22
Out
09

Era da Informação?

Tenho uma coluna no site do professor Oswaldo Almeida : www.ofaj.com.br. Publiquei esse texto sobre os profissionais da área da informação, bibliotecas e que tais. O link original: http://ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=477


Onde estamos?

Ricardo Queiroz Pinheiro

Poderíamos parafrasear o  bibliotecário como um profissional a procura de um rótulo. Esse grave problema identitário já foi discutido em diversos textos que propõem fórmulas e receitas para que, em um passe de mágica, a solução, a despeito de qualquer processo, viesse à tona.

Há muito tempo se discute, entre bibliotecários, qual o perfil que deve ter o profissional para ser atuante e protagonista na “era da informação”. E mais: se de fato com o advento da era da informação a nossa área de atuação ganhou maior abrangência e nos tornamos posto chave dentro do quadro de profissões.

A mudança de nome dos cursos de biblioteconomia foi um sintoma evidente dessa preocupação, carregada de formalismo e sempre em detrimento de um conteúdo que efetivamente mude o rumo do fazer profissional e da produção cientifica produzida.

Alguns fatores devem ser levados em conta: a relação entre mundialização e o poder e da informação, o deslocamento da produção de conhecimento, as propriedades recombinantes do uso da informação e o impacto que essa incide no indivíduo e nos grupos.

O aumento da circulação de informações dentro das velhas e novas mídias é crescente, mediação e gestão da informação são essenciais, o que não garante que os espaços tradicionais, que supostamente concentram essas informações, sejam o lugar ideal para atender essa demanda.

A partir desse raciocínio, discutir a relevância desses espaços é o primeiro passo para iniciar o diálogo e sua consequente transformação.
A maior procura e utilização da informação, esta provado, não colocou as bibliotecas e os centros de informação automaticamente na ponta de lança de prioridades da sociedade. Quando muito as utilizações destes espaços se diluem em interesses multifacetados, que mais problematizam do que reforçam seu papel como instituição.
O “agente da informação” deve trabalhar com foco nos suportes e conteúdos informativos ou nas pessoas que deles necessitam? Se a resposta for com os dois, onde que se estabelece essa relação de forma concreta? O pilar de um centro de informações é o seu acervo ou são seus usuários?
Aparentemente são esses fatores indissociáveis, e essa pergunta pode soar descabida, mas a prática nos leva a crer que não. A falta de diálogo entre essas partes, não falo aqui de qualidade e totalidade, é causa das maiores distorções e anacronismos presentes, e nem sempre são vistas como um problema objetivo a ser superado.

Em primeiro lugar o que representa a era da informação? A informação e o conhecimento produzido a partir dela, até onde sabemos não é um elemento novo na vida da humanidade.

A distinção entre informação e conhecimento é muito tênue, as informações não ficam soltas no ar e elas são processadas assim que a recebemos. Mas há uma diferença entre ambas nos usos e nas relações que se seguem logo após a recepção.

A produção de conteúdo informativo e a sua relação com a produção de conhecimento é o grande dilema a ser desbaratado sem cairmos nas interpretações mecanicistas e esquemáticas.
O instante exato onde se apresenta a importância de um profissional da informação é justamente o espaço entre a recepção e processamento da informação por parte daquele que a procura, e é ai que ele deve se fixar como agente ativo e participar no processo de construção do conhecimento.
Portanto a mediação da informação deveria ser o principal foco de interesse e expansão do profissional da informação, em detrimento de nomes de prédios, de cursos universitários e de jargões vários criados.

O assunto não encerra nessas premissas, há espaço para várias discussões…

28-knowledge-management

26
Set
09

Hiroshima Mon Amour

As vezes coisas bacanas surgem do nada ou reaparecem em versão revisitada para dar sentido a dias banais. É facil falar delas num blog. O contrário também é fato, e não há como fugir de fantasmas redivivos ou histórias inacabadas que vêm atrás de resoluções.

Esse blog não é de confissão, é de músicas, filmes, livros, paixões e…implicâncias. Eu poderia deixar tudo quieto e nada escrever, não faria diferença. E realmente não vou mudar o tom do blog.  Vou compartilhar uma canção, manter o tom e coloco um trecho da letra para dar um sal. Busco a música para exorcizar um monte de coisas e a deixo como a própria confissão.

