sei, aprendi, desaprendi, das persistências e desistências, nessa história de 29 anos.

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