Um dia falo mais detalhadamente do Ultravox, nesse post apenas o uso como ilustração. Esta bolacha rodou incansavelmente num velho toca discos CCE, em algum momento da minha adolescência:

Meet beneath the autumn lake
Where only echoes penetrate
Walk through polaroids of the past
Features fused like shattered glass, the sun’s so low
Turns our silhouettes to gold
Hiroshima mon amour



01
Set
09

Duas paradas: Magazine de volta.

Howard Devoto foi fundador do Buzzcocks ao lado de  Pete Shelley, no final de 1977 ele abandona o grupo para formar junto com John MGeoch (guitarra), Barry Adamson (baixo) e Dave Formula (teclados) e Martin Jackson (bateria) uma dos mais significativas bandas do que se convencionou a chamar de pós punk, o Magazine.

A tal cena de Manchester tem no Magazine um dos pilares menos citados. McGeogh foi a mais singular guitarra desse momento do rock inglês. Devoto é um bom letrista, poético e corrosivo, Formula não tinha vergonha de criar “climas” com teclados, em plena era punk, e era excelente. O combo se desfacelou em 1981 e cada um seguiu seu rumo.

Foram quatro registros e muitas mudanças de formação, apesar de bons discos, eles nunca emplacaram comercialmente. Porém deixaram marcas e influências percebidas em Radiohead, Franz Ferdinand.

A boa notícia é que eles voltaram em julho para cinco apresentações em Londres, Manchester e Glasgow, ja existem videos no youtube que mostram algumas passagens desses shows. A formação do retorno é Devoto nos vocais, Noko (colaborador dos projetos solos de  Devoto) guitarra, Dave Formula, teclados, Barry Adamson no baixo e John Doyle, bateria. MGeoch faleceu de câncer em 2004. Eles não anunciaram se esse retorno resultará em disco, mas fica a expectativa.

Discografia

# Real Life (1978)

# Secondhand Daylight (1979)

# The Correct Use of Soap (1980)

# Play (Live at Melbourne Festival Hall) (1980)

# Magic, Murder and the Weather (1981)


A excelente Parade em dois momentos:

“Sometimes i forget that we’re supposed to be in love
Sometimes i forget my position”

2009

1980

Magazine276

11
Ago
09

Banjo or Freakout

Alessio Natalizia é um italiano de Turim radicado em Londres. Ele junta o que se convencionou a chamar de paredes de guitarras (Phil Spector) com recursos de laptop . O nome do projeto é Banjo or Freakout. Sobre as influências, é sempre sofrível falar delas, até porque algumas vezes elas não são assumidas e quase sempre presumidas. Podemos citar Spaceman 3 e My Blood Valentine, ouçam e tirem as próprias conclusões.

Saiba mais sobre: http://www.myspace.com/banjoorfreakout

Ele acaba de soltar um single chamado Upside Down, muito bacana:

banjo2(1)

10
Ago
09

Lucas sem Nostalgia

O baiano Lucas Santtana dispara seu quarto disco entitulado Sem Nostalgia. O lançamento já foi devidamente comentado (faixa a faixa) pelo Pedro Alexandre Sanches em sua pagina no Twitter http://twitter.com/pdralex. Alias o Twitter é um bom lugar para se falar de música e comentar gravações novas. Destaque para a letra de Cira, Regina, Nana, bacana entre ecos de Jorge Ben, violão e toques de máquina de escrever:

antes o meu coração tocava só pra cira

antes é que o meu cordão batia só por cira

ela era tão bonita que insandecia a tropa

evocava o meu olhar que orbitava à sua volta

mas quando apertava a tecla nunca trocava a nota

o encanto bateu botas e eu vazei daquela festa

agora o meu coração toca pra regina

agora é que o meu cordão bate pra regina

ela é a moça certa carregando aquela tocha

recitando poesia e me ensinando sobre a pérsia

mesmo sendo tão prolixa e digna de nota

não contava anedota e eu fugi como uma besta

agora o meu coração toca no vazio

agora o meu coração não queima nem pavio

não existe data certa, conta ou alguma reza

o cupido quando acerta o acaso lhe reserva

não é por desmerecer nem dizer que a fila cansa

mas agora vou falar do meu amor por nana

agora eu vou falar

eu vou falar de nana

agora eu vou cantar

eu vou cantar pra nana


Lucas bateu na mesma tecla do amor, literalmente, mas acertou em cheio.

Tem para download no próprio site do cabra:

http://www.diginois.com.br/

http://www.myspace.com/santtana

Ouçam!


12
Jul
09

Três tempos: um clássico de Larry Williams

As vezes ouço músicas sem estar tocando em lugar algum. Elas ficam martelando na cabeça, insistindo para que na primeira oportunidade eu as ouça. Voltei de viagem agora a pouco e durante todo o percurso pensei em Slow Down do Larry Williams.

Larry Williams, pianista, cantor e compositor de Lousiana, EUA, que compôs e originalmente gravou essa canção (1958) que viria a se transformar num clássico do rock’n roll, o sucesso mundial veio na versão dos Beatles.

Aqui em três momentos:

Alexis Korner and Steve Marriot – 1975

The Jam – 1977

The Replacements – 1981

Well, come on pretty baby, won’t you walk with me?

Come on, pretty baby, won’t you talk with me?

Come on pretty baby, give me one more chance.

Try to save our romance!

Slow down, baby, now you’re movin’ way too fast.

You gotta gimme little lovin’, gimme little lovin’,

Ow! if you want our love to last.

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06
Jul
09

Paraíso da literatura sem Biblioteca Pública.

O que vocês acham de um local que sedia um evento literário há dois anos, o último aconteceu em junho passado: http://www.cultura.sp.gov.br/StaticFiles/Mantiqueira/index.html, e  não possui uma biblioteca pública? Nele existe sim, uma biblioteca comunitária: http://www.bibliotecasolidaria.com.br/ bravamente organizada e mantida pelo bibliotecário Sidnei Pereira da Rosa, sem apoio de nenhuma esfera do poder público.

Essa é a situação da bela São Francisco Xavier, subdistrito de São José dos Campos, onde é organizada há dois anos o Festival da Mantiqueira, resposta paulista á FLIP. Não sei se é omissão da Prefeitura de São José dos Campos, do Governo do Estado de São Paulo ou das duas partes. Mas é paradoxal a cidade receber Cristovão Tezza, Milton Hatoun, Moacir Scliar, Alice Ruiz, etc, e não possuir, nem fomentar um espaço público que promova a leitura.

Será que “São Paulo Um Estado de Leitores” pensa que uma Biblioteca Pública não é importante no desenvolvimento de ações para a promoção de leitura em uma cidade? Se é assim que pensam as autoridades, ao menos poderiam ser solidários com a Biblioteca Solidária da cidade, que é mantida por doação de particulares. Lembrando que garantir uma ação de fomento à leitura, não é só doar livros, mas principalmente investir em mediação da leitura.

Fica a sugestão para que os gestores e  agentes de leitura do estado reflitam e tomem atitudes sobre essa incoerência. Ah, a cidade é muito bonita e acolhedora!

28
Jun
09

Samba de raiz, da folha, do caule, do fruto, da árvore toda.

O samba nasceu nas misturas do danças e cantos de africanos e seus descendentes, não se sabe no Recôncavo Baiano ou no Rio de Janeiro. Se assim foi, teve vários pais, mães e origens. Sua beleza ritmica e os lamentos forjaram uma música robusta e que permaneceu. Mas samba é coisa de povo, e sendo coisa do povo, sofreu rejeição e preconceito. Os sambistas foram perseguidos pela polícia e ele era considerado nas boas casas de família como música fuleira. Mas isso era nos primórdios, agora na nossa democracia racial, as classes se uniram e todo mundo samba junto e contente? Não é bem assim.

“Os bem pensantes” para se diferenciar da “caterva popularesca”, criaram o termo “samba de raiz”, e assim consagrou-se o estilo do samba de gente fina. Vira e mexe a gente flagra alguém falando assim: “Eu gosto de samba, mas tem que ser samba de raiz!”. Que raio de samba de raiz é esse? O termo em si é ate usado, em certos momentos, com boa fé.  Mas as intenções nem sempre são claras.

Existem algumas “teorias” a respeito: para uns é o samba que tem uma poética diferente, um samba puro, sem misturas, que não foi “infectado” pelas promiscuidades comerciais da industria cultural. Para outros é o samba praticado nos anos 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90, 00 e que mantém “as características” de um samba feito sei lá em que década, mas é de raiz. E também tem aqueles que acham que samba de raiz são aqueles regravados por exemplo pela…Marisa Monte. Vai entender. Não pode ser só samba tem que ser samba de gente inteligente. A quem serve essa distinção?

Para mim samba é samba e tem a elegância dos impuros, os bambas sempre misturaram tudo ao samba, tudo que puderam, Geraldo Pereira (o avô musical de Jorge Ben) sincopou o samba e levou-o para um rumo diferente, Noel era branco e foi fazer samba, qual era a raiz de Noel? E se os instrumentistas dos trios de bossa nova não tivessem misturado o samba ao jazz e ficassem procurando a raiz, saíria alguma coisa?

O Jorge Ben é um exemplo, é sambista, mas não purista, swingou à sua maneira e reinventou o samba no início dos anos 60. Jorge Ben consagrou o samba balançado e esse deu origem às formas mais comerciais do samba pop contemporâneo. Você pode não gostar, mas é samba. Muitos desses sambistas que os consumidores puros e sofisticados do samba odeiam, são filhos dessa corrente chamada samba rock que gerou variações mais comerciais.

E o samba nunca deixou de ser samba.

Samba amaxixado, samba-canção, partido alto, pagode, samba rock, gafieira, samba de terreiro, samba-jazz, samba-rap, samba-reggae, separados ou misturados são os estilos do samba. E o samba segue impuro, se fosse depender de pureza o samba nem nascia, e essa é sua verdade. Mas muitos querem o samba de raiz. Para quê? Para mim o samba, é a raiz, o caule, a flor, o fruto, o samba é a árvore toda.

arvore_nsanda

25
Jun
09

Jacko Dies

Michael Jackson foi um artista ímpar. Talentoso até a medula, cantou, dançou, mobilizou massas. Gravou excelentes discos, e um especificamente brilhante: Thriller (1982). Em algum momento se perdeu e foi consumido pela leviandade do show bizz, por traumas, as distorções de uma cabeça que nunca teve tempo de se formar. Desde pequeno foi uma peça da máquina da industria cultural, primeiro explorado pelo pai e depois pelo próprio ônus do sucesso e da notoriedade. Se enrolou na vida, virou caricatura. Não dá pra entender direito o que fez com o próprio corpo.  A coisa mais fácil é você ouvir alguém falando algo repugnante, boçal e racista a respeito de Jacko, triste e reducionista. Não me importa julgar o que ele fez na vida íntima, apenas lembro de sua boa música.

25
Jun
09

Livio Tragtenberg e Wilson Sukorski: Você Já Ouviu?

Aqui em São Bernardo do Campo estamos tentando mudar o foco da programação cultural tanto na área de leitura, como nas demais expressões, música, dança, teatro, etc.  A carência de diversidade e, principalmente de qualidade chegou a proporções graves, produto de uma política anódina e irresponsável.  Tudo isso somado a já tão reclamada  falta de grana para o setor.
Precisaria de muitas linhas para discutir a questão das políticas culturais e essas correções de rumo, talvez em outro momento. Vamos aos fatos e aos poucos vou colocando aqui no blog as minhas opinões permeadas com a divulgação das ações. Sendo assim:
Uma dessas mudanças esta embutida no projeto “Já Ouviu? que iniciou há três meses e se propõe a convidar nomes não tão veículados pela mídia tradicional. Nessa semana os músicos  Livio Tragtenberg e Wilson Sukorski participam do projeto e sua apresentação propõe juntar música ao vivo à projeção de um filme.
A idéia não é nova, pois na época do cinema mudo um pianista animava as exibições dos filmes. Lívio e Wilson fazem uma leitura nova de uma velha prática dando vida à musica feita para o filme dentro do lugar onde é exibido.
A novidade para a cidade é trazer formatos que até então não encontravam espaço em nossa grade de programação. A idéia é provocar outras situações.
Assim será nesta nesta sexta-feira, dia 26, às 20h – no Teatro Cacilda Becker – Praça Samuel Sabatini – Tel: 4348-1081 - onde tocarão ao vivo para a exibição do filme “SP, Sinfonia e Cacofonia”, de Jean Claude Bernardet. A entrada é franca.
livio_tragtenberg suko



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